<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315</id><updated>2011-11-28T20:32:53.413-08:00</updated><category term='eleições 2010'/><category term='transgênicos'/><category term='Belo Monte'/><category term='ecossocialismo'/><category term='ecologia urbana'/><category term='Rio+20'/><category term='deserto verde'/><category term='Codigo Florestal'/><category term='mudanças climáticas'/><category term='sustentabilidade'/><category term='desastres ambientais'/><category term='código florestal'/><category term='alimentos'/><category term='agrotóxicos'/><category term='energia'/><category term='Fórum Social Mundial'/><category term='bem viver'/><category term='política'/><category term='desenvolvimentismo'/><category term='cultura'/><category term='vídeo'/><category term='papel'/><category term='PSOL'/><category term='cidades'/><category term='monoculturas'/><category term='#EBlog'/><category term='eleições'/><category term='água'/><category term='agronegócio'/><title type='text'>Ecossocialismo ou Barbárie</title><subtitle type='html'>Não existe futuro para qualquer pensamento político que não seja ecologicamente sustentável.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>36</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-6268660820687874622</id><published>2011-07-20T12:37:00.001-07:00</published><updated>2011-07-20T12:38:50.727-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ecossocialismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rio+20'/><title type='text'>Rio+20: Ecossocialismo ou Redução de Danos</title><content type='html'>&lt;p&gt;Nem bem começaram as articulações da sociedade civil em torno da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável - Rio+20, eis que surgem as primeiras divergências entre as organizações, movimentos sociais e outros atores envolvidos. A começar pelo título, que carrega consigo uma armadilha e uma polêmica que se mantém no interior do movimento ambientalista: o assim chamado “desenvolvimento sustentável”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Cunhada e usada pela primeira vez no &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Relat%C3%B3rio_Brundtland"&gt;Relatório Brundtland&lt;/a&gt;, publicado em 1987 e elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, a expressão “desenvolvimento sustentável” foi uma tentativa de criticar o modelo de desenvolvimento capitalista hegemônico, mesmo sem dizer o seu nome. Nas próprias palavras do Relatório, apontar para “&lt;i&gt;o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades&lt;/i&gt;”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Contudo, ao não questionar as bases constituintes do capitalismo, promotor do desequilíbrio do Sistema Terra, o conceito de desenvolvimento sustentável acabou por ser apropriado por ele, a ponto de se transformar hoje na senha para identificarmos as iniciativas de quem, pressionado pela magnitude da destruição e das catástrofes ambientais, é levado a assumir aparentemente “responsabilidades ambientais” – para exorcizar outra expressão mentirosa. Tudo isso, é claro, sem alterar os padrões de espoliação e de lucro inerentes ao capitalismo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nessa esteira de pequenos sofismas e grandes mentiras podemos incluir o capitalismo verde (ecocapitalismo) e o &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Greenwashing"&gt;greenwashing&lt;/a&gt; (ecobranqueamento), como tentativas de dar uma aparência ecológica responsável a atividades, produtos e serviços inerentemente devastadores. Neste processo é possível, até, que modos de produção e práticas escandalosamente daninhas ao ambiente sejam substituídas por outras aparentemente mais limpas, mas que, ao serem utilizadas sem que se mexa no cerne do modelo econômico, acabarão também por provocar passivos ambientais.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O centro do debate proposto pela ONU na Rio+20 não é o meio ambiente, mas o desenvolvimento sustentável, ou melhor, avaliar se a agenda proposta na Eco 92 para a construção de um modelo sustentável de desenvolvimento, além dos mecanismos aprovados por ela, como o &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Protocolo_de_Kyoto"&gt;Protocolo de Kyoto&lt;/a&gt;, foram vitoriosos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Além disso, certamente embalados pela perspectiva de novas fontes de lucro, não faltarão aqueles a proporem novas formas e mecanismos paliativos, com fracasso anunciado semelhante ao do natimorto Protocolo, cujo “mercado regulador de emissões de carbono” nem regulou, nem reduziu as emissões, servindo apenas para dinheiro trocasse de mãos nas asas da especulação.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Dessa forma, é previsível que o sistema ONU, os governos e as grandes corporações tentem, de toda forma, impedir que a Rio+20 seja uma nova &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/COP_15"&gt;COP 15&lt;/a&gt;. Lá, na cidade de Copenhague, em 2009, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas embalada pela divulgação do Relatório do &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/IPCC"&gt;IPCC&lt;/a&gt;, publicado em 2007, e que pela primeira vez demonstrava a relação entre a escalada do aquecimento global e a ação humana (melhor dizendo, a ação do capitalismo), foi transformada em uma reedição das &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Manifesta%C3%A7%C3%B5es_contra_o_encontro_da_OMC_em_Seattle"&gt;manifestações ocorridas em Seattle&lt;/a&gt; em 1999, quando de uma reunião da Organização Mundial do Comércio.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mais do que isso, a primeira atividade promovida pela Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, nome provisório do evento da sociedade civil a ser organizado em paralelo à Rio+20, mostrou que, mesmo neste evento alternativo, a disputa vai ser grande. No Seminário realizado no Rio no começo deste mês, a discussão sobre o formato da Cúpula e sobre o seu perfil esteve no centro do debate.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Parte dos presentes defendeu um formato semelhante ao dos Fóruns Sociais Mundiais, isto é, a de uma “feira de idéias” aberta a um espectro mais amplo, desde aqueles que consideram que, dada a hegemonia capitalista, é preciso negociar a redução dos danos que o modo de produção capitalista provoca no planeta, até os que consideram que sem o questionamento a ele, e a sua superação, é impossível pensar na sobrevivência da biodiversidade e das espécies, entre elas a humana.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Estes últimos, entre os quais nos incluímos, defenderam um formato politicamente mais definido, evidentemente aberto a diversidade de idéias, desde que numa perspectiva crítica e de superação da ação nefasta do capital sobre a natureza, recursos naturais e espécies.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E que o caminho da redução dos danos provocados pela ação do Capital sobre o Sistema Terra, certamente nos levará, em um futuro próximo a, além de sacrificar e extinguir anualmente centenas de espécies como hoje em dia, a abrir mão também de várias centenas de milhões de habitantes do planeta desprovidos de água e alimento, morrendo aos milhares por conta de doenças ligadas à falta de saneamento (6.000 por dia), vivendo e trabalhando em situação altamente precarizada social e ambientalmente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Defendem também que, neste particular momento onde está em jogo qual o futuro da humanidade, é mais adequado a organização daqueles que “não tem voz”, para darem um sinal claro de que ou mudamos o modelo, ou não haverá futuro virtuoso para a grande maioria da população da Terra.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E, por último, que se a experiência dos Fóruns é importante, e deve ser mantida, é necessário também reconhecer que seu próprio formato, e o amplo perfil dos participantes, impedem quaisquer definições políticas mais claras. E, em contrapartida, organizar uma ação planetária contra esse modelo de desenvolvimento morbidamente sustentável, que sinalize aos filhos de Seattle e Copenhague – ecologistas, feministas, anarquistas, trabalhadores, estudantes, pacifistas, socialistas, etc. – que a Cúpula dos Povos é um chamado à luta.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-6268660820687874622?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/6268660820687874622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=6268660820687874622' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/6268660820687874622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/6268660820687874622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2011/07/rio20-ecossocialismo-ou-reducao-de.html' title='Rio+20: Ecossocialismo ou Redução de Danos'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-7529466896862147114</id><published>2011-07-04T12:14:00.001-07:00</published><updated>2011-07-05T09:17:41.989-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='#EBlog'/><title type='text'>#Eblog, muito mais que virtual: anticapitalista e libertário</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;img 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alt="" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;Quem somos&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O &lt;strong&gt;#Eblog&lt;/strong&gt; é um grupo de blogueir@s de esquerda, unidos ao redor das bandeiras anticapitalista, antirracismo, antihomo-fobia, antimachismo, feminista, ecossocialista, em defesa dos povos indígenas e quilombolas, sobretudo pelas lutas coti-dianas das trabalhadoras e dos trabalhadores pela eman-cipação de sua classe internacionalmente, que defende uma concepção material de democracia socialista, revolucionária, de baixo para cima feita, vivida e instaurada cotidianamente pelos de baixo, isto é, que não se restrinja à democracia capitalista liberal, sua liberdade formal e seus direitos abstratos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Progressismo ou anticapitalismo?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O &lt;strong&gt;#Eblog&lt;/strong&gt; não se propõe ser uma associação orgânica de “blogueir@s de oposição ao governo” (embora conosco possam atuar opositores/as de esquerda ao atual governo), ou uma associação jornalística extraoficial, mas um agrupamento de lutadores e lutadoras que, reunid@s numa frente de lutas comuns, pretende ocupar e resistir no caminho abandonado por forças outrora de esquerda.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A atual guinada liberal-conservadora do Governo Dilma, sob o argumento da “correlação de forças”, está acometendo parte da blogosfera que se coloca no campo de esquerda, e que, recentemente, assumiu para si o adjetivo “progressista”. Não negamos o fato de que a política também se faz no jogo de forças entre as classes sociais, na chamada “correlação de forças”, mas é preciso reconhecer o momento em que essa expressão se torna um &lt;i&gt;argumento universal&lt;/i&gt; para se responder a qualquer questionamento e se esquivar de todas as críticas políticas. É preciso construir projetos políticos capazes de ir além da consolidação de burocracias e aparelhos, que acabam ficando pra trás do movimento das forças sociais vivas de resistência e luta em geral.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Propomos, pois, lutar por alternativas a essas práticas políticas, colocando-nos sempre à disposição de ações de luta unificadas em favor de bandeiras políticas emancipatórias em comum que vão para além da defesa deste ou daquele governo, este ou aquele partido, e sim de emancipações inadiáveis e urgentes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Pontes e limites&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não abrimos mão da impaciência e do combate a atual conciliação/colaboração de classes da qual é cúmplice e conivente uma maioria dos que se dizem progressistas, que, por sua vez, instauram o silêncio sobre questões essenciais em nome de um pragmatismo que já perdeu toda razão de ser. Sem perder o senso prático, questionamos: qual a correlação de forças que justifica o ataque à reputação d@s blogueir@s que se propõem defender as causas emancipa-tórias de esquerda, às quais os “progressistas” sistematica-mente e sintomaticamente se omitem e se calam, desviando o assunto e por vezes desqualificando debatedores/as?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;As pontes tem limites, não aguentam todas as intempéries e hoje estão em obras, sem data para terminar e com orçamentos sigilosos. O macartismo, o senso de &lt;i&gt;ombudsman &lt;/i&gt;em defesa do Governo Dilma ou de Lula não é à toa, não é pessoal, não é só dos “blogueiros progressistas”: é comum em qualquer discussão com a maioria d@s apoiadores/as do atual governo. Infelizmente, isso não ocorre de modo isolado, pois tornou-se tática constante.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A coordenação dos autoproclamados “blogueiros progres-sistas” vem praticando um jornalismo tão vertical que até a forma de reagir às críticas tem seguido um corporativismo que remete às práticas da grande imprensa oligárquica. Telefonam uns para os outros e vão coordenando ataques de descrédito: deslegitimar a fonte, desviar a questão política para verdade/mentira, estabelecer o “fato” e a “verdade” como resultado de uma técnica específica, de certo efeito de discurso jornalístico. A campanha empreendida por alguns líderes do BlogProg contra Idelber Avelar, logo após o processo eleitoral de 2010, foi sintomática e exemplar nesse sentido, acabando por reproduzir o típico denuncismo da mídia oligarca sobre o “mensalão” - que, aliás, os mesmos “progressistas” criticam! A reação corporativista dos jornalistas do BlogProg às críticas políticas parece-nos entrar no mesmo &lt;i&gt;modus operandi &lt;/i&gt;da grande imprensa - que dizem combater, chamando-os de “Partido da imprensa Golpista - PIG” em função de constantes ataques, fruto do ódio de classe elitista, contra Lula e o Partido dos Trabalhadores, ou seja, agindo como verdadeiro “Partido da Imprensa Favorável - PIF”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Dentre muit@s que participam dos Encontros dos Blogueiros Progressistas na esperança de construir uma alternativa, sabemos que nem tod@s adotam este posicionamento, mas entendemos também que acabam, de um modo ou outro, alinhad@s e/ou coniventes com as orientações políticas hegemônicas de sua direção. Para alguns destes “blogueiros progressistas” as dissidências e/ou a oposição de esquerda frente a linha política hegemônica (simpática ao atual governo) são tratadas como “esquerda que a direita gosta”, “psolismo”, “jogo da direita” ou “ultraesquerdismo”. Inclusive, alguns dos participantes das listas de discussão dos “progressistas” ou mesmo pelo Twitter, tratam a suas próprias dissidências com sufocamento por meio de ataques virulentos e desqualificadores.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Na realidade, percebemos que os “blogueiros progressistas” não constituem uma alternativa efetiva, mas uma mera luta de hegemonia contra a grande imprensa oligarca, enquanto proclamam ser os principais porta-vozes da democracia midiática. Esta luta acaba por cair em um maniqueísmo que em nada colabora politicamente, pelo contrário: tornam rasas as análises e, consequentemente, adotam posições políticas de apoio cada vez mais acríticas, cegas e fanáticas, sempre defendendo o legado de governos e pessoas, e não as bandeiras e programas socialistas. Assim, visam tornarem-se as principais referências políticas na blogosfera brasileira. Estas práticas tem levado muitos “blogueiros progressistas” a prestarem-se ao papel de correia de transmissão das políticas da máquina partidária do atual governo, diga-se, a mais bem acabada e incorporada à institucionalidade da democracia liberal de nosso país. Portanto, parece-nos que o sonho destes blogueiros tem sido tornarem-se uma “grande imprensa”, com um público enorme, com plateia de milhares e milhares, ao invés de radicalizar a democracia na produção midiática em sua cauda longa, ou seja, na práxis cotidiana, multitudinária e concreta das lutas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Estamos falando de um grupo de blogueiros que vem tentando construir uma certa hegemonia na blogosfera, tentando torná-la politicamente uniforme no apoio ao atual governo e adjetivando-a enquanto “militância progressista” e, por fim, ligando-a de forma indelével às políticas liberais-conservadoras deste novo petismo que vai se consolidando no e por meio do governo, que já não possui qualquer tintura de esquerda, e, por vezes pior, está ligado a um governismo pragmático que historicamente faz política de mãos dadas com a direita oligárquica e rentista.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Contestamos, pois, esta prática de considerarem-se como “a blogosfera progressista” e não como parte de uma blogosfera política muito mais antiga, ampla, diversa e de rico potencial emancipatório.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tendo em vista estas reflexões críticas, propomo-nos a lutar para criar e fomentar alternativas a este tipo de prática na blogosfera, colocando-nos sempre à disposição de ações unificadas em favor de bandeiras comuns que vão para além da defesa deste ou daquele governo, este ou aquele partido.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Governo Progressista?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Somente nos primeiros seis meses do Governo Dilma, o povo brasileiro foi derrotado sucessivas vezes, a começar pelas nomeações de liberais e conservadores para os ministérios. Entre os exemplos mais gritantes, evidenciamos a posição do governo e sua “base aliada”: em defesa do salário mínimo de R$ 545,00 aprovado enquanto aprovaram salários de R$ 26.723,13 para os parlamentares; a nãoaprovação do Projeto de Lei 122 e o kit antihomofobia (em nome da “governabilidade” da “governabilidade” com a bancada reacionária dos evangélicos, que integram a “Base Aliada”); o imobilismo em favor de um projeto de reforma agrária; a aprovação do Código (des)Florestal para favorecer a expansão das fronteiras do agronegócio exportador; a privatização de vários dos principais aeroportos do país; a conivência e defesa da manutenção de um grande retrocesso na pauta cultural; se colocando contra a liberdade na rede e o compartilhamento livre; respondendo processos na Organização dos Estados Americanos - OEA por violações dos direitos humanos (em função da criminosa anistia aos torturadores ao caso de Araguaia); e, principalmente, a repressão aos povos indígenas do Xingu com a finalidade de construir a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, que favorecerá as oligarquias e a instalação de grandes transnacionais eletrointensivas na região.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Este é um governo cujo Ministro da Defesa atua diariamente contra os interesses nacionais, agindo como cúmplice dos EUA e parceiro de Israel, chegando ao ponto de anunciar ter “perdido” os documentos militares sobre a repressão da ditadura militar brasileira. Um governo que atropela os interesses populares ao continuar impondo a criminosa transposição das águas do rio São Francisco ignorando o diálogo com as populações atingidas, os impactos socioambientais envolvidos e as alternativas de convivência com o semiárido proposta pelo povo e sociedade civil organizada.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Este é um governo que atua lado a lado com o grande capital e as oligarquias em detrimento dos interesses da população, garantindo grandes volumes de verba às “UniEsquinas” sem qualquer garantia de qualidade no ensino (ao mesmo tempo em que não realiza qualquer investimento significativo em educação básica) ou às empresas de telecomunicação com um PNBL (Plano Nacional de Banda Larga, hoje apelidado de Plano Neoliberal de Banda Lerda) risível, que não garante qualidade ou velocidade e, pior, ainda impõe um limite absurdo aos dados durante a navegação. Além de financiar com dinheiro público, via BNDES, quase todos os megaempreendimentos privados e socioambientalmente impactantes das indústrias de papel e celulose, das eletrointensivas e das empresas do agronegócio, entre outros.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Este é um governo que se diz preocupado com os direitos humanos e que quer ser potência global, mas atua de modo imperialista em defesa dos interesses de seu capital monopolista nacional, com as empreiteiras, Petrobras, Vale, enquanto renuncia à política soberana e ativa, que Celso Amorim conquistou em termos de política externa, por uma aproximação torpe com os EUA - com direito a presos políticos na visita de Obama à cidade do Rio de Janeiro para silenciar a voz crítica da população. Que diz que irá priorizar a educação mas continua reduzindo o  orçamento já estrangulado, assim como faz com a saúde, enquanto o bolsa rentista semanalmente paga um programa bolsa família em dinheiro para os credores da dívida interna.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Este é o governo que atua com desenvoltura na condução, em parceria com governos estaduais e municipais, de uma política danosa para as populações atingidas pelos mega eventos esportivos&lt;a href="http://defensoriapopular.wordpress.com/2011/06/04/que-vergonha/"&gt;.&lt;/a&gt; As remoções no Rio de Janeiro são exemplo da implementação de um modelo de política urbana que despreza o direito à cidade e atende a uma lógica privatizante &lt;a href="http://tranversaldotempo.blogspot.com/2010/10/as-upps-e-cidade-de-pereira-passos.html"&gt;q&lt;/a&gt;ualificada como radicalmente danosa pelo Ministério Público Federal. Exemplo disso é a cessão ao estado e ao município do Rio de Janeiro de imóveis públicos federais para repasse à iniciativa privada. Esta cessão não é para a criação de projetos de moradia, mas para uma “revitalização” da área Portuária que será cedida a um consórcio privado, atendendo às necessidades do mercado imobiliário especulativo. Este tipo de ação não é restrita ao estado e município do Rio de Janeiro, pois acontece com igual gravidade, por exemplo, em Fortaleza cuja prefeitura do PT utiliza os mesmos métodos adotados por Eduardo Paes (PMDB). Em várias cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, está em curso um violento processo de remoção, inclusive comandados por governos de “esquerda” que em nada se diferem de administrações tucanas que em São Paulo, por exemplo, agem violentamente contra  moradores/as amedrontados/as pelas remoções em Itaquera, onde a favela do Metrô também é alvo desta política vil. Em quase todas as cidades que sediarão a Copa do Mundo, populações vulnerabilizadas tem sofrido com remoções forçadas que desrespeitam sua história e os laços criados com seus territórios de vida.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Estes crimes são cometidos em nome de uma “imagem” do país no exterior, de um modelo de desenvolvimento que despreza tudo e tod@s em prol de números favoráveis para a propaganda governamental e eleitoral, ignorando inclusive acordos internacionais firmados com relação aos direitos humanos e ao meio ambiente. O resultado é o agravamento dos problemas socioambientais e o desrespeito às populações atingidas pelo avanço impiedoso de uma máquina que premia o capital e marginaliza a população que sofre com o processo de criminalização da pobreza por meio do avanço das forças de repressão travestidas de política de segurança, mas que trazem no fundo um terrível sentido de manutenção de uma vigilância feroz ao que foge do sonho de consumo das elites.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;O que queremos e pelo que vamos lutar&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não é este o “desenvolvimento social” e o “crescimento econômico” que a esquerda anticapitalista precisa reivindicar, e sim alternativas com base nas experiências e lutas populares que contemplem a reivindicação intransigente da reforma agrária, da democratização da comunicação, da justiça ambiental, da abertura dos arquivos da ditadura e da redução de jornada de trabalho, de uma sociedade mais justa e com plenos direitos para seu povo. As bandeiras devem progredir, não a paciência, pois só se avança resistindo e lutando.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Lutamos pela democratização da comunicação e da cultura, pela possibilidade de ampliação dos meios de vivência e produção midiática, por universidades públicas para tod@s, gratuita e de qualidade, bem como uma Educação básica que possa ser pilar para novas gerações, com salários dignos a noss@s professores/as; assim como também lutamos pela saúde pública de nosso povo, pelo direito a um meio ambiente produtivo e saudável, pela igualdade de raça, gênero e etnia. Para avançar em tudo isto, defendemos a auditoria cidadã das dívidas da União para viabilizar estes recursos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Lutamos pela verdade das lutas, pela abertura irrestrita dos arquivos da ditadura militar e justiça como reparação às vítimas e à verdade sobre quem participou e corroborou com este regime, direta ou indiretamente, e, claro, todos os métodos autoritários, tão comuns no Brasil inclusive antes e depois dos anos de chumbo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Lutamos para que se coloquem em marcha processos de empoderamento d@s sem-voz, d@s sem terra, d@s sem renda, d@s sem teto, d@s sem universidade, d@s sem internet, d@s despossuíd@s, d@s sem acesso à cultura, d@s sem educação de qualidade, e, principalmente, daqueles e daquelas sem a possibilidade de viver e produzir dignamente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O &lt;strong&gt;#Eblog&lt;/strong&gt; convida tod@s que se identificam com estas lutas a se unirem conosco para organizar diversas blogagens coletivas, campanhas, encontros, oficinas, discussões, cobertura e divulgação de lutas. É hora de nos organizarmos e avançarmos com as lutas históricas sem esperar que governos e partidos o façam por nós.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A partir do Eblog, defendemos a &lt;b&gt;DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO &lt;/b&gt;como princípio, o que significa dizer que lutamos por: &lt;b&gt;a)&lt;/b&gt; Um &lt;b&gt;Plano Nacional de Banda Larga&lt;/b&gt; que universalize o acesso oferecendo internet de alta velocidade em regime público; &lt;b&gt;b&lt;/b&gt;) A luta pela aprovação do &lt;b&gt;Marco Civil da Internet &lt;/b&gt;que endosse a liberdade civil na rede; &lt;b&gt;c&lt;/b&gt;) Um novo &lt;b&gt;Marco Regulatório dos Meios de Comunicação&lt;/b&gt; (“&lt;i&gt;Ley de Medios&lt;/i&gt;”) que ponha fim nos monopólios e oligopólios da comunicação brasileira. Paralelo a isso, estamos atent@s e somos combatentes nas lutas: &lt;b&gt;d) &lt;/b&gt;pelo fortalecimento do&lt;b&gt; Estado laico&lt;/b&gt;; &lt;b&gt;e)&lt;/b&gt; pelo fim do machismo e do patriarcado com o &lt;b&gt;fim da violência contra as mulheres e pela descriminalização do aborto&lt;/b&gt;; &lt;b&gt;f)&lt;/b&gt; &lt;b&gt;contra o racismo&lt;/b&gt;; &lt;b&gt;g)&lt;/b&gt; &lt;b&gt;contra a homofobia e pela aprovação do PLC 122 sem nenhuma alteração que privilegie os interesses de grupos religiosos&lt;/b&gt;; &lt;b&gt;h)&lt;/b&gt; &lt;b&gt;contra todas as formas de discriminação&lt;/b&gt;; &lt;b&gt;i)&lt;/b&gt; pela &lt;b&gt;abertura dos arquivos da ditadura militar &lt;/b&gt;e&lt;b&gt; &lt;/b&gt;pela&lt;b&gt; punição legal dos torturadores e cumprimento das decisões da Corte Interamericana de direitos Humanos (CIDH)&lt;/b&gt;; &lt;b&gt;j)&lt;/b&gt; pela &lt;b&gt;justiça socioambiental e contra Belo Monte&lt;/b&gt;; &lt;b&gt;l)&lt;/b&gt; &lt;b&gt;contra a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais&lt;/b&gt;; &lt;b&gt;m)&lt;/b&gt; por uma &lt;b&gt;reforma agrária ampla e popular&lt;/b&gt;; &lt;b&gt;n)&lt;/b&gt; &lt;b&gt;contra &lt;/b&gt;toda e qualquer forma de &lt;b&gt;censura&lt;/b&gt;, na Internet ou fora dela;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para não ficarmos apenas elencando lutas, estamos propondo uma &lt;b&gt;blogagem coletiva pela DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO&lt;/b&gt; (que incluem os itens “&lt;b&gt;a”&lt;/b&gt;, “&lt;b&gt;b”&lt;/b&gt; e “&lt;b&gt;c” &lt;/b&gt;das nossas lutas/bandeiras) para JÁ, &lt;b&gt;de 7 a 10 de Julho de 2011. &lt;/b&gt;Está na hora de tod@s arregaçarmos as mangas - blogueir@s progressistas, de esquerda, nerds, independentes, músic@s, escritores/as, jornalistas etc. - e somarmos esforços em torno das lutas que nos unificam.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Escreva seu texto pela democratização da comunicação &lt;/b&gt;e divulgue nas redes com a &lt;i&gt;hashtag &lt;/i&gt;&lt;b&gt;#DemoCom &lt;/b&gt;e não esqueça de “taguear” a postagem também como “blogagem coletiva pela democratização da comunicação” e “democom” entre os dias &lt;b&gt;7&lt;/b&gt; &lt;b&gt;e 10 de Julho&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Se você concorda &lt;/b&gt;com nossos princípios (ou com a maioria deles), pode &lt;b&gt;aderir e assinar &lt;/b&gt;esta nota &lt;b&gt;publicando-a &lt;/b&gt;em seu &lt;b&gt;blog &lt;/b&gt;e incluindo sua &lt;b&gt;assinatura &lt;/b&gt;ao final. Temos identidade e temos lado, mas não queremos ficar restritos a guetos e nem apenas organizando encontros. &lt;b&gt;Ousemos lutar&lt;/b&gt;!&lt;/p&gt;Eblogs que assinam este documento:  &lt;p&gt;Alexandre Haubrich - &lt;a href="http://www.jornalismob.wordpress.com/" rel="nofollow" target="_blank"&gt;www.jornalismob.wordpress.com&lt;/a&gt; - Jornalismo B&lt;/p&gt; &lt;p dir="ltr"&gt;Amanda Vieira - &lt;a target="_blank" href="http://amanditas.wordpress.com/"&gt;http://amanditas.wordpress.com/&lt;/a&gt; - Nós&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Bárbara de Castro Dias – &lt;a href="http://eacritica.wordpress.com/" target="_blank"&gt;http://eacritica.wordpress.com &lt;/a&gt;- Educação Ambiental Crítica&lt;/p&gt; &lt;p dir="ltr"&gt;Bruno Cava - &lt;a href="http://www.quadradodosloucos.com.br/"&gt;http;//www.quadradodosloucos.com.br&lt;/a&gt; - Quadrado dos LOucos&lt;/p&gt; &lt;p dir="ltr"&gt;Danilo Marques - &lt;a href="http://www.dandi.blogspot.com/"&gt;http://www.dandi.blogspot.com&lt;/a&gt; - Inferno de Dandi&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Israel Sassá Tupinambá - &lt;a target="_blank" href="http://uniaocampocidadeefloresta.wordpress.com/"&gt;http://uniaocampocidadeefloresta.wordpress.com&lt;/a&gt; - Uniao Campo Cidade e Floresta&lt;/p&gt; &lt;p dir="ltr"&gt;Gilson Moura Jr. - &lt;a target="_blank" href="http://tranversaldotempo.blogspot.com/"&gt;http://tranversaldotempo.blogspot.com/&lt;/a&gt;- Transversal do Tempo&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Givanildo Manoel - &lt;a href="http://infanciaurgente.blogspot.com/"&gt;http://infancia&lt;wbr&gt;urgente.blogspo&lt;wbr&gt;t.com&lt;/a&gt; - Infância Urgente!!!&lt;/p&gt; &lt;p dir="ltr"&gt;Lucas Morais - &lt;a href="http://www.diarioliberdade.org/"&gt;http://www.diarioliberdade.org&lt;/a&gt; - &lt;strong&gt;&lt;a target="_blank" href="http://diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&amp;amp;view=category&amp;amp;id=275:critica-radical&amp;amp;layout=blog&amp;amp;Itemid=21"&gt;Crítica Radical&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Luciano Egidio Palagano - &lt;a href="http://razaoaconta-gotas.blogspot.com/" rel="nofollow" target="_blank"&gt;http://razaoaconta-gotas.b&lt;wbr&gt;logspot.com/&lt;/a&gt; - Razão à Conta-Gotas!&lt;/p&gt; &lt;p dir="ltr"&gt;Luka - &lt;a href="http://www.bdbrasil.org/"&gt;http:www.bdbrasil.org&lt;/a&gt; - Bidê Brasil / &lt;strong&gt;&lt;a target="_blank" href="http://diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&amp;amp;view=category&amp;amp;id=315:a-segunda-luta&amp;amp;layout=blog&amp;amp;Itemid=21"&gt;A segunda luta&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mario Marsillac Lapolli e Sturt Silva - &lt;a href="http://ousarlutar.blogspot.com/" rel="nofollow" target="_blank"&gt;http://ousarlutar.blogspot.&lt;wbr&gt;com/ &lt;/a&gt;- Ousar Lutar Ousar Vencer&lt;/p&gt; &lt;p dir="ltr"&gt;Mayara Melo - &lt;a href="http://mayroses.wordpress.com/"&gt;http://mayroses.wordpress.com/&lt;/a&gt; - May Roses&lt;/p&gt; &lt;p dir="ltr"&gt;Niara de Oliveira - &lt;a href="http://pimentacomlimao.wordpress.com/"&gt;http://pimentacomlimao.wordpress.com&lt;/a&gt; - Pimenta com Limão&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Paulo Piramba - &lt;a href="http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/" rel="nofollow" target="_blank"&gt;http://ecossocialismooubar&lt;wbr&gt;barie.blogspot.com/&lt;/a&gt; - Ecossocialismo ou Barbárie&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pedro Henrique Amaral - &lt;a href="http://www.terezacomz.blogspot.com/" rel="nofollow" target="_blank"&gt;www.terezacomz.blogspot.co&lt;wbr&gt;m&lt;/a&gt; - Tereza Com Z&lt;/p&gt; &lt;p dir="ltr"&gt;Raphael Tsavkko - &lt;a href="http://www.tsavkko.com.br/"&gt;http://www.tsavkko.com.br&lt;/a&gt; - The Angry Brazilian / &lt;strong&gt;&lt;a target="_blank" href="http://diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&amp;amp;view=category&amp;amp;id=294:defenderei-a-casa-de-meu-pai&amp;amp;layout=blog&amp;amp;Itemid=21"&gt;Defendei a casa de meu pai&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Rodolfo Mohr - &lt;a href="http://rodomundo.juntos.org.br/" target="_blank"&gt;http://rodomundo.juntos.org.br/&lt;/a&gt; - Rodomundo&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Rodrigo Dugulin - &lt;a href="http://lavandoloucas.blogspot.com/" target="_blank"&gt;http://lavandoloucas.blogspot.com/&lt;/a&gt; - Lavando Louças&lt;/p&gt; &lt;p dir="ltr"&gt;Renata Lins - &lt;a target="_blank" href="http://chopinhofeminino.blogspot.com/"&gt;http://chopinhofeminino.blogspot.com/&lt;/a&gt; - Chopinho Feminino&lt;/p&gt; &lt;p dir="ltr"&gt;Sandro Ivo - &lt;a target="_blank" href="http://noticiasfragmentos.wordpress.com/"&gt;http://noticiasfragmentos.wordpress.com&lt;/a&gt; - Fragmentos Ativo Notícias&lt;/p&gt; &lt;p dir="ltr"&gt;Sérgio Domingues – &lt;a href="http://pilulas-diarias.blogspot.com/" rel="nofollow" target="_blank"&gt;http://pilulas-diarias.blogspot.com/&lt;/a&gt; – Pilulas Diárias&lt;/p&gt; &lt;p dir="ltr"&gt;Tiago Costa – &lt;a href="http://tapesinmyhead.wordpress.com/" target="_blank"&gt;http://tapesinmyhead.wordpress.com&lt;/a&gt; – Tapes in my Head&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" line-height: 24px;color:#333333;" &gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-7529466896862147114?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/7529466896862147114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=7529466896862147114' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/7529466896862147114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/7529466896862147114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2011/07/eblog-muito-mais-que-virtual.html' title='#Eblog, muito mais que virtual: anticapitalista e libertário'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-6993283104214825818</id><published>2011-06-30T04:04:00.001-07:00</published><updated>2011-06-30T04:04:59.968-07:00</updated><title type='text'>Jornalismo de tigela inteira</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;Car@s,      &lt;br /&gt;Este senhor Reinaldo Azevedo, que &amp;quot;escreve&amp;quot; na Veja, tem se notabilizado em ser o ponta-de-lança das posições mais execráveis. Desta vez ele arrumou um problemão. Foi se meter a escrever sobre o aquecimento global, evidentemente questionando a sua ligação com as mudanças climáticas. Só que arrumou um inimigo de primeira. Alexandre Costa é um cientista do clima, se ele me permitir essa simplificação de um currículo tão importante quanto o dele. Além disso, tem a estranha mania de torcer pelo Ceará, o que só comprova cientificamente que a perfeição não existe. Mas, mesmo assim é um cabra militante do PSOL de primeira linha lá no Ceará. Vale à pena dar uma olhada na sua resposta ao pobre esbirro da Veja. Quase senti pena! Falando sério, o texto do Alexandre é de extrema valia para a gente entender de forma simples, mas com conteúdo, o que raios vem a ser mesmo esse tal de aquecimento global e como ele afeta o clima. Recomendo, então que vcs dêem uma olhada no anexo.       &lt;br /&gt;Boa leitura.       &lt;br /&gt;Abração,       &lt;br /&gt;Piramba&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Alexandre Araújo Costa (*)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É lamentável que possa haver qualquer publicidade adicional para textos como os escritos pelo Sr. Reinaldo Azevedo, mas infelizmente, desta vez, ele tocou em algo que me é bastante caro: a ciência a que me dedico há 19 anos, dentre os quais se incluem um título de mestre e um de Ph.D., um estágio de pós-doutorado e algumas dezenas de publicações que incluem artigos em periódicos e em anais de eventos científicos, capítulos de livro, etc. Daí, tenho que divulgar o “link”, para que os que vierem a lerem estas linhas possam saber do que falo: &lt;a href="http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/profetas-de-meia-tigela/"&gt;http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/profetas-de-meia-tigela/&lt;/a&gt;. Neste caso, se há uma coisa me deixa menos preocupado quanto à publicidade, é saber que tais leitores meus serão poucos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É evidente que o tipo de opinião manifestada no texto que menciono presta um grande desserviço no que diz respeito a esclarecimento junto ao público leigo da questão climática, não essa questão crucial com um mínimo de seriedade e carece, evidentemente, dos padrões mínimos de honestidade intelectual. Uma digressão que devo fazer aqui é que, como cientista, tenho de estar sempre aberto a testar diferentes hipóteses e é preciso, portanto, manter-se ciente da possibilidade de que o Sr. Reinaldo Azevedo realmente acredita no que escreve ou de que simplesmente ele não se leva muito a sério e, no fundo, quer mesmo fazer pilhéria com o seu incauto leitor que acredita em tudo que ele escreve. De qualquer maneira, tenham sido eles motivados por má fé, por uma honesta ignorância ou por falta de seriedade, os erros presentes em seu texto precisam de correção.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O primeiro problema evidentemente se dá a usar o termo “Igreja”, como se a questão do aquecimento global e da mudança climática antropogênica fosse de “crença”. É obviamente uma falsificação de em que bases opera a ciência, em cujo cerne estão evidências que nos permitem formular hipóteses,construir teorias e prever o comportamento e a evolução de sistemas físicos, químicos, biológicos, etc. Não me parece haver margem para se decidir entre “crer” ou “não crer” na Gravitação Universal ou na Evolução das Espécies. Até onde sei, objetos caem e espécies se adaptam ou se extinguem a não ser que você esteja em algum rincão do Kansas. Como estas teorias (que, diferente do seu uso coloquial, em ciência significa bem mais do que uma simples hipótese), o conhecimento humano sobre o Efeito Estufa não é nenhuma novidade. Sabe-se que graças à presença de gases minoritários em nossa atmosfera (principalmente vapor d´água e gás carbônico, mas também metano, óxido nitroso etc.), a temperatura da superfície do planeta não é de gélidos -18&lt;sup&gt;o&lt;/sup&gt;C; sabe-se que devido à predominância de gás carbônico na atmosfera de Vênus, este é o planeta mais quente de nosso sistema, mesmo sendo o segundo em distância ao sol (em função da alta refletividade das nuvens que o recobrem, ele termina recebendo em sua superfície apenas 1/12 da radiação que chega em Mercúrio, o que é menos do que a radiação solar que atinge a superfície da Terra). Se há alguma crença desconectada do bom senso e digna da mais estranha fé fundamentalista é a de que aumentar a concentração de gases de efeito estufa não traga como conseqüência inevitável o aquecimento do planeta. É simples: a mesma quantidade de energia continua a chegar de fora, na forma de radiação solar, ao mesmo tempo em que menos radiação infravermelho deixa o planeta rumo ao espaço por ser retida por esses gases em nossa atmosfera. Como me parece bem mais razoável achar que nenhuma força sobrenatural faça esse saldo de energia desaparecer, ou mude num passe de mágica as propriedades físicas das moléculas de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;, acho, sim, que é preciso tomar cuidado com o que se anda expelindo por aí das termelétricas, dos motores a combustão, das queimadas... Se havia alguma dúvida sobre se as atividades humanas estariam contribuindo ou não para aquecer o planeta era baseada no fato de que também lançamos aerossóis (pequenas partículas que ficam em suspensão na atmosfera) quando se queimam combustíveis fósseis e florestas e em processos industriais. Alguns cientistas achavam que estes, ao bloquearem a radiação solar a alterar propriedades das nuvens, poderiam se contrapor ao aquecimento causado pelo aumento da concentração de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; e outros gases. Hoje, sabe-se que os efeitos dos aerossóis cancelam apenas parte do efeito estufa associado a estes últimos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Se “apenas uma teoria” (a gravidade também é “apenas uma teoria”) não bastar para gerar essas preocupações, lembro que todas as evidências observacionais (medidas de termômetros à superfície desde o século XIX e medidas de radiossondagens e estimativas de satélite mais recentemente) mostram que já existe um aumento da temperatura média do planeta (coerente com alterações no oceano e na criosfera, isto é, no gelo, em escala global). Além disso, há registros incontestáveis do passado de quando, por causas naturais e com variações bem mais lentas, a atmosfera terrestre abrigou concentrações maiores de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;, com mudanças dramáticas nos padrões de temperatura, precipitação e nível do mar. Devo só lembrar que, nos últimos 800 mil anos, a diferença na concentração de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; entre uma era glacial e os períodos quentes que se intercalaram entre elas tipicamente mal chega a 100 ppm (partes por milhão). Quando se acumulou desde o início da era industrial? 110 ppm, em rapidíssimos século e meio). Fato: o conjunto de evidências ultrapassou a fronteira do “creio que” ou “acredito que”. Eu não aconselharia os “negadores da gravidade” a saltarem de cima de arranha-céus, ainda que isso só afetasse suas próprias vidas (ou melhor, poria fim a elas). A mesma condescendência, porém, não posso ter com os negadores da mudança climática, por motivos óbvios: eles querem que todos saltemos num abismo climático desconhecido. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Outro erro crasso do texto é confundir tempo com clima, condições locais com fenômenos em escala global. Quando se fala em aquecimento global como conseqüência da elevação da concentração dos gases de efeito estufa, obviamente não se fala em aquecimento contínuo, distribuído por igual em todo o planeta, etc. A abordagem sobre o frio em São Paulo, portanto, é evidentemente equivocada, mas o texto espertamente minimiza o argumento contrário ao se fingir que ele é aceito. É pena que sequer esse argumento é original. A pior escória da imprensa americana também usou quando de nevascas recorde (“estranhamente” se calaram ante os tornados, a seca texana e as ondas de calor recentes). O problema é que um evento de tempo é algo eminentemente passageiro e quando se fala em clima, fala-se de tendências de longo prazo, com variações e flutuações. Gosto de usar um exemplo mais elementar que é o lançamento de um dado. Ao se lançar um dado comum, não se sabe, a priori, que número aparecerá, entre 1 e 6. Isso é o tempo. Mas experimente lançá-lo 100, 1000 vezes. Aposto que a média dá próximo a 3,5. Isso é o clima. É por isso que, mesmo que a previsão de tempo fosse muito ruim (o que definitivamente não é verdade pelo menos para um horizonte de poucos dias), pode-se, sim, fazer projeções sobre o comportamento do sistema climático a longo prazo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para manter a analogia com o jogo de dados, o que a mudança na concentração de gases de efeito estufa faz é “viciar o dado do clima”. Pode-se “viciar” um dado, colocando um pequeno peso colado a uma das faces, que tenderá a ficar para baixo mais vezes do que num dado normal. Se isso for feito com a face com o número 1, o número 6 se tornará mais provável e, com isso, a média irá, digamos para 3,7 ou 3,9 ou 4,2, a depender do peso que foi colado... Para um pesinho que não seja muito grande, não significa que números 1 deixem de ocorrer. Apenas se tornam mais raros, como dias muito frios já se tornaram raros nas últimas décadas em diversas partes do mundo. Os próprios exemplos citados pelo Sr. Reinaldo Azevedo servem de contra-argumento ao que ele expõe, bastando examiná-los com mais cuidado, desde o registro de Campos do Jordão (cuja mínima anterior aconteceu em 1998, justamente um dos três anos mais quentes desde 1880, empatado tecnicamente com 2005 e 2010), até o de São Paulo, que precisa ser comparado com uma série bem mais longa do que de 2003 para cá. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Daí, quer fazer um trabalho sério, Sr. Reinaldo Azevedo? Levante a estatística do número de dias com mínima abaixo de 7&lt;sup&gt;o&lt;/sup&gt;C em São Paulo ao longo das décadas de dados disponíveis ou o do número de dias com temperatura abaixo de zero em Campos do Jordão. Calcule a evolução da temperatura média nesses mesmos lugares e repita a estatística anterior dessa vez para dias quentes. Faça o mesmo para outras estações de superfície da América do Sul. Claro, isso já foi feito e refeito diversas vezes, com vários bancos de dados, para várias regiões do planeta e para o globo todo. Esses estudos, com outros que se debruçaram em outras fontes de dados, em registros paleoclimáticos, no desenvolvimento e uso de modelos climáticos, etc., é que compõem a enorme quantidade de evidência de que o planeta está aquecendo e que, sim, nossas emissões de gases de efeito estufa são os responsáveis por isso. Isso se chama ciência, que é um livro aberto, baseado em resultados que podem ser analisados, contestados e reproduzidos; que, por isso mesmo, está em constante atualização e correção. Dos edifícios mentais humanos é o mais rico, mais sólido, mais elegante e, como mostrarei, mais útil.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Há um grande desserviço prestado, portanto, pelo texto pueril, superficial e grosseiro do Sr. Reinaldo Azevedo, que é o de desacreditar a ciência, começando pela ciência do clima, mas, ao rebaixar as previsões feita com embasamento científico para o nível de “profecias”, atacando, na verdade, a ciência em geral. Ingratidão pura, pois a ciência, aliás, é que deu origem à tecnologia simples que permite que ele disponha de um aquecedor para os dias frios deste inverno paulista e de um ar condicionado para os dias de calor dos quais, estranhamente, ele parece não lembrar, mas que voltarão, para “desrefrescar-lhe” a memória. A ciência também permitiu por aviões para voar (o que permitiria que ele escapasse do frio para vir se aquecer em latitudes mais próximas à linha do equador, como o local de onde escrevo) e está por trás dos “chips” de silício onde ficam hoje registradas as besteiras escritas pelo Sr. Reinaldo Azevedo e por todos nós e que também permitem a difusão das mesmas. A ciência provavelmente impediu que o “articulista” não tenha morrido de uma infecção ridícula para os padrões de hoje ao ter, um dia, levado à descoberta, síntese e, claro, uso de antibióticos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Claro que também não gostei, pessoalmente, de ser comparado a um “profeta”, logo eu, ateu,racional e cético. No entanto , ainda que, de fato, aquilo que faço fosse “profecia” (de qualquer que fosse a fração de tigela), me restaria o consolo de saber que há coisa pior: que há alguns que vivem de algo que chegam a chamar de jornalismo, ou “articulismo”, mas que mesmo, não atingindo o mais reles padrão de “panfletarismo”, parecem ser capazes de agradar a algum desejo primitivo subjacente (e que garantem público ao “jogarem para a galera”) e/ou, mais ainda, agradarem a algum interesse da selvageria contemporânea explícita (aquela que garante financiamento). Esses acham ter, como o Sr. Reinaldo Azevedo, uma tigela inteira, mas parecem ter pouca preocupação para com o conteúdo que usam para preenchê-la.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;(*) Professor Titular da UECE; Ph.D. em Ciências Atmosféricas pela Colorado State University, com estágio de pós-doutorado na Yale University; Bolsista de Produtividade do CNPq, nível 2; integrante do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC).&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-6993283104214825818?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/6993283104214825818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=6993283104214825818' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/6993283104214825818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/6993283104214825818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2011/06/jornalismo-de-tigela-inteira.html' title='Jornalismo de tigela inteira'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-9118664141075992639</id><published>2011-06-28T07:41:00.001-07:00</published><updated>2011-06-28T07:41:00.148-07:00</updated><title type='text'>Pensem na Rosa de Fukushima</title><content type='html'>&lt;p&gt;“Rosa de Hiroshima” é um poema de Vinicius de Moraes. Faz referência ao lançamento feito pelos Estados Unidos, durante a 2ª Guerra Mundial, de duas bombas nucleares no Japão, em Hiroshima e Nagasaki.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Lembrei dele após o terrível terremoto seguido por tsunami que devastou o Japão em 11 de março, e que teve como decorrência um grande acidente nuclear na usina de Fukushima.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mesmo que o governo japonês tenha tentado minimizar os efeitos do desastre, ficou claro que este acidente é comparável ao acontecido em Chernobyl, na Ucrânia, em abril de 1986.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Naquela ocasião, o governo soviético também tentou esconder as dimensões do acidente. Centenas de trabalhadores morreram nos dias imediatos a ela, e até hoje milhares de vítimas de câncer ainda são contabilizadas em toda a Europa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O acidente em Fukushima traz de volta a discussão sobre o uso “pacífico” da energia nuclear. O cientista Sadao Ichikawa afirma que “não existe uso pacífico da energia nuclear, há apenas uso perigoso”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;De fato, desde a mineração do combustível, o urânio, passando pela sua operação, até o armazenamento dos resíduos, todo o ciclo da produção de energia nuclear é carimbado pela palavra “PERIGO”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A este risco junta-se o fato de que alguns dos resíduos produzidos continuam ativos e perigosos por dezenas de milhares de anos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Há quem diga que o Japão foi obrigado a usar a energia nuclear, já que não dispõe de alternativas que gerem energia suficiente para sustentar seu modo de vida. Há quem diga também que a energia nuclear é mais limpa, por exemplo, do que a gerada por termelétricas alimentadas por carvão ou óleo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O mito da energia nuclear “limpa” não se sustenta quando um desastre dessa proporção acontece. Por outro lado, o próprio modelo de desenvolvimento do Japão, baseado no alto consumo de bugigangas eletrônicas, vorazes consumidoras de energia, deve ser também questionado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A cerca de 150 km do Rio de Janeiro estão instaladas e funcionando duas usinas nucleares em Angra dos Reis. Uma terceira está em processo de construção. Os defensores da energia nuclear argumentam que no Brasil não existem terremotos, nem tsunamis, como se fossem estes os únicos desastres naturais capazes de criar acidentes como o de Fukushima.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Angra é uma área de chuvas fortes e de deslizamentos. As usinas de Angra foram construídas numa restinga chamada de Itaorna, que significa pedra podre em tupi-guarani, idioma dos antigos habitantes da região.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Depois do que aconteceu no Japão, houve uma análise das condições de evacuação da área em torno das usinas, e a principal rota de fuga, a Rio-Santos, frequentemente interditada, se mostrou insuficiente. O treinamento de evacuação alcança um percentual muito pequeno da população, e os mecanismos de alerta são precários.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Existe necessidade para que corramos, aqui no Brasil, este enorme risco? Uma pergunta necessária, já que o governo federal anuncia a construção de mais usinas nucleares.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;NÃO! O Brasil tem alternativas suficientes para geração de energia, muito mais limpas e seguras. Somos um país solar, com um regime de ventos que permite pensar em uma auto-suficiência por muito tempo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Espanha já gera energia eólica capaz de abastecer seu vizinho, Portugal. A Alemanha, um país muito menos solar do que o Brasil investe muito na energia solar, e hoje já produz mais do que Itaipu.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A energia nuclear foi trazida para o Brasil durante a ditadura militar, quando a sociedade não pode se manifestar. Junto com ela, o delírio da bomba nuclear brasileira. Hoje mesmo, se planeja um estaleiro em Sepetiba, para a construção de submarinos nucleares.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vivemos um período onde o povo brasileiro pode e deve rediscutir se quer viver em permanente ameaça nuclear, ou se prefere optar por matrizes energéticas mais limpas e seguras. Cabe a todos nós exigir que essa decisão sobre nosso futuro seja feita nós, democraticamente e com todas as informações a nossa disposição.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-9118664141075992639?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/9118664141075992639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=9118664141075992639' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/9118664141075992639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/9118664141075992639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2011/06/pensem-na-rosa-de-fukushima.html' title='Pensem na Rosa de Fukushima'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-6978399279859543972</id><published>2011-05-28T07:28:00.001-07:00</published><updated>2011-05-28T07:29:26.074-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Codigo Florestal'/><title type='text'>Reflexões sobre a votação do novo Código Florestal</title><content type='html'>&lt;p&gt;Passada a votação na Câmara, que resultou na aprovação do relatório do deputado Aldo Rebelo, mais conhecido nas redes sociais como AldoNegócio, convém dar um chute na frustração e na vontade de desistir, e tentar analisar o que aconteceu. Até porque, a luta ainda não terminou!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sem preocupação em escrever uma avaliação de fundo, mais completa, já que ainda não consegui construir o afastamento necessário para tanto, gostaria de dividir com vocês algumas reflexões produzidas “a quente”, no meio da tormenta que foi aquela fatídica terça-feira.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quem votou o novo Código?&lt;/strong&gt; Apesar do crescimento de sua bancada, e de sua organização, os ruralistas não são os únicos responsáveis. Os 410 votos juntam à bancada ruralistas, os fundamentalistas religiosos, a bancada das empreiteiras, os oportunistas do chamado Partido QueroMeu, uma parte do que se convencionou chamar esquerda, além do baixo-clero.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Qual foi o papel do governo Dilma?&lt;/strong&gt; Pode-se dizer que a presidente Dilma repetiu a candidata. Ao menor sinal de perigo, abriu mão de seu discurso, para atender às chantagens da direita. Ao mesmo tempo, continua falando grosso com os movimentos sociais. Se na campanha, mulheres e LGBTTs foram para o sacrifício, agora a natureza e novamente os LGBTTs foram os imolados. Porém, é importante deixar claro que o perfil desenvolvimentista de Dilma é muito pouco preocupado com o meio ambiente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Qual a relação do governo com sua base aliada?&lt;/strong&gt; Na verdade, ficou claro que não é o governo Dilma que tem uma base aliada, mas, sim, a base aliada que tem (como permanente refém) o governo Dilma. Esta base de apoio ao governo, construída em cima de acordos de ocasião e barganha de cargos, que tenta costurar partidos heterogêneos e sem identidade ideológica, vai ser sempre um problema para os governos do petismo. Lula tentou resolver parte deles, usando a fisiologismo do Mensalão. Dilma vai permanecer em permanente cativeiro, apenas com a troca dos carcereiros.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;AldoNegócio e o seu ex-PCdoB se tornaram ruralistas?&lt;/strong&gt; Durante todo o processo de votação do Código, várias vezes eu mesmo e outr@s companheiros fizemos uma ligação direta entre o apoio decidido de Aldo aos interesses ruralistas e o financiamento destes à sua campanha. Isto é real e deve ser denunciado como mais uma prova da privatização do modelo de representação política hoje existente no Brasil. Mas é necessário reconhecer que o principal neste episódio é o alinhamento histórico dos comunistas do PCdoB ao produtivismo e ao desenvolvimentismo. AldoNegócio, para contestar os argumentos de ambientalistas e cientistas, várias vezes colocou em dúvida os cientistas do IPCC e a idéia de um aquecimento global provocado pela ação do homem, ou melhor, pela ação do capitalismo sobre a natureza. Neste contexto, as florestas são realmente um entrave para o modelo de desenvolvimento que ele e seu partido defendem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;E como foi o comportamento geral da esquerda, com ou sem aspas?&lt;/strong&gt; O PSTU e o PCB, seja por declarações ou, mesmo, pelo conteúdo de seus sites, praticamente ignoraram a votação. Este comportamento é bastante coerente com o pouco destaque que as questões ambientais tem na esquerda mais ortodoxa, que ainda as encara como uma questão, no limite, tática. O ranço de posições construídas em outro momentos históricos, e a teimosia em não copnsiderar o marxismo uma coisa viva, em permanente evolução, faz com que estes partidos, e boa parte da esquerda, simplesmente se coloque fora da grande contradição do capital neste começo de século. Quanto à chamada “esquerda petista”, mais uma vez se viu às voltas como suas próprias contradições, de fazer parte de um partido cuja atuação como governo ela deveria combater. Parte dela votou contra o Código, o que não deixou de ser importante.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;O racha no PT na votação é positivo, ou apenas mais do mesmo?&lt;/strong&gt; O fato de vári@s deputad@s do PT terem votado contra o Código reabriu a eterna discussão sobre se o PT, ou pelo menos alguns de seus filiados, ainda está em disputa. Se fosse essa a primeira “rebelião” no interior do partido, ainda manteria algum otimismo. Mas a experiência do lulo-petismo tem mostrado que, no frigir dos ovos, ou melhor dizendo, no queimar das florestas, estes rebeldes precoces tendem a interromper estes acessos de rebeldia, em prol da governabilidade, das tais “conquistas”, ou simplismente pelo conforto de estarem no útero confortável da nave-mãe PT.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;O PSOL finalmente pode ser considerado um partido ecossocialista?&lt;/strong&gt; Ainda não. É inegável que nestes últimos anos, por conta da insistência d@s ecossocialistas do PSOL, e pela agudização das questões socioambientais, o partido vem, pouco a pouco, assumindo estas lutas como prioritárias dentro da luta anticapitalista. Nesse sentido, o papel do deputado Ivan Valente, e da bancada do PSOL como um todo, é fundamental. Importante também destacar a criação do Setorial Ecossocialista do partido. Porém, ainda falta subir alguns degraus para que a contradição entre o capital e a natureza seja vista como estratégica pelo PSOL como um todo. Ainda persiste, no interior do partido, uma visão produtivista – ainda que mais crítica e menos entusiasmada – fiel à ilusão, cada vez mais desmentida pelos fatos, de um progresso ilimitado. De qualquer forma, o desempenho do PSOL tem sido excelente!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Como Marina Silva e o PV se comportaram?&lt;/strong&gt; Junto com o PSOL, foram as vozes destoantes na Câmara, e centro da resistência à motoserra. Embora tanto Marina, quanto o PV, esbarrem nos limites que eles mesmo construíram, no combate à degradação socioambiental, ao não questionarem a respónsabilidade do capitalismo neste processo, ficou demostrada a possibilidade de alianças pontuiais com eles, em torno de demandas ambientais, desde que fiquem claros estes limites. Cabe a nós, ecossocialistas, através do nosso discurso e ação, mostrar aos setores da sociedade preocupados com o meio ambiente, a incapacidade de uma luta mais efetiva contra a barbárie socioambiental, sem que se questione o próprio modelo capitalista.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;O movimento ambientalista respondeu a este ataque. à altura?&lt;/strong&gt; Não. Mesmo que a discussão sobre as mudanças no Código Florestal tenham demorado a ter destaque na mídia, é forçoso reconhecer que faltou mobilização da sociedade contra elas. Esta constatação, mesmo levando-se em conta a desmobilização da sociedade, leva a uma avaliação crítica de como hoje o ambientalismo funciona. Altamente “Ong-dependente”, este movimento repousa em cima da substituição da participação direta, pela delegação da militância ambiental aos “ambientalistas profissionais” (com aspas). O problema é que, ao fazer esta delegação, a sociedade, ou pelo menos a parte dela preocupada com as questões socioambientais, se acomoda, não se mobiliza, e deixa que outros definam as agendas e as formas de luta. Ficou claro neste episódio da substituição do Código Florestal por um Código do Desmatamento, como já havia ficado claro na luta contra Belo Monte, que, ou mudamos o perfil de organização e mobilização contra as ameaças e agressões ao meio ambiente, ou colecionaremos outras derrotas nos próximos anos. A luta contra o ataque capitalista contra a natureza tem que ir além de um click ou uma postagem inspirada nas redes sociais.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-6978399279859543972?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/6978399279859543972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=6978399279859543972' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/6978399279859543972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/6978399279859543972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2011/05/reflexoes-sobre-votacao-do-novo-codigo.html' title='Reflexões sobre a votação do novo Código Florestal'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-6593877661226548942</id><published>2011-04-09T14:14:00.001-07:00</published><updated>2011-04-09T14:16:49.431-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ecossocialismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PSOL'/><title type='text'>I Encontro Nacional d@s Ecossocialistas do PSOL aprova a Carta de Curitiba</title><content type='html'>&lt;p&gt;O &lt;strong&gt;I Encontro Nacional d@s Ecossocialistas do PSOL&lt;/strong&gt;, realizado entre 01 e 03 de abril em Curitiba, reuniu cerca de 80 inscritos que, junto com observador@s totalizaram mais de 100 pessoas presentes ao evento, entre elas o secretário-geral do PSOL, Afrânio Boppré e o Secretário de Movimentos Sociais, Tostão.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Estiveram presentes representantes de 10 estados, que após uma discussão em alto nível, aprovaram a criação do Setorial Nacional Ecossocialista do PSOLe sua Coordenação. Além disso, também foi aprovada a Carta de Curitiba, com diretrizes e campanhas que o Setorial apresenta ao partido e à sociedade, que transcrevemos abaixo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;CARTA DE CURITIBA     &lt;br /&gt;- FUNDAÇÃO DO SETORIAL ECOSSOCIALISTA DO PSOL -&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os e as militantes ecossocialistas do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), reunido(a)s em Curitiba nos dias 1, 2 e 3 de abril de 2011, se dirigem ao conjunto do partido, aos movimentos sociais, ecológicos, socioambientais e à sociedade, para, analisando a atual crise planetária, propor ao partido e aos movimentos uma reflexão e uma agenda de lutas comuns.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não há dúvidas de que estamos imersos em uma crise ambiental planetária de proporções ainda não vividas pela sociedade humana. Sua face mais visível, mas não única, são o superaquecimento da Terra e as mudanças climáticas. Não há um só dia em que não se observa a ocorrência em qualquer parte do mundo de algum fenômeno climático-ambiental extremo. Fenômenos cada vez mais intensos e   &lt;br /&gt;recorrentes a ponto de um termo do vocabulário de guerra ter sido adaptado para o repertório ecológico: o “refugiado climático” ou “refugiado ambiental”, que já se conta em dezenas de milhões no planeta.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No entanto, o aquecimento global e as mudanças climáticas são apenas a face mais visível de uma crise maior, que se relaciona à atual configuração do modo de produção capitalista, com seu modelo de desenvolvimento produtivista-consumista, baseado na matriz energética fóssil e um modo de vida das elites econômicas mundiais, baseado no consumo ostensivo e perdulário, que são, a um só tempo e em todas as escalas, ambientalmente insustentáveis e socialmente injustos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Outros sinais dessa crise são a escassez da água, onde uma em cada quatro pessoas no mundo de hoje não tem acesso a água potável; a extinção das espécies, que é a mais elevada em 65 milhões de anos; e a ruptura da capacidade regenerativa da terra, que se deu em 1980 e faz com que estejamos, anualmente, sacando 25 e 30% de nosso capital natural. A salubridade para crianças, idosos, mulheres e homens é permanentemente ameaçada e degradada por conta de vetores de doenças infectocontagiosas, da contaminação da água, do ar e dos alimentos, mas, principalmente, pela irresponsabilidade do poder público e dos agentes capitalistas na gestão de programas e projetos   &lt;br /&gt;ambientalmente degradantes, além do histórico sucateamento dos sistemas públicos de saúde.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A tudo isso se somam as últimas catástrofes ambientais, como a da região serrana do Rio de Janeiro e a do acidente nos reatores nucleares de Fukushima, cujas conseqüências trágicas ainda não temos como dimensionar o alcance.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Configurada a crise (“policrise”), que é social, ambiental e civilizacional, há uma disputa de natureza ideológica sobre o entendimento das suas causas e métodos de enfrentamento, que confronta, em matizes diferenciados, capitalistas “verdes” versus “ecossocialistas”, ou seja, a disputa sobre projetos de sociedade e, portanto, de civilização.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A compreensão dos que se reivindicam herdeiros da utopia igualitária do Século XIX, à qual se agrega o ecologismo da contemporaneidade, é a de que, nas precisas palavras do Manifesto Ecossocialista Internacional, “o atual sistema capitalista não pode regular, muito menos superar, as crises   &lt;br /&gt;que deflagrou. Ele não pode resolver a crise ecológica porque fazê-lo implica em colocar limites ao processo de acumulação – uma opção inaceitável para um sistema baseado na regra ‘cresça ou morra’”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Trata-se, assim, não só de uma crise ambiental e social, mas uma crise da própria civilização do capital, de sua lógica econômica, de seu modelo de desenvolvimento, de seu modo de vida e de seus valores que engendram, a um só tempo, uma desigualdade social cada vez mais abissal entre uma   &lt;br /&gt;oligarquia global e os mais de um bilhão de humanos que sobrevivem com menos de um dólar por dia. A renda das 500 pessoas mais ricas do mundo é maior do que a das 416 milhões mais pobres do planeta.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em nosso país, cuja formação histórica, socioeconômica e cultural foi fundada na monocultura de exportação, na escravidão, na sistemática superexploração dos povos indígenas, afrodescendentes e na rapina de nossa natureza, o PAC – com seus megaemprendimentos ecologicamente insustentáveis e socialmente injustos – é, atualmente, a face mais visível de nosso “desenvolvimentismo”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Hidrelétricas e grandes empreendimentos, tais como Belo Monte, Jirau, TKCSA, CSU, a transposição no rio São Francisco, com seu repertório de agressões socioculturais, étnicas e ambientais; a ampliação do programa nuclear, mesmo após a contaminação em Caetités e a tragédia de Fukushima; o ataque à legislação ambiental, configurada na proposta Aldo-ruralista do Código Florestal, mas, também,   &lt;br /&gt;na flexibilização do licenciamento ambiental – além da agenda excludente das obras da Copa do Mundo e    &lt;br /&gt;Olimpíadas – demonstram até onde o capital, pelos seus governos e suas empresas, pretendem chegar em nosso país. Denunciamos e combatemos as relações espúrias e corruptas dos agentes públicos com os grandes grupos financeiros, industriais, empreiteiros e do agronegócio que financiam suas campanhas eleitorais para depois cobrar o preço amargo da destruição e da inviabilização de todas as formas de vida. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Denunciamos os discursos e as práticas supostamente voltadas para a preservação de ecossistemas, mas cuja retórica esconde nefastos interesses pela exploração acelerada dos recursos naturais e a conseqüente desagregação dos diversos biomas e modos de vida humana a eles associados. Esse conjunto de práticas ecocapitalistas baseiam-se em constatações genéricas e, muitas vezes,   &lt;br /&gt;distorcidas a partir dos grandes processos ambientais e significam, no limite, uma estratégia global para conduzir a política ambiental em direção à segregação social e espacial e ao desarranjo das áreas ecologicamente mais importantes e preservadas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Denunciamos, também, os traidores das grandes causas da esquerda que, entre a garantia dos direitos das classes trabalhadoras e a aliança com a burguesia internacional, optaram por esta última e se transformaram nos principais fiadores da desgraça e da destruição ambiental. É preciso lembrar que a opção pelo crescimento econômico indiscriminado está diretamente ligada à adaptação da economia brasileira para pagamento dos juros da dívida pública, pois a maior parte da grande produção é voltada   &lt;br /&gt;para a exportação. A exportação de commodities é também exportação de água, energia e vida do nosso povo e dos nossos ecossistemas. Numa conjuntura onde um governo construído a partir das lutas sociais passa a ser apoiado por forças marcadas pelo conservadorismo mais reacionário, a irresponsabilidade ambiental e a corrupção, vemos que o embate se dá contra dois campos que, apesar de eleitoralmente antagônicos, são cada vez mais próximos nos interesses e nos objetivos que perseguem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Só um partido que se reivindique da tradição anticapitalista, mas que tenha rompido com as experiências autoritárias, burocráticas e predatórias do chamado “socialismo real” – um partido que dialogue e interaja com as comunidades tradicionais e os movimentos sociais, ecológicos e socioambientais – pode fazer face a esse processo de degradação e configurar alianças táticas e estratégicas para a luta ecossocialista.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É verdade que o Ecossocialismo ainda é uma promessa, uma aposta, mas é uma necessidade premente para garantir nossa sobrevivência enquanto espécie e sociedade, assim como todas as demais formas de vida. Esse ser em processo, em construção, tem como premissas a igualdade social, a   &lt;br /&gt;sustentabilidade ecológica, a defesa da diversidade em seus aspectos biológico, social, étnico e cultural, além de um novo modo de vida, fundado na premissa do “ser” sobre o “ter”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os ecossocialistas propõem uma atuação transversal, pois a luta ambiental deve interagir com os diversos movimentos que compõem a luta pela emancipação social, incluindo as organizações que levantam as bandeiras da reforma agrária e da reforma urbana, a luta sindical e da juventude, bem como   &lt;br /&gt;dos movimentos contrários ao racismo ambiental e pela igualdade e equidade racial e de gênero.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Nossas principais diretrizes de organização:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;· É urgente e necessária a construção do programa ecossocialista como forma de qualificar melhor o debate interno ao partido e a sua relação com a sociedade;   &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;· Nossa inserção institucional deve ocorrer em todos os espaços de discussão das políticas públicas, tanto nos conselhos e comissões oficiais como nos fóruns temáticos dos movimentos sociais;    &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Frentes de luta e propostas de ação:&lt;/strong&gt;    &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;· Denúncia e combate permanente à tentativa de flexibilização da Polítca Ambiental, notadamente a revisão do Código Florestal, reforçando o ato nacional já convocado pelos movimentos sociais no dia 07/04/2011 em Brasília, os atos estaduais convocados para o dia 28/04 e a atuação do Deputado Federal Ivan Valente, com sua crítica constante e    &lt;br /&gt;contundente a mais esse ataque do Capital ao meio ambiente;    &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;· Acompanhamento, denúncia e resistência às arbitrariedades e desvios dos projetos, das obras e impactos do PAC, inclusive na preparação para os megaeventos, principalmente no que tange à degradação das condições de trabalho, os despejos e remoções forçadas de comunidades pobres, o estímulo à prostituição e tráfico de mulheres e crianças, bem como à redução da biodiversidade;    &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;· As comunidades atendidas e atingidas pelos grandes empreendimentos, obras de infraestrutura,planos diretores urbanos, unidades de conservação e projetos agroindustriais    &lt;br /&gt;devem ter garantida sua participação qualificada, continuada e legitimada em todas as suas fases, desde os diagnósticos até as medidas para tratamento dos impactos.    &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;· Ampla mobilização para enfrentar a questão nuclear e barrar o programa nuclear brasileiro através do parlamento e dos movimentos sociais! Pelo descomissionamento de Angra 1, 2 e 3! Pelo cancelamento de novos projetos de usinas nucleares e do uso militar de artefatos e reatores!    &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;· Ampliar as áreas protegidas por unidades de conservação nos diversos ecossistemas brasileiros, com garantia da participação pública qualificada na gestão e integração aos    &lt;br /&gt;modos de vida das comunidades locais.    &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;· Por uma reforma agrária ecológica e uma reforma urbana inclusiva e ambientalmente responsável! Contra o Deserto Verde, as monoculturas e a especulação imobiliária!    &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;· Mobilidade humana é uma condição fundamental para o futuro da sociedade e isso significa um apoio irrestrito a movimentos contra a carestia dos transportes públicos (movimentos pelo passe livre e pela tarifa zero), além da luta por uma gestão mais transparente dos sistemas de transporte urbano, a integração entre os diversos modais e o fim da dependência do rodoviarismo.    &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;· Ainda no âmbito das cidades, o lixo e demais resíduos sólidos constituem um desafio inadiável. É preciso atacar com adequada didática os aspectos degradantes do sistema    &lt;br /&gt;produtivo, tais como a irresponsabilidade das empresas com as embalagens de seus produtos e a ausência de políticas sérias de reciclagem, valorização e proteção aos profissionais da limpeza urbana e da catação.    &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;· As zonas costeiras devem ser geridas como bem público inalienável e como santuário da vida. Portanto, repudiamos toda e qualquer atividade que cause constrangimentos à pesca e à navegação artesanal; ao uso público das praias e demais bens naturais litorâneos; ou a ameaças aos patrimônios genéticos marinhos e estuarinos.    &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;· Pelo reconhecimento e demarcação de territórios quilombolas, terras indígenas e reservas extrativistas! Contra o Racismo Ambiental!    &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;· Contra a Criminalização dos movimentos sociais e as prisões políticas de lideranças e militantes!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Afinal o que se coloca para a humanidade é o desafio da constituição dessa nova sociedade que possa vir a ser, a um só tempo, politicamente democrática, socialmente justa e igualitária, cultural e etnicamente diversa e ambientalmente sustentável. Assim, na esteira de Löwy, poder-se-ia atualizar a consigna de Rosa Luxemburgo para “Ecossocialismo ou Barbárie”!&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Em memória de Chico Mendes e Irmã Dorothy Stang&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-6593877661226548942?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/6593877661226548942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=6593877661226548942' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/6593877661226548942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/6593877661226548942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2011/04/i-encontro-nacional-ds-ecossocialistas.html' title='I Encontro Nacional d@s Ecossocialistas do PSOL aprova a Carta de Curitiba'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-409764551707986307</id><published>2011-02-22T04:52:00.001-08:00</published><updated>2011-02-22T04:52:19.433-08:00</updated><title type='text'>Manifesto/convite para o I Encontro Nacional d@s Ecossocialistas do PSOL</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_8TnhBIcsHEk/TWOxgLhhkRI/AAAAAAAAAK4/paXZmJ4yCxI/s1600-h/Encontro%20Ecossocialistas%20GS%5B10%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-right-width: 0px; margin: 0px auto 5px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; padding-top: 0px" title="Encontro Ecossocialistas GS" border="0" alt="Encontro Ecossocialistas GS" src="http://lh6.ggpht.com/_8TnhBIcsHEk/TWOxgoRgI_I/AAAAAAAAAK8/h4BU7O6eRto/Encontro%20Ecossocialistas%20GS_thumb%5B7%5D.jpg?imgmax=800" width="182" height="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Companheiros e companheiras,&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Informamos ao conjunto do partido a realização do&lt;b&gt; I Encontro Nacional dos Ecossocialistas do PSOL&lt;/b&gt;. A duras penas a ofensiva ruralista, no final do ano passado, contra o Código Florestal foi detida, mas nada garante - muito pelo contrário - que 2011 vá ser um ano diferente.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A nova presidenta, quando ministra, já se mostrava defensora de um modelo de desenvolvimento a qualquer custo. A exploração do pré-sal, justamente quando as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global nos exigem reduzir as emissões de CO2, assim como mais de 30 termelétricas, grandes hidrelétricas na Amazônia, além de Belo Monte, o projeto de mais usinas nucleares, a etapa decisiva da transposição sem recuperação do S. Francisco, etc. precisam ser combatidos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por mais que os ecocapitalistas e a grande mídia tentem salvar as aparências, os indicadores são os piores possíveis. Chegamos a uma concentração de 390 ppm de CO2-equiv na atmosfera, quando deveríamos estar estabilizados em 350ppm. Este fato aponta para um aumento de até 4 graus na temperatura média do planeta até o final do século.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Geleiras e glaciares estão em franco degelo. Nos pólos isso vai levar a uma elevação do nível dos oceanos tornando, em muito pouco tempo, inabitáveis vários países insulares. Aqui no continente sul-americano, o degelo dos Andes prenuncia uma grave crise da água na Bolívia, Chile e Peru. E com ela, uma crise na produção de alimentos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No Brasil, a produção de grãos no RS já está prejudicada. Tornados em S. Catarina, Paraná, parte de São Paulo e até no Rio. Mudanças no regime de chuvas no semi-árido. Seca na Amazônia. Grandes extremos climáticos começam a se repetir no Sudeste. Na estufa em que se transformaram estas e outras cidades, a dengue promete cobrar seu preço em vítimas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A tragédia na Região Serrana, com mais de mil mortos e desaparecidos é apenas outro capítulo da irresponsabilidade dos governantes em relação aos mais pobres, a grande maioria dos atingidos por esses fenômenos climáticos, provocados por um modelo de desenvolvimento insustentável.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Este modelo polui águas, solos e o ar, com seu modo de produção esbanjador de recursos naturais, e descompromissado com a vida. A investida contra o Código Florestal é exemplar. Além do impacto potencial da liberação de mais de 7 giga toneladas de carbono, as alterações propostas afetam muito as já combalidas matas ciliares, protetoras dos cursos d'água e mananciais, aumentando a pressão futura sobre a água.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Além disso, estados e municípios, sedentos de investimentos, têm se aberto para projetos extremamente daninhos, tanto para os ecossistemas, quanto para as populações mais pobres. As cidades-espetáculo, amigáveis para mega-projetos tipo Copa do Mundo e Olimpíadas, tornam-se mercadoria para serem consumidas, gerando lucros para o capital estrangeiro.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Essa nova agenda colocada exige que o PSOL, visceralmente ligado às lutas dos &amp;quot;de baixo&amp;quot;, avance nas suas formulações, propostas, campanhas e na sua prática. Entendemos este&lt;b&gt; I Encontro dos Ecossocialistas do PSO&lt;/b&gt;L, como um momento de reflexão do partido, apontando para a organização e a luta política.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Abaixo a programação das atividades do Encontro, que ainda está aberta a sugestões e alterações.&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;I Encontro d@s Ecossocialistas do PSOL      &lt;br /&gt;De 01 a 03 de abril       &lt;br /&gt;No CEPAT – Curitiba – Paraná&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Programação:&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;table border="0" cellspacing="0" cellpadding="2" width="400"&gt;&lt;tbody&gt;     &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="80"&gt;01 de abril&lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="51"&gt;Noite&lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="268"&gt;Abertura: Crise Planetária e a Alternativa Ecossocialista&lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="80"&gt;02 de abril&lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="51"&gt;Manhã&lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="268"&gt;Desafios para a construção de agendas globais e regionais&lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="80"&gt;&amp;#160;&lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="51"&gt;Tarde&lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="268"&gt;Desenhando um Mapa dos Conflitos Socio Ambientais no Brasil&lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="80"&gt;&amp;#160;&lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="51"&gt;Noite&lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="268"&gt;Confraternização e Atividades culturais&lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;      &lt;tr&gt;       &lt;td valign="top" width="80"&gt;03 de abril&lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="51"&gt;Manhã&lt;/td&gt;        &lt;td valign="top" width="268"&gt;         &lt;p&gt;Como construir um PSOL ecossocialista&lt;/p&gt;       &lt;/td&gt;     &lt;/tr&gt;   &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-409764551707986307?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/409764551707986307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=409764551707986307' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/409764551707986307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/409764551707986307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2011/02/manifestoconvite-para-o-i-encontro.html' title='Manifesto/convite para o I Encontro Nacional d@s Ecossocialistas do PSOL'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_8TnhBIcsHEk/TWOxgoRgI_I/AAAAAAAAAK8/h4BU7O6eRto/s72-c/Encontro%20Ecossocialistas%20GS_thumb%5B7%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-8754421170786564122</id><published>2011-02-11T06:26:00.001-08:00</published><updated>2011-02-11T06:27:49.943-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Belo Monte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bem viver'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desenvolvimentismo'/><title type='text'>Racismo Ambiental nas águas de Belo Monte</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/_8TnhBIcsHEk/TVVHLaYEpHI/AAAAAAAAAKg/doixiJikR1k/s1600-h/raoni%20no%20planalto%5B4%5D.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 5px 5px 0px; display: inline; float: left;" title="raoni no planalto" alt="raoni no planalto" src="http://lh3.ggpht.com/_8TnhBIcsHEk/TVVHLidD2wI/AAAAAAAAAKk/gEhiFVdAPhs/raoni%20no%20planalto_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800" align="left" width="240" height="160" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A imagem ao lado mostra uma cena que não é nova. Um índio, no caso Raoni kayapó, mostra sua indignação em uma reunião com brancos politicamente corretos, em atitude repeitosa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Poderia ser aquela outra índia, também kayapó, que em 2008 passou o facão no presidente da Eletronorte, numa audiência pública também sobre Belo Monte, no que a revista Veja na época (sem trocadilho) considerou um ataque de “selvagens amazônicos”. &lt;a title="http://veja.abril.com.br/280508/p_064.shtml" href="http://veja.abril.com.br/280508/p_064.shtml"&gt;http://veja.abril.com.br/280508/p_064.shtml&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Desta vez quem teve que aturar impassível o dedo de Raoni, a centímetros de sua cara, foi o aspone da vez Rogério Sotilli, secretário executivo da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que tinha se refugiado previamente no FSM de Dakar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Provavelmente as imagens correrão o mundo. Nos países desenvolvidos não faltarão aqueles que se solidarizarão com o “selvagem” que defende sua terra. Outros se lembrarão de Avatar, mesmo que o herói do filme (como brilhantemente percebeu Zizek) seja o colonizador.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Já para o Quarto Mundo, como o ecossocialista Joel Kovel chama os indígenas e povos “sem Estado”, nenhuma novidade. Só mais um capítulo do modelo de “diálogo” que os assim chamados governos progressistas, principalmente os daqui da América Latina, tem praticado.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nas palavras do próprio aspone de plantão: “&lt;em&gt;Lula prometeu que não enfiaria Belo Monte goela abaixo das populações do Xingu. Sempre ouvi dizer que houve muito diálogo. Talvez, com o que vocês dizem agora, não foi tanto assim (…) Dilma fará o que tem que ser feito. (…) Dilma tem que pensar o Brasil como um todo, atender todos os interesses, incluir toda a nação. (…) Garanto que vamos dialogar, mas claro, podemos não chegar a um consenso&lt;/em&gt;”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ah, os “interesses do Brasil”, quanta barbárie socio ambiental já se cometeu, e continuará se cometendo, em seu nome. A fala do aspone governamental é clara. Os interesses de todos são muito mais importantes do que os de um pequeno bando de sujeitos, com penas na cabeça e botoques nos beiços.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Todos quem, cara pálida, deve ter pensado Raoni. Se não pensou, penso eu. A construção de Belo Monte tem sido defendida pelos tecnocratas de plantão como a última fronteira entre o fim dos apagões e as cavernas sem luz. Sem a usina de Belo Monte, o Brasil pára, vociferam os editoriais da grande mídia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Já entre quem deveria estar do nosso lado, existem também defensores do belo monstro que está sendo parido no ventre do desenvolvimentismo, se me perdoam a metáfora gongórica e naftalinesca.Os eco-capitalistas do WWF-Brasil, por exemplo, não são contra desde que “&lt;em&gt;exista um planejamento estratégico da Amazônia como um todo&lt;/em&gt;”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Há também os que, como Luiz Pinguelli, usam a caratonha das usinas termelétricas e nucleares para justificar o “mal menor”. Seria bom estas pessoas passarem o Carnaval no Xingú para explicarem às etnias ameaçadas esse conceito de mal menor.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Finalmente, existem aqueles que se encontram em um Belo Muro,como o SOS Mata Atlântica, “&lt;em&gt;que está voltado para outro bioma&lt;/em&gt;”, criando jurisprudência de que desmatamento em bioma dos outros é refresco. Já a senadora Marina, bom a senadora Marina defende a transparência do processo, sem ter opinião pública a favor ou contra.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Já para os 600 mil e pouquinhos cidadãos e cidadãs que assinaram um manifesto contra a construção de Belo Monte, e para vários cientistas e pesquisadores, este processo tem sido um belo monte de meias verdades e mentiras completas, tal como a licença que foi dada pelo Imbroma.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A começar pela energia gerada. 11 megawatts por mês trombeteiam as fanfarras de Brasília. 4 megawatts retrucam os especialistas independentes, devido a vazão do rio. Tá, pode argumentar o nobre leitor, 4 megawatts já são um belo acréscimo para um país tão necessitado de energia para se desenvolver.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para onde irá a energia gerada por Belo Monte. Se for para fora da Amazônia, teremos de acrescentar o custo da sua transmissão, isso sem falar na qualidade da operação que, por falar nisso, estará a cargo da CHESF, aquela responsável pelo apagão recente no NE.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Essa energia será, dessa forma, muito cara. Certamente não será o “povo pobre e excluído da Amazônia”, como afirma o site do governo do Pará em &lt;a href="http://www.pa.gov.br/destaques_gov.asp?id_not=27"&gt;http://www.pa.gov.br/destaques_gov.asp?id_not=27&lt;/a&gt;. Então quem ficará com a energia gerada por Belo Monte? Duas indústrias de alumina que se intalariam no Pará. Outra dica importante é esmiuçar quais foram as empresas que se interessaram em formar consórcios para a construção da usina: Vale, Neoenergia, Votorantim Alumínio e Andrade Gutiierrez. Todas ligadas a indústrias eletrointensivas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E sobre o argumento de Belo Monte ser uma defesa contra as termelétricas e nucleares, só um lembrete. Minas Gerais, que não é um estado litorâneo, tem potencial eólico 3,5 maior do que Belo Monte. Uma fazenda eólica que começou a ser construída em Norfolk, Inglaterra, gerará 1,1 TERAwatts, com um investimento de US$ 1,5 bilhão. Comparando este empreendimento com uma usina que vai produzir, em média, 4 GIGAwatts (1 Tera = 1000 Gigas), a um custo que pode chegar a US$ 10 bilhões, o desenho do belo monstro começa a tomar forma.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas existe um outro custo não contabilizado, muito maior do que esse. Belo Monte é mais um capítulo de um sistema que quer se manter vivo a qualquer preço. Que vende uma idéia de progresso e desenvolvimento sem limites. Que passa por cima de tudo e de todos que se colocarem no seu caminho. Que se coloca como se fosse dono e explorador da natureza.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Esses conceitos de desenvolvimento a qualquer preço, de um progresso ilimitado e infinito e do homem se colocando à parte da natureza, para poder explorá-la, são conceitos da civilização branca, européia, ocidental, cristã, masculina, largamente hegemônica no planeta. E que, é bom que se diga, nos trouxe até à beira  da barbárie sócio ambiental que as mudanças climáticas já estão provocando.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Lá no Xingú, quem está no caminjho dessa civilização que coisifica seres humanos e coisas, a tudo atribuindo um preço, de acordo com o valor de mercado, são comunidades indígenas e ribeirinhas, que se colocam como parte da natureza, e que dela dependem para sua sobrevivência pessoal e de suas culturas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O cacique e a índia Kayapós, com seus botoques e seus peitos de fora, quando capturados pelas câmeras nas reuniões com tecnocratas ou aspones engravatados, mostram diferenças muito além das roupas que usam ou não. O nosso olhar ideologicamente domesticado, mesmo prenhe de boas intenções, acaba, a partir de símbolos exteriores, prejulgando esse choque civilizatório.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E aí, para a maioria de nós, o civilizado é a gravata e não a pena de ave, mesmo que a gravata represente a inviabilidade de uma civilização que parece determinada a se extinguir, levando com ela boa parte da biodiversidade. O índio pelado com pena na cabeça é apenas o “bom selvagem”, que deve ser preservado em reservas-gaiolas cada vez menores, como um &lt;em&gt;pet&lt;/em&gt;, como gostam de falar os incluídos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mesmo que o seu modo de viver, ou de bem viver, representado pela pena ou o botoque, esteja, como o dedo em riste de Raoni, a poucos centímetros nossas caras, mostrando que existe alternativa ao caos climático e à tragédia socio ambiental anunciadas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O Racismo é uma ferramenta cara ao capitalismo, que sempre explorou as diferenças para estabelecer um poder sobre classes, raças, povos e etnias. Poder esse necessário para explorá-las e, em caso de necessidade, exterminá-las.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em relação ao meio ambiente, o Racismo Ambiental é uma maneira de afirmar a superioridade de um modelo civilizatório, mesmo que Roma já esteja em chamas. E de negar outro que valoriza as coisas, as espécies e as pessoas pelo o que elas são, estabelecendo um outra relação, mais harmoniosa, com a natureza.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-8754421170786564122?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/8754421170786564122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=8754421170786564122' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/8754421170786564122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/8754421170786564122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2011/02/racismo-ambiental-nas-aguas-de-belo.html' title='Racismo Ambiental nas águas de Belo Monte'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh3.ggpht.com/_8TnhBIcsHEk/TVVHLidD2wI/AAAAAAAAAKk/gEhiFVdAPhs/s72-c/raoni%20no%20planalto_thumb%5B2%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-4523203136043360605</id><published>2011-01-12T06:34:00.001-08:00</published><updated>2011-01-12T06:35:43.539-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desastres ambientais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ecossocialismo'/><title type='text'>Qual é mesmo o socialismo que queremos?</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;Publico hoje no blog um texto que escrevi exatamente há um ano atrás. Ele foi escrito com um travo na boca, por conta das tragédias ambientais que tinham acabado de vitimar dezenas de pessoas no Rio, em Niterói, na Baixada e na Costa Verde.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Hoje, com mais de 30 mortos confirmados, além de dezenas de pessoas ainda soterradas, na Região Serrana do Rio, o travo voltou à boca, e uma sensação de dejá vu me incomoda muito.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Esse texto é uma pequena homenagem aos mortos de 2010, aos de 2011, e aos dos anos futuros, vítimas de um sistema que os trata como mera estatística. Copenhague virou Cancun, Rio virou Petrópolis, Niterói virou Teresópolis. Onde estiver escrito Baixada, leia-se Nova Friburgo. Mas a tragédia é a mesma.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Qual é mesmo o socialismo que queremos?    &lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;Paulo Piramba    &lt;br /&gt;Janeiro de 2010&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Fazer um balanço de Copenhague, contando os mortos das chuvas da última semana, não é definitivamente um bom começo de ano. Mas talvez seja isso mesmo que esteja nos faltando, a nós que vivemos de tecer sonhos: sonho com um novo país e com uma nova sociedade que respeite homens, mulheres e natureza.Também, aos poucos de nós que, de um tempo para cá, vivemos de construir cenários sombrios para o futuro da humanidade. Nós, que contrariamos e desafiamos a banda dos contentes, os tecelões dos sonhos de uma sociedade mais justa, inexoravelmente colocada no nosso futuro, mas que teima em escorrer entre os nossos dedos, todas as vezes que dele nos aproximamos. A todos nós, talvez falte exatamente essa dimensão banhada em água, sangue e lama. As vítimas do clima tem nome, rosto e histórias interrompidas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Elas estão na Costa Verde, no pedaço da ilha que correu para o mar, soterrando veranistas e famílias inteiras de antigos pescadores, hoje caseiros e funcionários de quem ignorou o clima e a geografia, como se a beleza pudesse vencer a tragédia. Mas também estão no Morro da Carioca, tragédia previsível ao olhar leigo, que só esperava um índice pluviométrico “acima da média histórica” para acontecer. Morro que traz no nome uma triste ironia, evocando a capital que também segrega grande parte de seus moradores em encostas perigosas e instáveis. Morros do Rio que também pagaram seu preço em vidas: Fazenda da Bica em Quintino, São João Batista na Praça Seca, Sapê no irajá, e em Vaz Lobo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os nomes dos lugares, às vezes carregam ironia, outras vezes trazem antigos ensinamentos que teimamos em esquecer. Jardim Pantanal, em São Paulo: onde as águas não descem. Itaorna, em Angra dos Reis: pedra podre, em tupi guarani; onde a ditadura construiu Angra 1 e 2 e Lula pretende começar a construir Angra 3. Baixada Fluminense: planície cercada por serras e maciços, onde nascem vários rios, que descem preguiçosamente pela Baixada até desaguarem nas Baías da Guanabara e Sepetiba. O relevo e as chuvas contribuem para as cheias periódicas que invadem as várzeas, hoje ocupadas pelas populações sem teto. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Baixada Fluminense também tem seus mortos para chorar: Jardim Gramacho, Piabetá, Belford Roxo. 68, no total do estado, até a hora em que escrevo. Mas poderia estar falando nos mortos das chuvas de São Paulo, mesmo que a mídia prefira ficar falando das centenas de quilômetros de engarrafamento. Ou então na nossa nova modalidade de tragédia, as vítimas dos tornados do Sul. Ou os milhares de refugiados ambientais de Bangladesh, a enorme Baixada Fluminense deles. Ou então, dos refugiados ambientais anunciados de Tuvalu, prestes a submergir sua cultura, sua história e suas raízes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Talvez dessa forma, fulanizando e dando cara e nome aos efeitos das mudanças climáticas, talvez assim finalmente a nossa ficha caia, e nós, que ultimamente andamos empenhados em tarefas desimportantes, como o dilema Marina/Plínio, possamos começar a lidar com as reais contradições daqueles que, supostamente, representamos, e a quem dedicamos o melhor de nossas vidas. Afinal, que me perdoem meus camaradas sindicalistas, representamos a classe, ou aquilo que nós desejamos que a classe trabalhadora fosse?&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Porque, se temos a pretensão da representação, talvez valha a pena avaliar sobre que bases o “nosso” socialismo está sendo construído. Falamos na classe, mesmo que hoje seja complicado desenhar a sua cara. Criamos nossa Central, mesmo que a maioria do povo trabalhador esteja dormindo com o inimigo. Valorizamos nossos links com os movimentos sociais, embora, na verdade, nossos contatos sejam apenas com uma fatia muito limitada deles. Desconhecemos as cidades onde moramos; contudo a maioria da população é, mais do que nunca, urbana. Em meio a mais brutal crise, optamos em falar o mesmo para nós mesmos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nunca na história da esquerda, fomos tão “metonímicos”. Tomamos os poucos sindicatos onde temos presença, como o conjunto da classe. Tomamos o pedaço do ME onde atuamos, como a juventude. Os escassos parlamentares que temos, como a luta institucional. O real tamanho de nossos pequenos partidos, como &lt;b&gt;O &lt;/b&gt;partido. É sobre essa “Itaorna política” de bases pouco sólidas que estamos construindo nosso socialismo. Nunca nos contentamos com tão pouco! Para barrar Marina, aceitamos até uma “PSTU-ização”. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Até quando acertamos muito, temos dificuldades enormes em reconhecer isso. A incorporação da luta contra a criminalização da pobreza ainda não foi assimilada por todos. Esta é uma luta justa e transformadora, mesmo que ainda se cometa o erro de achar que o extermínio só se dá com rajadas de AR-15. Colocar os mais pobres em locais onde a injustiça ambiental faça parte de sua vida, tem um potencial assassino tão grande ou maior quanto os autos de resistência. As doenças respiratórias são causa importante de mortes nas comunidades ao longo da Avenida Brasil, assim como a leptospirose após as cheias na Baixada, ou a diarréia nas comunidades sem saneamento.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Reagimos com indignação ao reacionarismo explícito dos âncoras da TV, mas não gastamos nenhuma linha para chorar os mortos do clima. Somos os primeiros a abaixo-assinar qualquer moção para soltar alguém na Cochinchina, ou prender alguém no Seiláquistão, mas não temos o que falar sobre as mais de 1 bilhão de pessoas que passam fome diariamente. Chegamos a naturalizar as mortes das cada vez mais repetidas e intensas tragédias climáticas, sejam as já presentes, ou as anunciadas. Delas retiramos qualquer conteúdo de classe, como se a “escolha” de suas vítimas fosse aleatória, ou um “desígnio de deus”, se acreditássemos em algum deles.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Preferimos crer na inevitabilidade do progresso e na libertação da classe de suas amarras. Nosso ecossocialismo é um socialismo com uma vírgula verde. Defendemos a utilização do pré-sal &lt;b&gt;&lt;span style="color:#008000;"&gt;VÍRGULA&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; desde que os recursos sejam usados na educação, saúde, reforma agrária &lt;b&gt;&lt;span style="color:#008000;"&gt;VÍRGULA&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; matrizes limpas e renováveis, como se isso não fosse uma contradição em termos. Nosso socialismo é raso, não se sustenta em uma discussão séria sobre um modelo alternativo à barbárie sócio-ambiental capitalista. É um socialismo envergonhado, que não quer pagar o mico de defender uma sociedade descarbonizada, sem gasolina. Um socialismo meia-boca, que defende a meia passagem ou o passe livre, mas não compra a briga contra o carro individual. A lógica do aqui-e-agora tão cara ao capitalismo, supera de longe qualquer visão de médio prazo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas, qual é mesmo o socialismo que queremos? Não há resposta fácil, nem receita de bolo. O caminho não é glorioso e inexorável, nem existe segurança no êxito final. Apenas a suspeita de que não haverá socialismo construído da forma que vimos fazendo até agora. Um socialismo construído em um planeta 3 graus mais quente será, necessariamente, um socialismo da escassez da água, um socialismo da fome e das tragédias ambientais. Distanciar a sua construção do sofrimento real da maioria da população significa, antes de tudo, distanciá-lo de seus objetivos mais nobres e humanos. Quantos laços verdes, em solidariedade às vitimas do clima, serão necessários?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-4523203136043360605?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/4523203136043360605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=4523203136043360605' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/4523203136043360605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/4523203136043360605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2011/01/qual-e-mesmo-o-socialismo-que-queremos.html' title='Qual é mesmo o socialismo que queremos?'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-5863302741848816649</id><published>2010-12-13T06:39:00.001-08:00</published><updated>2010-12-13T07:15:19.066-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mudanças climáticas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='código florestal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='água'/><title type='text'>Não Mexam no Código Florestal</title><content type='html'>&lt;p&gt;Como acabei de postar no Twitter: “&lt;em&gt;se formos esperar pelo bom senso dos deputados, não sobrará nenhuma árvore em pé&lt;/em&gt;.” Esse episódio da votação, a toque de caixa, do regime de urgência para a aprovação ou rejeição de modificações no Código Florestal, diz bem como navega esta Nau de Insensatos mais conhecida como Congresso Nacional: ao sabor dos ventos oportunistas!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Antes de mais nada é preciso registrar de que não se trata de uma votação menor, tipo “dia de qualquer coisa”. As modificações aprovadas em relatório do deputado Aldo&lt;em&gt;negócio&lt;/em&gt; Rabelo do PCO2doB desfiguram de tal maneira o Código, que permitem a anistia aos já desmatadores e o incentivo aos que ainda não desmataram&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Justamente quando continua o impasse em torno da necessidade de reduzir emissões dos gases estufa, com a modificação no Código Florestal avalia-se um potencial de liberação de mais de 7 giga toneladas de carbono, isto é 7 seguido de 9 zeros toneladas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Além disso, estas modificações precarizam ainda mais as já devastadas matas ciliares, com efeito direto sobre rios e mananciais. É bom lembrar que, nas próximas décadas, haverá uma pressão muito grande sobre o fornecimento de água potável, dada a poluição nos cursos d’água, mais as consequências das mudanças climáticas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A partir da aprovação do relatório do deputado Aldo&lt;em&gt;negócio,&lt;/em&gt; muito elogiado pela senadora Kátia &lt;em&gt;Motoserra de Ouro&lt;/em&gt; Abreu, houve um movimento na sociedade de repúdio e denúncia deste relatório, por atender somente aos interesse dos ruralistas. Esta pressão foi decisiva para que, tanto Lula quanto sua sucessora se comprometessem a rediscutir a questão e apresentar outro projeto no ano que vem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Porém, o que são os interesses nacionais comparados à disputa pela Presidência da Câmara? Ocorre que o líder do PT, Cândido Vaccarezza, inebriado com a possibilidade de sentar na cadeira hoje ocupada pelo Temer genérico, que nada tem a ver com o valoroso Milton Temer, este deputado por São Paulo resolveu deixar a candura de lado e, com toda a ligeirezza, negociou com a bancada ruralista, a bancada do Bingo, a bancada policial (por conta da PEC 300) e a bancada da Lei Khair, a urgência nessas matérias em troca do apoio à sua pretensão de ser o novo Presidente da Câmara, cargo que o colocaria na linha sucessória de Dilma.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Espero que você não tenha se perdido! Resumindo, com esta manobra do deputado Vaccarezza, o brejo se aproximou bastante da vaca! Para completar a encrenca, parte da bancada “ambientalista”, com muitas aspas por favor, estava em Cancún praticando ecoturismo, já que nada de relevante aconteceria (como não aconteceu) lá.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Assim, a votação do regime de urgência para o desmantelamento do Código Florestal ficou acordada para ser apreciada pelos nobres deputad@s esta terça-feira (14). Candidamente, o deputado Vaccarezza garante que o acordo é somente para a votação da urgência, sem que isso signifique que o projeto seja votado ainda neste ano, e que a urgência seja urgente no ano que vem. (!?!)&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Às vésperas dos feriados de final de ano, em meio às comemorações e bebemorações, somos obrigados a reunir nossas forças e tentar pressionar novamente para que esse projeto possa ser dicutido com cuidado e democraticamente por toda a sociedade, a partir do ano que vem, sem urgência e manobras ao apagar das luzes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Corre no Avaaz um &lt;a href="http://www.avaaz.org/po/salve_codigo_florestal" target="_blank"&gt;abaixo-assinado&lt;/a&gt; endereçado aos parlamentares. No Twitter existe uma hashtag #NaoMexamNoCodigoFlorestal que deve ser retuitada, divulgada e apoiada. Mande mensagens divulgando este esforço para suas listas de discussão e amigos. Se conseguirmos um volume de pressão suficiente, conseguiremos barrar mais essa inciativa devastora. Se não, estaremos acumulando forças para uma dura batalha no ano que vem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Conto com vocês na luta!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;por Paulo Piramba&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-5863302741848816649?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/5863302741848816649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=5863302741848816649' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/5863302741848816649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/5863302741848816649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2010/12/nao-mexam-no-codigo-florestal.html' title='Não Mexam no Código Florestal'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-5411948142746894525</id><published>2010-12-10T06:00:00.001-08:00</published><updated>2010-12-10T06:01:09.505-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ecossocialismo'/><title type='text'>A minha, a sua, a nossa responsabilidade</title><content type='html'>&lt;p&gt;Sou do tempo em que consciência ecológica era não pisar na grama. Da época em que celebrar a natureza era queimar uma “erva do norte” e curtir o “flower power”. Definitivamente, eu era feliz e não sabia!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Hoje vivemos em tempos muito mais bicudos. Ar, águas e solos poluídos. Mais de 1 bilhão de pessoas sem acesso regular à agua e comida. Uma crise social que invisibiliza um continente inteiro, a África, e que, mesmo nos países mais ricos, expõe a incapacidade do modelo de civilização dominante em acabar com a desigualdade. Como pano de fundo, temos uma ameaça cada vez mais concreta e presente para o futuro da humanidade: as mudanças climáticas provocadas pela intensificação do aquecimento global.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Bombardeados diariamente por uma barragem de informações, por vezes contraditórias, divulgadas aos borbotões pela grande mídia, nossa consciência ecológica cresceu, mesmo que de forma frequentemente confusa. Choramos pelos ursos polares (nada contra eles), mas esquecemos rapidamente o destino dos desabrigados dos extremos climáticos, como no caso dos refugiados ambientais do Morro do Bumba, em Niterói, que, de abril para cá, ainda continuam desabrigados.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Esta mesma grande mídia, cujo objetivo é exatamente confundir mais do que explicar, divulga propaganda das mais diferentes empresas, dando conta que, de ora em diante, todas têm “responsabilidade ambiental”, justamente as mais devastadoras da natureza, por conta de suas atividades.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por outro lado, diariamente somos chamados também a assumir nossa responsabilidade ambiental. Banho, só até 7 minutos e fazendo xixi junto. Poupe energia, poupe água, poupe tudo pelo futuro dos nossos filhos! E, suprema ignomínia, reduza o consumo de carne bovina para reduzir a emissão de metano, e esqueça a sua cerveja, já que são necessários 155l de água para cada litro de cerveja. Ou seja, churrasco e consciência ecológica definitivamente não combinam!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mas, ao mesmo tempo, esta mesma mídia ocupa grande parte de seu espaço fazendo propaganda exatamente daquilo que “exige” que você abra mão. Compre, consuma, troque pelo último modelo, se endivide, quebre, mas mantenha o mercado funcionando!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não estou fazendo a apologia do “foda-se ambiental”, ou da inércia, dada a incapacidade de resolvermos individualmente a tragédia ambiental que bate cada vez mais forte nas nossas portas. Uma parte da minha, da sua, da nossa responsabilidade é exatamente a de mudarmos nossos hábitos de forma ecológica e racional. Mas, isto é apenas uma parte.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Estamos inseridos em um sistema que corre voraz e continuamente para manter e ampliar seus lucros. Para isso, a humanidade é compelida a consumir o que não precisa. Pelo menos a humanidade que pode ter acesso ao mercado, enquanto milhões são deixados à sua margem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Para manter ativa e operante esta máquina, o modelo econômico capitalista atribui preço a tudo, explora cada vez mais o trabalho alheio e exaure os recursos naturais do planeta, já que a velocidade do lucro não guarda nenhuma relação com a capacidade de renovação destes recursos. Essa máquina é movida a combustíveis fósseis que despejam na atmosfera giga toneladas de gases formadores do efeito estufa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Essa gastança temerária e insensata é de tal monta que, hoje, este sistema necessita de uma Terra e quse mais um hemisfério para dar conta de suas necessidades. É um sistema esbanjador de recursos, negligente com os efeitos do que e como produz sobre o ambiente e irresponsável com os problemas socioambientais que gera.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por ser largamente hegemônico no mundo, ele é, sem sombra de dúvida, o responsável pelos perigos que a vida no planeta enfrenta hoje. Seu modelo de civilização, que nos trouxe até aqui, está acima e além da capacidade do planeta. Qualquer solução real tem que passar por esta avaliação e pela necessidade de o superarmos, substituindo-o por um modelo alternativo, que resolva os eternos problemas de desigualdade social, sem perder de vista os limites da natureza.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Mais do que nunca, apesar do que se diga por oposto, a consciência social e política está imbricada com a consciência ecológica. Achar que é possível “domesticar” a voracidade do capitalismo, é atrasar as mudanças necessárias. É vital que se entenda que não temos mais tempo sobrando! E é nesse sentido que escolher exclusivamente essa ou aquela responsabilidade faz toda a diferença.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nossa responsabilidade como habitantes do planeta, como parte da única espécie que pode acabar com ela mesma e com a maioria das outras, mas principalmente como cidadãos e cidadãs, é nos organizarmos coletivamente, e exigirmos a mudança do sisterma que nos trouxe à beira do abismo, antes de darmos um passo à frente. Pressionarmos os governos, para que resolvam a encrenca que criaram, ou nós os derrubaremos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nesse sentido, nós, brasileiros, somos especialmente responsáveis. Somos nós, ou pelo menos 80 e muitos porcento de nós que aprovamos o governo que, nunca na história desse país, foi tão responsável com a degradação aqmbiental. Somos nós que naturalizamos tanto a devastação na Amazônia, que “comemoramos” quando “somente” 6.400km2 são desmatados.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Somos nós que apoiamos a escolha da exploração do pré-sal como indutor do desenvolvimento brasileiro nas próximas décadsa, mesmo que esse “desenvolvimento” se dê às custas das catástrofes climáticas e ambientais. Somos nós que apoaimos a criminalização da pobreza, via o extermínio de populações negras e pobres, e viramos o rosto para as condições de precariedade socioambiental em que vivem estas pessoas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A crise desta civilização que temos, tem contornos multifacetados, com implicações econômicas, financeiras, alimentares, sociais e ecológicas. Superá-la exige uma solução de conjunto. Não estabilizaremos a temperatura média global neste sistema econômico, não porque ele seja mau, mas porque sua lógica imediatista, de reprodução de lucros a qualquer preço é incompatível com isso. Não se trata, assim, de uma questão moral.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nesse momento, ao mesmo tempo em que foi confiada à delegação brasileira a missão de salvar o agonizante Protocolo de Kioto, aquele que como uma célebre viúva, “foi sem nunca ter sido”, nesse mesmo momento, o líder do PT na Câmara negocia a presidência dessa Casa, dando em troca o regime de urgência na votação das modificações no Código Florestal, que abre a possibilidade para mais devastação ambiental. Estas modificações foram aprovadas em uma comissão especial, cujo relator, do PCdoB, também faz parte da base do governo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Além das mudanças voluntárias em hábitos que foram estimulados pelo modelo econômico, político e ideológico onde estamos inseridos, temos outra responsabilidade. A minha, a sua, a nossa responsabilidade é a de dar um basta a esta escalada de destruição planetária. Para isto existem lutas a serem travadas, local e globalmente. Lutas que denunciem os limites e responsabilidades do capitalismo. Lutas que apontem para a necessária construção de uma nova sociedade, baseada na justiça e na igualdade social, baseada no que existe de melhor na tradição socialista, combinadas com a preocupação ambiental. Uma sociedade ecossocialista.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;por Paulo Piramba, 56, membro da Rede Ecossocialista Internacional&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-5411948142746894525?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/5411948142746894525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=5411948142746894525' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/5411948142746894525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/5411948142746894525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2010/12/minha-sua-nossa-responsabilidade.html' title='A minha, a sua, a nossa responsabilidade'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-8119601730003712502</id><published>2010-12-07T05:02:00.001-08:00</published><updated>2010-12-07T05:04:32.636-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mudanças climáticas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ecossocialismo'/><title type='text'>Mudemos o Sistema Capitalista, não o clima</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Todos os indícios apontam que esta conferência seguirá a mesma linha da anterior, realizada em Copenhague em Dezembro de 2009: será um novo passo da política neoliberal das grandes potências, que tentam eximir a responsabilidade do capitalismo nas mudanças climáticas. Eles aproveitarão o pretexto da situação para privatizar a atmosfera, as florestas, assim como outros recursos naturais, enquanto apresentam a conta &lt;span style="" lang="PT"&gt;da sua incapacidade em atender aos mais pobres de todo o planeta. Incapaz de romper com o produtivismo e a acumulação de lucros e, conseqüentemente, com os combustíveis fósseis, o grande capital também quer impor-nos suas loucuras tecnológicas: energia nuclear, agrocombustíveis, os transgênicos e o chamado "carvão limpo".&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;Em Copenhague, os Estados Unidos, China, Índia, Brasil, África do Sul e a União Européia negociaram secretamente um acordo paralelo que tentaram, sem sucesso, impor à Assembléia Geral da ONU. Este documento é totalmente insuficiente a nível ecológico: ele implica, a curto prazo, em um aumento da temperatura média global de mais de 4 graus Celsius, sinônimo de catástrofes muito graves. No nível social, significa a eliminação do princípio da "responsabilidade comum mas diferenciada" dos países capitalistas avançados e os "em desenvolvimento". Os representantes de vários países do Sul denunciaram a ilegalidade, a irresponsabilidade, o cinismo e a injustiça do acordo entre os maiores poluidores. Infelizmente, apesar dos seus protestos, ele foi, de fato, adotado como modelo para a política climática da Organização das Nações Unidas, em particular para a Convenção da ONU sobre o Clima e seu secretariado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Isso é inaceitável! Em abril de 2010, em resposta a um apelo do presidente boliviano Evo Morales, mais de 30 mil representantes de movimentos sociais, sindicatos, povos indígenas e alguns governos se reuniram em Cochabamba (Bolívia), e aprovaram a "Declaração dos povos sobre a mudança climática e os direitos da Mãe Terra". Esta declaração afirma claramente que o capitalismo é responsável pelo aquecimento global e que os países do Norte devem reduzir radicalmente as emissões de gases de efeito estufa, a fim de efetivamente limitar o aumento da temperatura. Mesmo sem subscrever todos os pontos deste texto, a Rede Internacional Ecossocialista apóia todos aqueles que exigem que esta declaração, e não o auto-intitulado "acordo de Copenhague", sirva como base para as negociações de Cancun. Cochabamba tornou possível serem ouvidas as vozes dos povos indígenas, camponeses, mulheres, trabalhadores e os pobres em geral. Em uma palavra: a voz das vítimas. É esta voz, e não a das multinacionais, que deve dar o tom das negociações climáticas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O verão de 2010 foi marcado por uma série de catástrofes que mostram o que o aquecimento global tem reservado para nós: incêndios assassinos na Rússia, as chuvas-dilúvio e inundações na China, México e Paquistão. O caso do Paquistão é dramático e revelador. Inundações fizeram 20 milhões de vítimas e prejuízos materiais enormes. Se o Paquistão continuar a seguir as receitas do Banco Mundial e do FMI, corre o risco de mergulhar em uma espiral de miséria. Para evitar isso, seria necessário abolir a dívida externa e exigir reparações do Norte. Isso requer uma ruptura com o "modelo" de desenvolvimento capitalista e a implementação de medidas, tais como uma reforma agrária democrática, a produção para as necessidades sociais e uma alternativa de gestão da água e recursos energéticos, a serviço da população.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;As mudanças climáticas mostram que o capitalismo chegou ao fim da estrada. Por seu produtivismo, sua busca pelo lucro, este modo de produção está destruindo as duas únicas fontes de toda riqueza: a Terra e os Trabalhadores. Para enfrentar a barbárie que vem junto com ele, uma sociedade alternativa, uma opção radical de civilização é necessária: o ecossocialismo. A otimização dos lucros privados, sem levar em conta os limites naturais, deve ser substituída pela otimização do bem-estar coletivo, o Bem Viver, no respeito à Mãe-Terra. Esta é a mensagem que a Rede Ecossocialista Internacional traz para você.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Junte-se a nós!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Originalmente publicado em inglês em &lt;a href="http://www.ecosocialistnetwork.org/"&gt;www.ecosocialistnetwork.org&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-8119601730003712502?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/8119601730003712502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=8119601730003712502' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/8119601730003712502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/8119601730003712502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2010/12/mudemos-o-sistema-capitalista-nao-o.html' title='Mudemos o Sistema Capitalista, não o clima'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-8901994230804747202</id><published>2010-04-17T06:29:00.000-07:00</published><updated>2010-04-17T06:31:21.523-07:00</updated><title type='text'>Chuvas no Rio: nem tudo vale a pena</title><content type='html'>&lt;p&gt; Os números realmente impressionam. Em menos de 12 horas choveu na cidade  do Rio de Janeiro, e em parte de sua Região Metropolitana, o  equivalente a dois meses de chuva. Uma média de 270mm, enquanto o índice  normal para o mês de abril é de 140mm. Até o momento em que escrevo, já  foram confirmadas pelo menos 95 mortes.  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; A causa mais imediata para esse extremo climático de gigantesca  proporção é a combinação de uma frente fria, com o contraste entre o ar  polar e o ar quente tropical, aliado à temperatura do mar, 2ºC mais  quente do que o normal. Além disso, a maré alta contribuiu para que o  alagamento das áreas urbanas do Rio, já muito impermeabilizadas, não  escoasse.  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Além do triste saldo de mortes, quase todas provocadas por deslizamentos  de encostas, o caos se instalou na cidade. O alagamento das vias  impediu a passagem dos veículos, fazendo com que milhares de pessoas não  chegassem em casa. Muitos dormiram na rua na noite de segunda-feira. Na  terça, a cidade viveu um feriado forçado, já que escolas, universidades  e poder judiciário suspenderam suas atividades. Mas muitos bancos,  lojas e escritórios de grandes e pequenas empresas também não  funcionaram, já que seus empregados e clientes não tiveram como se  locomover. As já normalmente ineficientes empresas privadas de  fornecimento de energia contabilizam milhares de casas sem luz desde a  noite de segunda.  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; O prefeito do Rio coloca a culpa do colapso da cidade "nas fortes  chuvas, na maré alta, na ocupação irregular das encostas e nas pessoas  que insistem em morar nelas". Não deixa de alfinetar os "demagogos de  plantão" que, segundo ele, "criticam os reassentamentos de moradores de  áreas de risco". E ainda dá "nota zero para o preparo da cidade para o  temporal".  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;   &lt;/p&gt; &lt;p&gt; Em meio a todo o oba-oba da realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas  no Rio de Janeiro, os ambientalistas mais críticos – que  responsabilizam a sociedade do consumismo e as suas relações com o meio  ambiente pela escalada do aquecimento global – insistem que, ao invés de  obras de fachada, fossem incluídas na preparação destes eventos  intervenções que começassem a preparar a cidade para os efeitos que,  certamente, as mudanças climáticas provocarão.  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Senão vejamos, o que se espera como resultado do aumento da temperatura  média do planeta, em um futuro cada vez mais presente, são exatamente  temporais muito mais intensos, em duração e amplitude. O mar, além de  mais aquecido, estará em um nível superior ao de hoje, dificultando o  escoamento, tanto das águas pluviais, como dos esgotos, pelo envelhecido  sistema de escoamento das cidades.  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Ao invés de investir na adaptação do Rio de Janeiro aos problemas que  afligirão a cidade daqui a algumas décadas, as autoridades de todos os  níveis preferem alocar recursos em PACs cosméticos, que não vão alterar  as precárias condições de habitação da população mais pobre da cidade.  Em intervenções desastradas no ineficiente sistema de transporte  público, como a linha 1A do Metrô. Ou então transferindo a culpa para a  natureza ou, o que é mais revoltante, para as próprias pessoas que moram  em locais em permanente risco e precarização ambiental.  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Em décadas de militância nunca vi nenhum morador dessas áreas afirmar  que gosta de morar ali onde está. Nunca vi ninguém expor, por opção  própria, sua família a uma vida sem água, sem esgoto, sem moradia digna e  em permanente risco. O que vi, e continuo vendo, são milhões de pessoas  obrigadas a ocupar estes territórios, por força de uma política  econômica que achata salários e precariza empregos.  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; São não-cidadãos colocados à margem da sociedade, invisíveis e tratados  como peças de reposição das engrenagens do mercado, para serem usados se  e quando necessário. Pessoas confinadas em guetos, onde o Estado só se  faz presente através da repressão policial, sem saúde e educação. E que,  ao invés de serem alvo de políticas habitacionais que lhes permitam  conseguir uma habitação digna, são alocadas e realocadas de acordo com a  vontade da especulação imobiliária. As casas do PAC racharam com a  primeira chuva. Substituir uma precariedade por outra, não é solução do  problema. É troca de cativeiro.  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; As autoridades do Rio, além de criminalizarem a pobreza, também vêm  responsabilizando os moradores de comunidades pela degradação ambiental  da cidade. No Rio, muros de confinamento têm sido erguidos sob o álibi  de impedirem que os moradores desmatem as encostas. Mas qualquer  levantamento por satélite mostra que são os condomínios e mansões que  estão ocupando as encostas acima da cota 100, destruindo a Mata  Atlântica.  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; O real objetivo é "limpar" o Rio para que se transforme cada vez mais  numa cidade-espetáculo para os ricos, palco de grandes eventos, como  desejam hoje autoridades e empresários. Não é mais suficiente condenar  milhões à invisibilidade do não-acesso à sociedade do consumo. É  necessário varrê-los para baixo do tapete, escondê-los fisicamente com  os tapumes da Linha Vermelha, expulsá-los para o mais longe possível,  para que as áreas onde eles hoje estão sejam "revitalizadas", como se lá  nessas comunidades não houvesse vida.  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Ao longo da história, as cidades vêm perdendo sua referência territorial  por conta e obra das exigências dos mercados. Ocupar áreas de mangue  aterradas ou de várzea, e depois lamentar as inundações tornou-se  freqüente. Incentivar o consumo desenfreado, e depois não saber onde  colocar o lixo, também. Permitir que as indústrias utilizem e poluam a  maior parte da água potável e depois sofrer com a sua escassez vai se  tornando uma norma.  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt; Vivemos em um planeta à beira de uma ameaça que pode colocar em risco a  sobrevivência das espécies, entre elas a humana. O sistema que polui  águas, solos e ar, que vem dilapidando as riquezas naturais e causando  uma devastação ambiental dramática, tem a capacidade de destruir também o  equilíbrio do clima. Tudo isso pela utilização de modos de produzir e  combustíveis que agridem a natureza. Têm valido a pena? &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-8901994230804747202?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/8901994230804747202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=8901994230804747202' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/8901994230804747202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/8901994230804747202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2010/04/chuvas-no-rio-nem-tudo-vale-pena.html' title='Chuvas no Rio: nem tudo vale a pena'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-8791351179362289056</id><published>2009-12-10T16:40:00.001-08:00</published><updated>2009-12-10T16:41:23.514-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mudanças climáticas'/><title type='text'>Photoshop climático</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Teorias da conspiração existem faz tempo. Basta navegar no Google e nos deparamos com elas: o homem não alunissou na Lua; Elvis e Jim Morrison não morreram e Paul McCartney está morto; Kennedy foi vítima de um complô que reuniu CIA, o serviço secreto de Cuba e a Máfia; Bush e Bin Laden são cúmplices no 11 de setembro; o Flamengo só foi hexacampeão devido à conspiração que envolveu CBF, Rede Globo, Microsoft, CIA, Corinthians e Grêmio.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Todas as teorias estão amparadas na crença da existência de um plano secreto operado maquiavelicamente por organizações poderosas, acima do nosso controle, ou do nosso vão entendimento.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Algumas delas apresentam argumentos tão débeis que não resistem ao primeiro olhar. A alegada farsa do pouso do módulo lunar Eagle no deserto de Nevada, ao invés do Mar da Tranqüilidade, para ser levada a sério, teria que abstrair a Guerra Fria. Por que os russos deixariam passar esta farsa? Outras são sustentadas por depoimentos de especialistas, cientistas e matemáticos, como aqueles que negavam a possibilidade do Flamengo ser campeão, e do Fluminense escapar do rebaixamento.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A teoria da vez é do "Climagate". Ela surgiu às vésperas da COP-15, 15ª Conferência das Partes da Convenção de Mudanças Climáticas da ONU, que já está sendo realizada em Copenhague, e onde o planeta espera que se acorde um tratado que substitua as insuficiências daquele produzido em Kyoto, no sentido de redução da emissão dos gases do efeito estufa.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Milhares de e-mails supostamente trocados entre os cientistas do IPCC vazaram, revelando um "complô" desta comunidade científica no sentido de supervalorizar a responsabilidade da ação humana no aumento da temperatura da Terra – aumento de temperatura também questionado – e nas decorrentes mudanças climáticas. Não adiantou que estes cientistas denunciassem que suas mensagens tinham sido editadas, colocadas fora do contexto e manipuladas. A teoria estava lançada e colocada em curso.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Imediatamente se deu publicidade a alguns cientistas que vem questionando a associação da ação humana, mais concretamente a ação do modo de produção capitalista, com algum aumento de temperatura no planeta. Para estes, ainda não existe como comprovar cientificamente esta relação, ou pior, não existem indícios de que a temperatura da Terra esteja se elevando.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A quem interessaria, então, esta farsa que envolve milhares de cientistas, entre eles alguns dos mais reconhecidos nas suas áreas de atuação, supostamente mancomunados com a ONU, União Européia, G-77, ong's, ambientalistas, partidos de esquerda, de centro e de direita?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A resposta varia de acordo com o freguês. Para os defensores desta teoria que se alinham à direita, isto não passa de uma orquestração de cientistas "liberais e esquerdistas", no sentido de culpabilizar o capitalismo, o mercado e a livre iniciativa, sob os auspícios da ONU, transformada na ótica destas pessoas, em uma espécie de "V Internacional do Clima".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para quem abraça esta teoria, a partir de uma lógica pretensamente de esquerda, essa mobilização toda é mais uma maquinação do capital em crise, buscando novos mercados e novas oportunidades de lucro. Todo o incômodo dos governos dos países ricos, toda a resistência dos BRIC's em estabelecerem metas reais de redução de emissão de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;eq, seria, na verdade, um jogo de cena para encobrir uma nova etapa de acumulação capitalista.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mesmo que os interesses pareçam ser antagônicos, sua combinação parece indicar a chave para este mistério. A ação do modo de produção capitalista tem feito com que a emissão de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;eq venha aumentando de forma consistente. Em 1970, foram lançadas na atmosfera 28,7 gigatoneladas, contra 49 gigatoneladas em 2004. A temperatura média global vem subindo nestes últimos 25 anos a uma taxa de 0,19ºC por década, mesmo com o arrefecimento da temperatura, por conta da diminuição da atividade solar, nos últimos 10 anos. Além disso, fenômenos como o degelo da calota polar no verão, detonam um efeito cascata de aumento da temperatura, por conta do menor reflexo dos raios solares, e o decorrente aquecimento das águas dos mares. Desta forma o capital merece ser responsabilizado sim, e este calcanhar de Aquiles deve ser explorado pelos partidos de esquerda e movimento anti-capitalista.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por outro lado, faz parte da natureza do capital, assim como dos escorpiões, ser incapaz de fugir do seu destino, mesmo que ele signifique sua própria destruição. O Protocolo de Kyoto fracassou porque, ao invés de se buscar definir, em 1990, metas que significassem redução real das emissões, e que nos teriam livrado da urgência e da iminência da catástrofe, o capital preferiu criar um derivativo novo, baseado na compra e venda do direito de emitir CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;eq. Como sempre, dinheiro trocou de mãos, e o problema persistiu. Então, mesmo agora, com a crise molhando os nossos pés, Copenhague fracassará, porque é da natureza do capital priorizar lucros sobre a vida.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tal como o argumento de armação do hexa do Flamengo soçobrou no empenho do Grêmio no jogo final, a teoria do Climagate não resiste à realidade. Uma fraude deste tipo teria que contar com tecnologia que pudesse derreter geleiras, antecipar estações, acelerar o aumento do nível dos mares, produzir extremos climáticos mais intensos e freqüentes, como os que vêm acontecendo nas Regiões Sul e Sudeste, por exemplo. Tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, é uma evidência de um aquecimento a longo prazo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais do que isso, os indicadores têm mostrado que a velocidade de alguns destes fenômenos tem ultrapassado as previsões. E que a combinação deles indica a antecipação dos cenários mais sombrios, com a temperatura média global podendo chegar a +3ºC ou mais ao final do século. Mesmo que, por hipótese cada vez mais remota, pudéssemos estabilizá-la em +2ºC (levando-se em consideração a temperatura do início da Revolução Industrial), mesmo assim a previsão é a de que teremos mais de 250 milhões de refugiados ambientais, a grande maioria proveniente dos países e regiões mais pobres do planeta.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Conferência de Copenhague ora em curso já tem dado sinais concretos de fracasso. As metas propostas pelos países ricos e BRIC's são jogos numéricos lançados mais para confundir do que para solucionar as questões. Os compromissos voluntários anunciados pelos países indicam um aumento das emissões globais, até que, em 2040, elas sejam o dobro do que são hoje. Esta tendência faria com que a temperatura média global chegasse, ao final do século, a +3°C.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Além disso, apesar de Obama se apresentar como o "eco-presidente" do novo "capitalismo verde", as metas anunciadas pelos EUA são insuficientes, além de que o governo norte-americano (assim como o brasileiro e o chinês) é terminantemente contra estabelecer metas que possam ser questionadas em tribunais mundiais. Um outro documento vazado, e que, portanto, deve ser encarado com cautela, anuncia um plano construído em conjunto pelos  governos dinamarquês, norte-americano e inglês, que retira da ONU o controle sobre o cumprimento das metas voluntárias, colocando-o sob a supervisão do Banco Mundial!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É neste contexto de enfraquecimento da ONU, que, diga-se de passagem, não é nenhuma maravilha, mas que ainda detém um verniz um pouco mais democrático que o Banco Mundial, por exemplo, que surge o Climagate. A quem interessa, desta forma, enfraquecer e desmoralizar o IPCC, órgão da ONU? Talvez aos mesmos que não conseguirão sucesso em Copenhague. Se não é possível ao capital encontrar saídas em Copenhague, que se desmoralize então o problema.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mesmo antes do advento do Photoshop, a burocracia soviética foi capaz de apagar da história e das fotografias, aqueles que condenava á morte e ao esquecimento. Michael Lowy, em "Ecossocialismo e Planejamento Democrático" conta que nos primeiros anos da União Soviética "&lt;em&gt;desenvolveu-se uma corrente ecologista e foram tomadas pelas autoridades soviéticas algumas medidas limitadas de proteção ambiental. Mas com o processo stalinista de burocratização, os métodos produtivistas na indústria e na agricultura impuseram-se por meios totalitários, enquanto os ecologistas foram marginalizados ou eliminados&lt;/em&gt;". Provavelmente, este "photoshop stalinista" fez com que o divórcio entre a esquerda e a ecologia durasse tanto tempo, com sérios prejuízos. Aqui no Brasil, a tradição dos PCs foi fortemente baseada no positivismo expressado na idéia do progresso, e no produtivismo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A defesa do livre "desenvolvimento ilimitado das forças produtivas" não resiste à grave crise ambiental. A matriz fóssil, seja o carvão ou o petróleo, é vetor, não mais do progresso e da realização plena do ser humano, mas da sua destruição. A contradição capital X trabalho permanece, mas se manifesta neste começo de século com uma nova cara. Ignorar ou apagar esta cara, ao invés de nos colocar sob o manto protetor de verdades já conhecidas, só faz aumentar nossa incapacidade de entender o mundo e, desta forma, poder transformá-lo.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-8791351179362289056?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/8791351179362289056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=8791351179362289056' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/8791351179362289056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/8791351179362289056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2009/12/photoshop-climatico.html' title='Photoshop climático'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-419617123687505651</id><published>2009-11-25T10:26:00.001-08:00</published><updated>2009-11-25T10:29:07.207-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições 2010'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PSOL'/><title type='text'>Se eu fosse conversar com Marina</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Está no site do PSOL que "&lt;em&gt;a executiva nacional do PSOL por intermédio de uma comissão de seus dirigentes e parlamentares realizará uma agenda de debates com setores da sociedade civil, dos movimentos sociais a exemplo do MST e entidades sindicais e populares, partidos políticos que compuseram o arco de alianças da nossa candidatura em 2006 (PSTU e PCB), com os nomes apresentados no interior do partido e com a pré-candidatura da Senadora Marina Silva&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O debate com Marina, em especial, tem dado o que falar (escrever e discutir), dentro e fora do partido. Filiados e não-filiados ao PSOL dividiram-se em 2 lados, como em um campo de futebol, apaixonadamente defendendo seus pontos de vista e até vaiando seus adversários, com grande predominância daqueles que são contra a aliança com ela, sequer admitindo o debate. Nesta partida de futebol, existe quem manteve suas posições desde o primeiro tempo, mas também os que trocaram de lado nas arquibancadas, aos 40 minutos do segundo tempo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sempre defendi este debate com Marina, nos termos que coloquei no post anterior "&lt;a href="http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2009/11/boas-intencoes-somente-nao-bastam.html"&gt;Boas intenções apenas não bastam&lt;/a&gt;". Mas não defendo uma aliança com ela a qualquer preço. O debate que imagino não é pessoal, nem religioso; é essencialmente político e programático, e, evidentemente, fraterno.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se – por absurdo, já que não sou membro da Executiva do PSOL – fizesse parte dessa comissão, como ecossocialista que procuro ser, defenderia, não somente para o diálogo com ela, mas em todos os debates anunciados, uma série de pontos que dizem respeito à agenda que gostaria que o PSOL apresentasse nas eleições do próximo ano, e para além delas, assumindo-os como bandeiras de luta. Se me permitem, vamos a eles, com sucintas explicações sobre cada um:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="color: rgb(148, 54, 52);"&gt;&lt;em&gt;Um modelo de desenvolvimento baseado na justiça social e ambiental, centrado na garantia do bem-viver para todos e todas e no acesso aos bens fundamentais universais tais como água, comida, saúde, educação, habitação, direito à terra, ao conhecimento, etc., com respeito à biodiversidade biológica e social e aos ciclos naturais do planeta, em contraposição ao modelo atual baseado na exploração de pessoas e recursos, submetidos às lógicas do mercado e do consumo&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. Nesta eleição, a discussão sobre modelos de desenvolvimento vai estar colocada. Cabe apresentar uma alternativa tanto ao desenvolvimentismo devastador de Dilma e Serra, como ao desenvolvimento sustentável de Marina, que não chega à raiz do problema.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="color: rgb(148, 54, 52);"&gt;&lt;em&gt;Auditoria dos passivos ambientais e à saúde do trabalhador, principalmente das grandes empresas que exportam os lucros e deixam os prejuízos, ao introduzirem indústrias e técnicas poluentes para nosso país, e pressionarem o governo brasileiro a flexibilizar o cuidado com o ambiente&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. Não é somente o governo Lula o responsável pela degradação ambiental, mas o modo de produção capitalista.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="color: rgb(148, 54, 52);"&gt;&lt;em&gt;Auditar, em especial, a Dívida Ecológica da Petrobras a partir dos inúmeros passivos ambientais que a produção de petróleo e derivados tem provocado no Brasil e na América Latina, resgatando-a com a utilização de parte da receita da empresa na pesquisa e desenvolvimento de matrizes energéticas limpas&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. O pré-sal e a Petrobras são o eixo da continuidade do modelo de desenvolvimento fossilizado. É contraditório esperar que as receitas do pré-sal financiem estas pesquisas. Algo como puxar os próprios cabelos para sair do lamaçal onde nos enfiamos. Além disso, através da Petrobras, o Brasil tem assumido um papel sub-imperialista na região.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="color: rgb(148, 54, 52);"&gt;&lt;em&gt;Engajamento pleno do país no esforço de redução da emissão dos gases formadores do efeito estufa, seja na preservação da Amazônia, como na substituição das tecnologias poluidoras das indústrias, estabelecendo metas de redução próprias, e pressionando, nos organismos multilaterais, por metas planetárias que estabilizem a temperatura média global dentro do limite dos +2°C&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. Copenhagen promete ser um fracasso ainda maior do que foi Kyoto, como "solução" capitalista para a crise das mudanças climáticas. Fora os países pobres do Sul, nenhum país desenvolvido ou integrante dos BRIC's (Brasil entre eles) quer se comprometer concretamente com metas de redução, preferindo falar em "compromissos políticos" que os ventos dos extremos climáticos podem levar.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="color: rgb(148, 54, 52);"&gt;&lt;em&gt;Redirecionar a produção de veículos automotivos, privilegiando a fabricação de veículos coletivos sobre a de carros individuais. Aumento na taxação sobre a fabricação e venda de veículos poluentes e/ou consumidores de combustíveis fósseis e isenção tributária para os que utilizam fontes mais limpas e renováveis. Recuperar a extensa malha ferroviária brasileira, privatizada e decadente, para o transporte de mercadorias e pessoas&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. Retirar o carro individual das ruas, antes que ele nos tire do planeta.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="color: rgb(148, 54, 52);"&gt;&lt;em&gt;Mobilização dos recursos e esforços do Estado para alcançarmos o Desmatamento Zero na Amazônia, com rediscussão sobre as atividades produtivas na Região, somente liberando novos projetos agropecuários em áreas já desmatadas, com recuperação das áreas degradadas e replantio da floresta nativa em parte da área, garantindo-se a recuperação das áreas de reserva legal e de preservação permanente degradadas&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. O governo Lula comemorou a queda do desmatamento na Amazônia, e o ministro Minc teve a cara-de-pau de atribuir esta queda à Dilma. É justo comemorar, mas é correto entender que esta queda tem muito mais a ver com a crise econômica que provocou retração no agronegócio, do que à ação da "Mãe do PAC", com suas hidrelétricas construídas no coração da floresta.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="color: rgb(148, 54, 52);"&gt;&lt;em&gt;Reforma agrária ecológica, com o direcionamento de recursos para a agricultura familiar ou cooperativada, visando à produção de alimentos, em substituição ao atual incentivo ao agronegócio concentrador de terra e renda&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. Quem pode garantir a soberania alimentar do país, e o fim da violência do campo, é a reforma agrária, seguindo padrões ecológicos.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="color: rgb(148, 54, 52);"&gt;&lt;em&gt;Revisão do Plano Decenal de Energia, com o cancelamento da construção de novas usinas nucleares, conversão das atuais para usinas a gás natural, e moratória na construção das mais de 80 termelétricas previstas no Plano&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. Quando a preocupação mundial é a descarbonização da produção de energia, o Brasil pretende atrelar a sua produção a termelétricas alimentadas a carvão, além de construir usinas nucleares no Nordeste, logo em uma região tão eólica e solar.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="color: rgb(148, 54, 52);"&gt;&lt;em&gt;Rediscussão da atual Lei das Florestas, substituindo-a por outra que garanta a concessão para exploração sustentável, por parte de cooperativas de para ribeirinhos, extrativistas, quilombolas e pequenos produtores, assim como impeça a abertura para o capital nacional e multinacional, por prazo muito extenso e pouca garantia de fiscalização pelo governo, dado o déficit de fiscais na área ambiental&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. A privatização das florestas, assim como o desmanche da legislação ambiental, são ferramentas utilizadas pelos ruralistas, muito mais afiadas do que as moto-serras.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="color: rgb(148, 54, 52);"&gt;&lt;em&gt;Reestatização do Setor Elétrico, com financiamentos visando acabar com desperdícios na transmissão, distribuição e consumo de energia. Fim dos subsídios aos grandes consumidores, ampliando o alcance da tarifa social de energia&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. Essa é uma demanda antiga, anterior aos apagões da Dilma. Somente a otimização estes processos, produziria um ganho de 30%. A energia elétrica para o pequeno consumidor é uma das mais caras do mundo, subsidiando o gasto das indústrias. Maravilhas da privatização.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="color: rgb(148, 54, 52);"&gt;&lt;em&gt;Rediscutir as obras e metas do PAC, redirecionando-as para o saneamento básico, e obras de infra-estrutura para a reforma agrária e urbana, habitação e meio ambiente, além de ações no sentido de adaptar e minorar os efeitos das mudanças climáticas nos aglomerados urbanos e no campo&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. As metas do PAC foram construídas em torno do atendimento dos interesses dos setores exportadores, para consolidar o papel do Brasil como grande exportador de recursos e produtos com pouco valor agregado. Os lucros das empresas por conta dessas obras de infra-estrutura serão mínimos frente às despesas públicas no atendimento das tragédias provocadas pelos extremos climáticos.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="color: rgb(148, 54, 52);"&gt;&lt;em&gt;Recolocar a discussão ampla sobre a transposição do rio São Francisco, culminando em um plebiscito nacional, iniciando imediatamente a revitalização do rio, reconstituindo a mata ciliar e impedindo o lançamento de efluentes de origem industrial, e agrotóxicos. Combater a desertificação e mitigar os efeitos da seca na região do semi-árido, com a construção de 1 milhão de cisternas de placa e a adoção de práticas sustentáveis já experimentadas e bem sucedidas pelas comunidades da região&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. Enquanto as obras avançam, e as empreiteiras e o agronegócio sorriem, o Velho Chico nunca esteve tão combalido. Assoreamento provocado pela devastação da mata ciliar, poluição provocada por agrotóxicos, pesca comprometida, vidas em jogo.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="color: rgb(148, 54, 52);"&gt;&lt;em&gt;Pré-sal - baseado na posse soberana deste recurso natural (ainda) estratégico, e na sua utilização dentro de uma perspectiva sustentável, o que significa não utilizá-lo como base de mais um ciclo de desenvolvimento ancorado em matriz fóssil. Ao contrário, utilizar parte da receita para a transição dessa matriz baseada em carbono para um "mix" de matrizes renováveis e mais limpas. Para isso, é fundamental uma Petrobras não somente reestatizada, mas principalmente pública, isto é, migrar do controle e do atendimento dos interesses dos acionistas, para o controle e atendimento dos interesses dos trabalhadores e da maioria do povo brasileiro&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. Complementa o ponto 3. Lá está a fonte dos recursos para a pesquisa de novas matrizes. Aqui, o dinheiro para a transição. O controle da "torneira", mais do que estatal, é público, de acordo com os interesses da maioria da população.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-419617123687505651?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/419617123687505651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=419617123687505651' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/419617123687505651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/419617123687505651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2009/11/se-eu-fosse-conversar-com-marina.html' title='Se eu fosse conversar com Marina'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-2834500012934570462</id><published>2009-11-23T12:43:00.001-08:00</published><updated>2009-11-25T05:40:25.034-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições 2010'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PSOL'/><title type='text'>Boas intenções somente não bastam</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:12pt;"  &gt;&lt;strong&gt;Uma tragédia anunciada&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;A provável candidatura da companheira Marina Silva à Presidência da República, deflagrada a partir do anúncio – em meados de agosto deste ano – de sua saída do PT, só ajudou a confirmar o que boa parte do movimento ambientalista já acreditava: a incorporação definitiva das questões ambientais na agenda política e eleitoral de 2010.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Esta mistura de convicção e torcida era fundamentada pelo agravamento da crise ambiental provocada pelas mudanças climáticas, fruto do aumento da concentração de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; equivalente na atmosfera, em níveis muito superiores à capacidade do planeta em absorvê-lo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;O decorrente aumento da temperatura média global já tem provocado – mesmo com a reticência e resistência de uma minoria de cientistas – o desencadeamento de fenômenos e extremos climáticos, que começam a penalizar as populações, em especial aquelas mais precarizadas. A última má notícia é que, ao invés desta ameaça corresponder a algum esforço mundial no sentido de redução das emissões, na verdade, entre 1990 e 2008 houve um aumento de quase 41% nas emissões de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;, provenientes da queima de combustíveis fósseis. A partir desse aumento, os modelos computacionais apontam para os piores cenários previstos pelo IPCC, onde a temperatura global aumentará, ao final deste século, entre 5ºC e 6ºC.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Se considerarmos que os patamares de 1990 correspondem aos níveis que o Protocolo de Kyoto se propunha a reduzir, fica fácil entender a incapacidade do capitalismo em resolver os problemas que cria. E os prognósticos para a Conferência do Clima em Copenhagen, a ser realizada em dezembro, apontam para o fracasso em se conseguir um acordo que signifique algum avanço. Na verdade, é quase seguro que Copenhagen seja um retrocesso em relação, inclusive, à debilidade das soluções de Kyoto, já que EUA, China, Brasil e outros grandes emissores relutam em assumir metas concretas de redução, preferindo apresentar "compromissos políticos".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;A este quadro se somam a degradação de todos os indicadores ambientais no Brasil, patrocinada pelo governo Lula, mais a investida dos ruralistas e conservadores ao que ainda resta de legislação ambiental, além do anunciado modelo de desenvolvimento fóssil, baseado na exploração do petróleo do pré-sal.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:12pt;"  &gt;&lt;strong&gt;Uma oportunidade perdida&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Quando, mesmo antes do anúncio de sua saída do PT, ficou claro que Marina ensaiava este movimento, companheir@s ecossocialistas começamos a defender que o PSOL a procurasse. Não entendíamos a insistência da maioria da direção do partido em tentar atrair o delegado Protógenes, enquanto que Marina e seu grupo anunciavam a quem quisesse ouvir sua ruptura com o governo, a partir de duras críticas ao seu descalabro ambiental.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Além disso, considerávamos – e ainda consideramos, mesmo depois de várias declarações equivocadas e infelizes da companheira, além de sua opção pelo PV – que este movimento tinha um caráter positivo, por apontar talvez o mais visível calcanhar de Aquiles do governo Lula, isto é, sua (des)política ambiental.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Mas naquele momento, quando a decisão da companheira Heloísa Helena de não disputar a Presidência da República ainda não tinha sido anunciada, certamente não havia interesse em atrair para o PSOL uma outra companheira com visibilidade pública semelhante. Com a proximidade do Congresso do PSOL, a discussão com Marina foi sendo congelada, e com isso se perdeu a melhor, ou, talvez, a única oportunidade real de atraí-la politicamente para o projeto do PSOL. É possível dizer, então, que se Marina fez uma opção errada ao integrar-se junto com seu grupo ao PV, também o PSOL, enquanto abria generosos guarda-sóis para Protógenes, sequer abriu uma sombrinha para Marina, longe de cumprir seu papel de guarda-chuva da esquerda e dos combatentes sociais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Não deveria ser motivo de espanto, dessa forma, que as limitações do modelo de desenvolvimento "sustentável" de Marina, que nunca deixamos de apontar, fossem amplificadas, em tal má companhia como o PV e os "eco-empresários" que dela se aproximaram demonstraram ser. Além disso, na medida em que, entre seu grupo de apoio, que a acompanhou para o PV, os que se assumem como ecossocialistas aparentemente são muito minoritários, não existe, pelo menos a curto prazo, nenhuma indicação de que a "refundação do PV", com afastamento dos setores fisiológicos, realmente ocorra.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:12pt;"  &gt;&lt;strong&gt;A formatação do diálogo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Mesmo assim, nós que defendíamos procurar Marina, insistimos na proposta, não porque considerássemos possível qualquer reversão desse quadro, mas porque achamos importante que o PSOL se aproxime de quem está preocupado com o futuro da humanidade e considera importantes as questões ambientais. E, certamente, parte significativa dessas pessoas comporá a sua possível base de apoio, além de inúmeros militantes socioambientais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Apesar de Marina não ser, e nem nunca ter se reivindicado, ecossocialista, sua história é repleta de episódios onde demonstrou ter uma preocupação ambiental, casada com outra social. Sua passagem pelo governo Lula, porém, foi contraditória. Se, na liberação da soja transgênica, ela comprou uma polêmica pública com Lula, partiu de seu ministério a Lei de Gestão das Florestas, que abriu as portas para a exploração privada da madeira e da biodiversidade. Se ela entrou em choque com o governo, sendo contrária a aprovação da Lei de Biossegurança, teve total identidade com ele na transposição das águas do Rio São Francisco. Bateu de frente com Dilma na discussão sobre os "entraves" do licenciamento ambiental, mas foi na sua gestão no MMA que houve a reformulação do IBAMA.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;De qualquer forma, apesar dessas contradições, Marina construiu-se, nacional e internacionalmente, como vítima da política ambientalmente predatória do governo. Dialogar e atrair estes segmentos, mostrando os limites da sua visão em combater a tragédia ambiental provocada pelo capitalismo, sem, contudo, combatê-lo, vai além da mera afirmação da teoria ecossocialista, principalmente para quem começa a ter uma preocupação "eco", e não sabe, ou esqueceu, o significado do que é ser socialista.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Por isso é que a conversa com Marina, do nosso ponto de vista, deveria ser o mais politizada e politizadora possível, construída sobre um punhado de questões programáticas importantes para o PSOL, tais como a política econômica, a dívida pública, a reforma agrária, a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais, entre outras.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Mas não só essas questões "tradicionais" da esquerda. Para nós, o partido também deveria levar para a conversa sua visão sobre o meio ambiente, a partir do acúmulo – ainda débil, mas consistente – da discussão ecossocialista no interior do partido. Culpabilizar o modo de acumulação capitalista pelos trágicos problemas ambientais que enfrentamos, assim como a fome, questionando ainda o modelo "sustentável" defendido por ela.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Apresentar nossa visão sobre o desmatamento da Amazônia, a mudança da matriz energética, a necessidade de uma reforma agrária ecológica, uma auditoria dos passivos ambientais provocadas pelas indústrias, a reestatização do setor elétrico, e tantos outros pontos sobre os quais @s ecossocialistas do PSOL têm acúmulo. Deixar de apresentar estas questões, significaria dizer que ao PSOL cabe propor as questões da "grande política", endossando assim a política ambiental limitada de Marina, e o "ecocapitalismo" do PV.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Para isso, contudo, era necessário que a conversa tivesse se dado logo em agosto, mas, principalmente, que nossa principal figura pública, cuja representatividade também é patrimônio do partido e de seus e suas militantes, a usasse como ferramenta de deslocamento de Marina o mais a esquerda possível. O que se viu, infelizmente foi coisa bem diferente. Não só ela, como outr@s dirigentes e figuras públicas do PSOL, vêm dando declarações que sinalizam um apoio incondicional à Marina, ou somente levando em conta questões eleitorais. Isso, sem que o partido ainda tenha decidido coletivamente sua posição.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Times New Roman;font-size:12pt;"  &gt;&lt;strong&gt;Candidatura própria: a única alternativa&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Com tantos sinais trocados, e com o debate partidário sendo feito na grande imprensa, o que fragiliza ainda mais a democracia interna, valorizando a visibilidade pública de alguns, em detrimento da "invisibilidade coletiva" da maioria d@s militantes do PSOL, é necessário, mais do que nunca, desfazer a confusão que reina entre a base militante do partido.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Isso significa dizer que:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;O caráter positivo da movimentação de Marina se mantém, do ponto de vista do questionamento do desastre ecológico que é o governo Lula, e da urgência colocada pela crise provocada pelas mudanças climáticas;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Este caráter positivo aponta como tarefa para o PSOL continuar, durante e após as eleições, um diálogo com Marina e seu grupo, e, principalmente, com as bases apoiadoras de sua candidatura&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Apesar de existirem alguns indícios de que possa vir a existir uma "refundação do PV", isto hoje não altera o caráter fisiológico desse partido, que se alinha com o que existe de pior no cenário político brasileiro;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;A insistência de Marina em não questionar as políticas econômicas de FHC e Lula é contraditória com sua intenção de apresentar uma alternativa de desenvolvimento realmente sustentável social e ecologicamente;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Neste sentido, a menos que haja alguma mudança fundamental, o que não parece ser o mais provável, a oportunidade de um contato formal do PSOL com ela se mantém, no sentido de esclarecer e concretizar, de forma clara, convergências e divergências.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;No entanto, tal diálogo só faz sentido se for construído a partir da colocação na pauta de pontos programáticos, inclusive os ambientais, que norteiam o caráter anticapitalista do PSOL;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Cabe à direção do PSOL, a partir de agora, tornar transparente este processo, combatendo a guerra de versões e interpretações sobre ele;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Na provável inviabilidade de uma aliança entre o PSOL e Marina, a única alternativa possível é a de uma candidatura própria do PSOL. Construirmos, dentro do partido, um amplo e democrático debate sobre qual companheiro ou companheira do PSOL será mais indicado para disputar a Presidência da República, a partir da existência da pré-candidatura do companheiro Plínio, já apresentada ao partido, e de outras que se coloquem até a Conferência Eleitoral do PSOL, que será realizada ano que vem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Uma candiatura que defenda um programa que dialogue com a realidade da ampla maioria da população brasileira, e onde as questões ambientais tenham protagonismo, sob o ponto de vista ecossocialista.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-2834500012934570462?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/2834500012934570462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=2834500012934570462' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/2834500012934570462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/2834500012934570462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2009/11/boas-intencoes-somente-nao-bastam.html' title='Boas intenções somente não bastam'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-7449213998714828090</id><published>2009-05-27T06:32:00.001-07:00</published><updated>2009-05-27T06:34:49.279-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sustentabilidade'/><title type='text'>Réquiem para a Mata Atlântica</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Outro dia, em um debate, uma pessoa me perguntou se "esse negócio de mudanças climáticas não era um plano de cientistas de esquerda para desestabilizar o Bush". Respondi que os moradores de Santa Catarina provavelmente não tinham mais dúvidas sobre isso, depois do furacão e das chuvas e deslizamentos do ano passado. Ainda não haviam começado as chuvas no Norte/Nordeste, nem a seca no Sul/Centro-Oeste.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Lembrei-me disso porque, de vez em quando, as pessoas vêm comentar comigo que a questão do Desmatamento Zero na Amazônia é importante, mas... é muito longe e as pessoas não tem como se mobilizarem por algo tão distante.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Pois bem, aí estão os números da Mata Atlântica que é o nosso quintal, inclusive com o prazo para sua extinção: 40 anos. Os efeitos do desmatamento estão presentes e visíveis para qualquer um que pegue a estrada em uma viagem de fim de semana, daquelas que nós, pessoas da cidade, fazemos para "ver o verde". A menos que nos conformemos em olhar para o capim, vai ficar cada vez mais difícil!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Mesmo assim, assistimos placidamente a extinção do bioma Mata Atlântica, com toda sua maravilhosa biodiversidade, assim como "naturalizamos" as consequências das mudanças climáticas, as condições mais insalubres de vida nas cidades, ou a destruição da Amazônia. Mesmo que, conscientemente, nos indignemos e nos preocupemos, não conseguimos transformar estes sentimentos em uma ação prática. Alguns, nem tentam.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Durante o FSM, em outro debate realizado em uma tenda montada em frente a um fragmento de mata, um dirigente do PSOL de Pernambuco perguntou - depois de eu ter explicado os efeitos que as mudanças climáticas poderiam provocar no Brasil e a importância de preservar a floresta amazônica - como transformar essa questão em uma campanha de massas, já que era difícil mobilizar as pessoas sobre esses temas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Confesso que minha primeira vontade foi de associar o desmatamento da Amazônia a um escândalo de corrupção qualquer, para ver se animava o companheiro, mas engoli a "gracinha" e disse:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; - É só ter vontade política.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-7449213998714828090?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/7449213998714828090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=7449213998714828090' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/7449213998714828090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/7449213998714828090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2009/05/requiem-para-mata-atlantica.html' title='Réquiem para a Mata Atlântica'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-2376882986247408615</id><published>2009-05-21T07:36:00.001-07:00</published><updated>2009-05-21T07:46:58.687-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sustentabilidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='energia'/><title type='text'>A ficha não caiu</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Parece que a Conlutas resolveu adotar a mesma tática da maioria da direção do PSOL, de denúncia da corrupção. Isso fica claro quando lemos a nota disponível em &lt;a href="http://www.conlutas.org.br/exibedocs.asp?tipodoc=noticia&amp;amp;id=3086"&gt;http://www.conlutas.org.br/exibedocs.asp?tipodoc=noticia&amp;amp;id=3086&lt;/a&gt;. É evidente que existe, por trás do afã investigativo da direita, uma tentativa de colocar a questão da privatização da Petrobras. Evidente, também, que o governo Lula e o PT aparelharam a Petrobras, como "nunca antes nesse país". Mas restringir a luta e o discurso apenas à corrupção e a reestatização é muito pouco.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Primeiro, a questão da reestatização, com "controle dos trabalhadores". Este apêndice geralmente é colocado como um "item de segurança", quando não se sabe ao certo como explicar o que precisa ser mudado. Pelo o que eu tenho visto na Campanha o Petróleo Tem Que Ser Nosso, uma gestão dos trabalhadores não alteraria muito a operação da Petrobras.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dos governistas da CUT aos ultra-anarquistas - com honrosas exceções, como a FOE,  a Intersindical, pronunciamentos da diretoria do Sindpetro-RJ e alguns poucos ambientalistas - que passaram pelas Plenárias da Campanha, o discurso da esquerda é o de abrir as torneiras e "deixar queimar", sob o álibi de que, desta vez, o dinheiro seria usado em saúde, educação, saneamento e reforma agrária, seguindo o discurso do governo Lula a respeito do pré-sal. Note-se, também, que o meio ambiente passa longe nessas prioridades.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; É estranho que se assuma o discurso de Lula de forma acrítica. Porque o governo Lula já teria, há muito tempo, como fazer esta transferência de recursos, se não estivesse preocupado em juntar dinheiro para mandar para os rentistas nacionais e internacionais. Mas nem é esse o caso, já que o governo Lula é tudo menos um governo dos trabalhadores, por mais que a CUT o apóie. Outra discussão pertinente seria se a CUT é dos trabalhadores, mas isto é um outro post, para uma outra hora.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O xis dessa primeira questão é que o controle dos trabalhadores, que foi usado para diferenciar esta Petrobras proposta pela Conlutas, de uma Petrobras reestatizada, segundo o &lt;em&gt;modus operandi&lt;/em&gt; vigente, ainda é pouco. Além de reestatizada, a Petrobras tem que ser pública, ou seja, para atender os interesses, não dos seus acionistas, mas da maioria da população brasileira. Esta é a contraposição real com os direitistas do DEM do PSDB! O modelo estatal atual, substituindo-se os apaniguados petistas pelos seus próprios, não causaria desconforto para eles.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como já escrevi em outro post, uma Petrobras pública não empurraria com a barriga, por exemplo, a redução do enxofre no combustível, como esta diretoria da Petrobras fez, provocando doenças respiratórias que condenarão à morte milhares de pessoas, além de deixar outras milhares enfermas. Nesse caso, se falarmos em Petrobras assassina é um exagero, a sua diretoria certamente o é. DIRETORIA DA PETROBRAS ASSASSINA!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em segundo lugar, é preciso interromper a lógica do desenvolvimento a qualquer preço, implementada pela Petrobras, que segue a lógica do próprio governo. Aqui são os recursos naturais – o petróleo – que estão sendo mais uma vez exauridos (doados?) sem nenhum projeto eco-estratégico. Como falar em desenvolvimento, ao custo do esgotamento dos recursos? E o que diz a Conlutas sobre a Petrobras: "&lt;em&gt;colocá-la a serviço da classe trabalhadora e da população mais carente, vendendo gasolina, diesel e gás mais barato, além de fortalecer o patrimônio e a soberania nacional&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com todo o respeito que os companheiros me merecem, esta é a mesmíssima visão do governo Lula. Desde quando queimar um recurso ainda estratégico significa fortalecer o patrimônio e a soberania nacional? Principalmente quando todo mundo sabe que ele se encontra à beira do esgotamento. De que maneira isto fortalece nossa soberania? Somente no cálculo do PIB, que é um índice do capital para aferir o capital, é que a extração de uma riqueza é vista como uma coisa positiva. Qualquer estudante de contabilidade sabe que quando você vende algo que lhe pertence, você perde patrimônio.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que nos remete à última questão: a questão ambiental. Como já disse antes, sobre ela, nenhuma palavra, assim como no cálculo do PIB, que despreza os custos ambientais. Sem fazê-lo, o capital não teria como falar em desenvolvimento em nenhum país, nas últimas décadas. A começar pela Segunda Guerra Mundial, cujos custos ambientais e sociais ficaram de fora da conta, da forma como o capital superou a Depressão de 1929.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pegando um mega-exemplo mais recente: se os tremendos passivos ambientais, provocados pelo seu modelo de desenvolvimento acelerado, fossem levados em consideração, a China amargaria índices negativos, ao invés da pseudo pujança que exibe, e que serve de modelo para vários outros países do Sul, como o Brasil de Lula, que experimentou índices de desenvolvimento que eludiram o desmatamento da Amazônia pelo agronegócio, entre tantas outras catástrofes ambientais.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como disse recentemente Emanuel Cancella, diretor do Sindpetro-RJ, o dinheiro do pré-sal deve ser usado também para a pesquisa e implementação de matrizes energéticas limpas e renováveis, como a solar e a eólica. Outra parte da receita deve ser usada em obras que adaptem as cidades aos efeitos – alguns, infelizmente, já presentes – das mudanças climáticas, provocadas pela escalada do aquecimento global.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E a nota da Conlutas, na contramão da luta contra esta ameaça à humanidade, fala em vender gasolina e diesel mais barato, sem levar em consideração o efeito dessas medidas demagógicas: mais veículos rodando; mais CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; vomitado para a atmosfera; maior velocidade no aquecimento médio do planeta.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Apesar da veemência, não quero deixar a falsa impressão de que se trata de um post contra a Conlutas. Em post recente, desanquei uma resolução do PSOL que, da mesma forma que essa nota, voltou as costas para mudanças climáticas e seus efeitos, como de resto faz a grande maioria dos partidos e organizações de esquerda, além dos movimentos sociais. Para eles, infelizmente, a ficha ainda não caiu.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-2376882986247408615?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/2376882986247408615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=2376882986247408615' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/2376882986247408615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/2376882986247408615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2009/05/ficha-nao-caiu.html' title='A ficha não caiu'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-829436618714977761</id><published>2009-03-25T13:08:00.001-07:00</published><updated>2009-03-25T13:10:37.171-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ecossocialismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Aquecimento congelado</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;É decepcionante, em vários sentidos, a Resolução do Diretório Nacional do PSOL sobre o momento político, intitulada "Os trabalhadores não devem pagar a conta da crise" disponível em &lt;a href="http://www.psol.org.br/nacional/diretorio/1414-resolucao-sobre-o-momento-politico-os-trabalhadores-nao-devem-pagar-a-conta-da-crise"&gt;http://www.psol.org.br/nacional/diretorio/1414-resolucao-sobre-o-momento-politico-os-trabalhadores-nao-devem-pagar-a-conta-da-crise&lt;/a&gt;. Se é verdade que o partido dá um salto de qualidade, ao reconhecer a centralidade do enfrentamento da crise, ultrapassando os limites do combate à corrupção, o PSOL não consegue ainda, em sua nota datada de 21 de março, apontar os reais contornos desta crise, o que certamente limita as propostas de combate aos seus efeitos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em posts passados, ou em documentos indicados por este blog, foi apresentada uma visão mais ampla desta crise e dos seus efeitos, além da defesa de que as respostas que a esquerda radical, não-cooptada, deva dar a ela, sejam também mais amplas, para darem conta de seus diversos aspectos, já que o que está colocada é uma convergência de várias crises – financeira, econômica, social, ambiental, alimentar, entre outras –, anunciando assim uma crise da civilização do capital.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Infelizmente, a Resolução do PSOL concentra-se somente nos aspectos financeiros e econômicos da crise, repetindo a velha concepção, muito presente ainda em uma parte considerável da esquerda, que insiste em considerar as lutas econômicas como as únicas que, na verdade, interessam. No caso do PSOL, a bem da verdade, a questão da corrupção parece ser a outra questão relevante da conjuntura.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sobre a crise ambiental, que hoje se concretiza na ameaça que as mudanças climáticas, provocadas pelo aquecimento global, podem trazer à continuidade da vida dos seres humanos e boa parte das espécies no planeta, nenhuma palavra. Isto um mês após ter sido divulgado um relatório da Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA, em inglês), órgão do Departamento de Comércio norte-americano, que aponta uma aceleração na concentração de dióxido de carbono (CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;) na atmosfera em 2008, contrariando o senso comum que previa uma redução por conta da crise.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Segundo o Relatório, citado pelo Globo Online em &lt;a href="http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2009/02/25/aumento-do-nivel-de-co2-na-atmosfera-acelera-em-2008-754579571.asp"&gt;http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2009/02/25/aumento-do-nivel-de-co2-na-atmosfera-acelera-em-2008-754579571.asp&lt;/a&gt;, enquanto que, em 2007, o aumento da concentração de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; na atmosfera foi de 1,1 partes por milhão (ppm), em 2008 o aumento foi de 2,2 ppm, atingindo a média global de 384,9 ppm, aproximando-se perigosamente (e, ao que tudo indica, cada vez mais rápido) das 400 ppm, número apresentado por vários cientistas como sendo aquele onde as mudanças climáticas – e seus efeitos – se tornarão irreversíveis.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa constatação do Relatório, por si, comprova a incapacidade do capital em resolver essa ameaça. Ao contrário, confirma que se a lógica do lucro pelo lucro, da produção pela produção do capital não for substituída por outra radicalmente diferente, os piores cenários previstos pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) serão confirmados, ou mesmo ultrapassados, em um espaço de tempo mais curto.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pois bem, as mudanças climáticas – de alcance planetário e consequências dramáticas, principalmente para as populações mais pobres – continuam sendo ignoradas pelos partidos de esquerda no Brasil, ou, quando muito, tratadas como coisa exótica, sem que os seus efeitos sejam devidamente compreendidos. Dessa forma, acabam por se eximir de qualquer responsabilidade com as futuras gerações e com o futuro do planeta.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O PSOL acerta ao considerar necessário e fundamental que as forças de esquerda, socialistas e do campo progressista discutam alternativas e apresentem propostas que disputem as saídas pela a crise. Mas se equivoca ao lidar somente com as suas dimensões financeiras e econômicas. Não é possível imaginar ser possível que os outros aspectos da crise possam ficar "congelados", enquanto nos ocupamos das questões "verdadeiramente importantes".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No caso das mudanças climáticas, a urgência de se deter a escalada da temperatura média global, estabilizando-a em até +2ºC – em relação ao início da Revolução Industrial – não permite pensar em saídas que não sejam combinadas para os diversos aspectos da crise, sob pena de as mudanças climáticas tornarem mais dramática ainda a vida dos enormes contingentes, que serão inevitavelmente afetados pela crise.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Além disso, é cada vez mais imperioso combater e derrotar o governo Lula, que vem se comportando como um autista sedado frente à crise ambiental das mudanças climáticas. A cada momento, em cada iniciativa, este governo deixa claro seu compromisso com um modelo de desenvolvimento, por um lado. submisso às necessidades de seus financiadores de campanha: sistema financeiro, agronegócio, construção civil e montadoras; por outro, um modelo produtivista que associa desenvolvimento, com submissão e destruição da natureza. Somente um governo deste tipo apresentaria, por exemplo, um Plano Decenal de Energia que fará aumentar em 165,5% a emissão de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; – por conta da entrada em operação de mais 80 termelétricas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Adotar saídas combinadas para a crise é mais fácil do que a princípio possa parecer, já que muitas propostas já existem, porém ainda isoladas, sem um sentido de unidade. Entre elas, podemos pensar em:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Desmatamento Zero para a Amazônia Já, com a criação de um Fundo Internacional de preservação, com controle público;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Financiamento do BNDES à EMBRAER para o desenvolvimento de usinas eólicas, visando à criação de fazendas de vento;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Ampliação das metas e da abrangência do PROINFA – Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Proibição de financiamento do BNDES a qualquer projeto acoplado a construção de termelétricas;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Antecipação de prazos e aumento das metas de redução de emissão de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; no Plano Nacional de Mudanças Climáticas;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Investimento no transporte público limpo, rápido e de qualidade, com subsídio à fabricação de ônibus e trens;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Reestruturar o PAC, substituindo a construção de portos, estradas e infra-estrutura que atendem ao agronegócio e a exportação de riquezas, por obras de saneamento e fornecimento de água;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;No PAC, desenvolver um programa de adaptação das cidades aos efeitos das mudanças climáticas;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Investir na pesquisa e desenvolvimento de matrizes alternativas de energia utilizando as receitas do pré-sal;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Descontinuar o programa nuclear brasileiro;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Substituir a construção de grandes hidrelétricas previstas no PAC por um conjunto de pequenas usinas com menor impacto no ambiente;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Subsidiar a transformação dos processos produtivos nas indústrias, visando à eficiência energética, à racionalização do uso de água e recursos naturais, e à redução da poluição do ar, dos solos e das águas;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Considerar a água um bem universal, oferecido pelo Estado, com controle público;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Reforma agrária ecológica;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Crédito para a agricultura familiar;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Combate ao deserto verde do eucalipto e cana;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Proibição do plantio, consumo e exportação de transgênicos;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Voltar a agropecuária para a produção de alimentos, visando o atendimento do mercado interno e exportação solidária do excedente;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Programa nacional de habitação ecológica;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Redução do uso do carro individual nas grandes cidades;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Redução imediata do nível do enxofre no combustível;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Incentivo à criação de planos diretores ecológicos;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-829436618714977761?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/829436618714977761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=829436618714977761' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/829436618714977761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/829436618714977761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2009/03/aquecimento-congelado.html' title='Aquecimento congelado'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-1879253558992935618</id><published>2009-03-13T10:55:00.001-07:00</published><updated>2009-03-13T10:57:08.025-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>É preciso estar atento e forte</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Reproduzo a nota de Renato Roseno, presidente do PSOL/CE, sobre acusações feitas pelo ex-prefeito César Maia no seu ex-blog, e que têm sido reproduzidas na Internet. Apesar de, por ser carioca, estar acostumado com as atitudes dessa figura, que quando prefeito alternou alguns momentos de criação de factóides (como esse agora), outros de profundo autismo, quando se eximiu de administrar o Rio de Janeiro, mas que manteve a linha geral de defender uma cidade para poucos, para o benefício de suas elites, mesmo assim não posso deixar de me indignar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Peço que essa mensagem seja reenviada para as suas listas, publicada nos seus blogs, para que a gente consiga resistir a mais esse ataque contra os movimentos sociais e a esquerda combativa, que tem nesses dois compas valorosos representantes.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Abraços solidários a João e Chico e&lt;br /&gt;saudações ecossocialistas a tod@s,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Paulo Piramba&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Nota de Renato Roseno, advogado e presidente do PSOL do Ceará.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Companheiros e companheiras,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desde ontem, nossos companheiros Chico Alencar e João Alfredo vêm sendo atacados.&lt;br /&gt;Um factóide sem qualquer responsabilidade ou fundamento foi lançado pelo demo César Maia (RJ).&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Minha reflexão é que há uma refinada conexão entre os ataques de hoje, os ataques à Luciana Genro na semana passada e toda a onda criminalizante da esquerda e dos movimentos sociais. Interessa à direita que uma nova alternativa de esquerda não tenha legitimidade social e que não ganhe vulto. Em resumo, querem nos colocar na vala comum da política institucional até mesmo antes que ameacemos as acomodações das forças do sistema (há 2010 na espreita e a direita ideológica quer disputar seu naco).&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As informações sobre o fato estão em nosso site:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.psolceara.org.br/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=135&amp;amp;Itemid=1"&gt;http://www.psolceara.org.br/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=135&amp;amp;Itemid=1&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;   &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A questão é que as novas tecnologias permitem a fácil replicabilidade. Como a intenção da imprensa é nivelar por baixo (assim, o povo não há de confiar em organizações ideológicas à esquerda), somente hoje mais de 270 blogs e sites de notícias reproduziram basicamente a mesma matéria feita pela Agência Estado.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Precisamos combater neste ambiente das mídias eletrônicas também. Os abutres de plantão, que por motivos diversos são incomodados com o surgimento do PSOL (à direita e à esquerda), também se fartam em comentários e maledicências, contribuindo para a ação contra nós. Temos que reagir. Sei da solidariedade de todos, mas é preciso militar em defesa de nossos companheiros, de nosso coletivo e de nosso projeto. Vamos impulsionar uma reflexão crítica e politizada sobre o fato: em primeiro lugar, não há denúncia contra nós. É um factóide e precisa ser (des)qualificado como tal. Em segundo lugar: devemos questionar a quem interessa isso (a criminalização e achincalhamento dos lutadores sociais e dos movimentos. Lembrem-se: neste exato momento há uma ofensiva contra o MST. E, por fim, pensar o porquê da grande imprensa ser tão prodigiosa e ágil em reproduzir este tipo de informação que contraria qualquer parâmetro de sensatez e coerência. É a aposta no pior. Contra isso, temos que agir.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Levar bordoadas do José Aníbal (PSDB), do Roberto Jefferson e do César Maia (DEM) é atestado de boa conduta política e ideológica.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"É preciso estar atento e forte"&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Abraços,&lt;br /&gt;Renato&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-1879253558992935618?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/1879253558992935618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=1879253558992935618' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/1879253558992935618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/1879253558992935618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2009/03/e-preciso-estar-atento-e-forte.html' title='É preciso estar atento e forte'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-2214521423115086337</id><published>2009-03-03T05:39:00.001-08:00</published><updated>2009-03-03T05:41:31.151-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Não dá choque no meu bloco</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;O início de governo do novo prefeito do Rio não traz nenhuma novidade: intervenções pirotécnicas, para mostrar que, agora, existe um novo xerife na cidade. De fato, em comparação ao seu antecessor, misto de prefeito autista, com raros lampejos factóides, o atual alcaide parece um dínamo gerador de energia... negativa.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desde que começou a ser trabalhado como alternativa mais conservadora ainda a César Maia, Eduardo Paes repetiu um discurso elitista, de repressão a todas as iniciativas populares de resistência a exclusão, a que são submetidas as camadas mais pobres das cidades neoliberais.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Camelôs, trabalhadores dos diversos setores da economia informal, moradores de comunidades pobres, a eles foi atribuída a culpa pelas mazelas da cidade. Contra eles foi brandida a "fulminante" arma do choque de ordem, que prometia trazer de volta a paz para as elites dominantes, acuadas em seus condomínios de luxo, sem poder desfilar em seus carros viciados em jogar CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; na atmosfera, nem exibir suas jóias ou &lt;em&gt;modelitos&lt;/em&gt; trazidos de Miami.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O seu adversário, no segundo turno, teve o mesmo discurso, mesmo que envolto em uma verborréia "muderna", apostando no charme de ex-guerrilheiro, pós-esquerdista, eco-capitalista e neoconservador. Diante de duas faces da mesma moeda e bombardeado diariamente pela defesa desse modelo de cidade para poucos, o eleitor cantou o uni duni tê e escolheu aquele que errou menos no segundo turno.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que se vê na cidade, desde o primeiro dia de janeiro, são os seus velhos problemas – saúde, educação, mobilidade urbana, habitação, entre eles – mascarados por operações que caçam camelôs, confiscam cadeiras de praia e barracas, revivem a indústria de multas e ameaçam os moradores das comunidades com a volta das remoções. Tudo acompanhado e registrado pela mídia, cujos repórteres e âncoras se comportam como romanos no Coliseu, pedindo mais sangue.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com a aproximação do Carnaval, além dos trabalhadores informais, o prefeito escolheu os novos inimigos: os blocos de carnaval. As acusações começaram a desfilar pela avenida, mais rápido do que a cadência atual das escolas de samba: engarrafadores de trânsito, usinas de produção de xixi, bando de bebedores de cerveja e drogados, desrespeitadores do silêncio e da moral e dos bons-costumes.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Junto com as acusações, as ameaças: "é preciso controlar o aumento desordenado dos blocos", "o carnaval de rua precisa de um choque de ordem". De pronto os &lt;em&gt;pitboys&lt;/em&gt; do governo convocaram os fiscais, cancelaram a folga da Guarda Municipal, chamaram o bispo, aqui d'el rey!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Brinco no carnaval de rua carioca desde a adolescência, quando saía no Cacique de Ramos. Depois de um forçado hiato, acompanhei o surgimento do carnaval de rua na Zona Sul, primeiro na Banda de Ipanema. Mais tarde saía – junto com um monte de barbudos de esquerda – no Bloco do Barbas, que comemorou 25 anos agora em 2009. Pouco a pouco foram surgindo outros blocos, a princípio pequenos e totalmente sem estrutura, até se transformarem nesses rios de gente que, segundo cálculos da Sebastiana (Associação de blocos da Zona Sul, Centro e Santa Tereza), arrastaram mais de 160 mil pessoas em seus desfiles neste ano. Este número corresponde somente aos 11 blocos que fazem parte da Associação.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como era natural que acontecesse, os blocos atrapalhavam o trânsito quando saíam, mesmo com um número muito menor de foliões do que hoje. Neste tempo todo, desfilando como "passista" e, mais tarde, como "esforçado ritmista", sempre prestei atenção na reação dos que não estavam brincando. Nunca vi nenhuma demonstração de raiva ou irritação contra os brincantes, por parte da população que passava de ônibus, e que acenava ou ficava rindo da esquerda branca e desajeitada. As únicas manifestações contrárias vinham, e ainda vem, dos que passam em seus carros, irritados com a demora em chegar a lugar nenhum, para não fazer nada de relevante, reação típica de uma classe média sem projeto e sem vida.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É engraçado que seja justamente o trânsito a primeira reclamação contra a proliferação dos blocos. Mais engraçado ainda que ela parta exatamente dos proprietários de carros, que reclamam seus direitos de ir e vir, nos quatro dias de feriado carnavalesco e, vá lá, de alguns fins de semana antes do Carnaval. E nós que ficamos engarrafados dentro dos ônibus nos demais 360 dias, enquanto mais e mais automóveis são colocados nas ruas, que "teimam" em não esticar, para dar vazão a esta irracionalidade individualista sobre rodas? Não seria mais justo e democrático que nós, os sem-carro por opção ou por falta de grana, e que somos a maioria da população do Rio, exigíssemos um choque de ordem contra o aumento diário de carros nas ruas do Rio?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em tempos de aquecimento global, quem contribui mais para a emissão dos gases formadores do efeito estufa? Um carro de som movido a diesel, cercado por um monte de gente movida a álcool, ou um bando de egoístas a bordo de suas possantes e poluidoras máquinas, disputando o direito de ficar engarrafados, com ar condicionado e sistema de som de última geração.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em uma cidade ecossocialista, este modelo de cidade para poucos não teria vez. Seria sepultado pela vontade e decisão da maioria de seus moradores, que escolheriam o lazer e a cultura, ao invés do desejo pelo consumo individual. Escolheriam harmonizar as manifestações culturais com a necessidade de locomoção em transportes coletivos rápidos e não-poluentes. E saberiam valorizar essas manifestações quando elas, eventualmente, causassem algum transtorno temporário à locomoção, porque as entenderiam como importantes na vida da cidade, além de ser uma fonte limpa de receitas, por incrementarem o turismo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas existe outro aspecto, além da questão ambiental, que deve ser encarado com preocupação. Por trás dessa investida contra o carnaval de rua carioca e seus blocos, existe a necessidade do capital em transformar em mercadoria qualquer manifestação cultural, como de resto faz com todas as coisas e seres vivos. O carnaval do Rio pode ser dividido em dois: o da Marquês de Sapucaí, com o desfile luxuoso das escolas de samba; e o ressurgente carnaval dos blocos nas ruas do Rio.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O carnaval do Sambódromo, infelizmente, já foi transformado em mercadoria e é vendido para quem pode pagar. Mesmo assim, os cariocas continuam amando suas escolas, e nos ensaios técnicos antes do Carnaval vão para a avenida vibrar com suas escolas de coração. Nos dias de desfile, disputam espaço com alas de turistas, ou empurram os carros alegóricos. É o mesmo tipo de "democracia carnavalesca" que existe hoje na Bahia. Lá como cá, turistas louros ficam na arquibancada, batendo palmas para brancos de classe média desfilar, enquanto negros empurram carros ou esticam cordas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O carnaval dos blocos, do jeito como está colocado hoje no Rio, não pode, na grande maioria, ser coisificado, transformado em mercadoria e vendido, e é isto que está por trás da investida oficial contra eles. Porque sua criação é ato espontâneo de grupo de amigos ou moradores de um bairro que se reúnem e organizam blocos, que desfilam em trajetos que têm a ver com suas histórias e vivências. São eles que vão encontrando soluções e superando um a um os problemas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Atualmente, quase não existem mais conflitos nos desfiles de blocos. Bastou reservar um espaço para a que a bateria pudesse tocar à vontade. Da mesma forma, os carrinhos dos ambulantes que vendem bebidas, e que atrapalhavam a evolução, hoje ficam dos lados ou atrás dos blocos. Para isso bastou que os organizadores dos blocos pedissem que os foliões deixassem de comprar de quem estivesse atrapalhando o desfile. Como disse um diretor do Nem Muda nem Sai de Cima este ano, com rara felicidade: "O povo sabe achar suas soluções".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por isso, não tenho dúvidas de que os dirigentes dos blocos acabarão encontrando a solução para os atuais problemas dos blocos: o trânsito, o seu gigantismo e o que fazer com o xixi. Ao invés de ameaçar com a proibição de desfile (quero ver quem irá lá impedir), basta divulgar com antecedência o horário e o trajeto de &lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;todos&lt;/span&gt; os blocos, assim como é feito no réveillon, nos grandes shows promovidos inclusive pela Prefeitura, nos jogos no Maracanã, nas procissões, etc.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O aumento do número de pessoas que acompanham determinados blocos tem a ver com o seu sucesso, com a qualidade do samba e com todo o ambiente criado. Quando a mídia descobrir que o carnaval do Rio não se resume mais aos desfiles do Sambódromo, ou a alguns grandes blocos, e começar a divulgar a saída das centenas de pequenos blocos menores e mais próximos dos foliões, essa descentralização resolverá o problema. Ao invés de concentrar os blocos em um lugar, como foi feito em Salvador, e que transformou o carnaval de lá em um negócio cada vez mais estranho, a saída parece estar em fazer o oposto, trazendo o carnaval para cada vez mais perto das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No caso do xixi, somente uma prefeitura composta por mauricinhos doentes do pé e ruins da cabeça, que nunca saíram em nenhum bloco ou tomaram cerveja na rua, é que concentraria uns poucos banheiros químicos &lt;em&gt;no início do desfile&lt;/em&gt;, quando qualquer um conhece a alta capacidade de consumo de cerveja do carioca, e que ela começa a fazer efeito do meio do desfile para frente. Se coubesse à população decidir o local e a quantidade de banheiros, a solução certamente seria outra.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É com apreensão que vejo estampado nas manchetes que os "garotos da Barra", que assumiram a Prefeitura do Rio, ameaçam mais maldades para o carnaval do ano que vem. Fico mais preocupado quando vejo alguns dirigentes de blocos começarem a embarcar nesta cantilena conservadora e excludente. Os blocos de rua são, assim como os camelôs, flanelinhas, motoristas de vans e demais trabalhadores informais, símbolos da resistência contra a cidade neoliberal. Não tenho dúvidas de que alguns mega-blocos aceitarão de bom grado serem domesticados pela Prefeitura. Afinal, isso será bom para os seus negócios. Mas para a grande maioria, negar e resistir a mais essa tentativa de coisificação de uma manifestação popular é a única possibilidade de continuar existindo. E a existência dos blocos de rua é vital para o carnaval do Rio.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;strong&gt;Contra a soteropolinização do carnaval carioca!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;strong&gt;Não põe corda nem dá choque no meu bloco!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-2214521423115086337?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/2214521423115086337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=2214521423115086337' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/2214521423115086337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/2214521423115086337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2009/03/nao-da-choque-no-meu-bloco.html' title='Não dá choque no meu bloco'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-4750002266873828455</id><published>2009-02-09T07:36:00.001-08:00</published><updated>2009-02-09T07:39:17.933-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fórum Social Mundial'/><title type='text'>O FSM é incooptável e precisa ser ecossocialista</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt; Entrevista concedida à Agência Petroleira de Notícias em 04/02/2009&lt;br /&gt;disponível em &lt;a href="http://www.apn.org.br/apn/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=897&amp;amp;Itemid=1"&gt;http://www.apn.org.br/apn/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=897&amp;amp;Itemid=1&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;   &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acho que a melhor definição que ouvi sobre o que foi o FSM 2009, partiu de um companheiro que disse: "Apesar de todo o esforço de se tentar institucionalizar o Fórum, ele não foi cooptado. O FSM é incooptável!".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Neste primeiro Fórum realizado após a deflagração da crise global do capitalismo, e também após Nairóbi, onde o Fórum experimentou uma inflexão institucional, existiam muitas dúvidas a respeito do que iria acontecer em Belém, e sobre sua própria continuidade, pelo menos no âmbito da esquerda. Quando chegamos a Belém, rapidamente percebemos uma tentativa de apartar o Fórum da população, em especial a mais pobre.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Isto ficava claro no preço da inscrição, na segurança nos portões, e também numa ridícula Lei Seca que obrigava o fechamento dos bares (somente) dos bairros populares às 22h. É importante dizer que os 2 principais locais usados para as atividades eram separados do bairro mais miserável de Belém - Terra Firme - por um valão de esgoto e uma pista estreita de asfalto. Mas esse 'apartheid" durou apenas até a Marcha de abertura, quando a população de Belém teve a dimensão do que seria o FSM.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Aliás, é cada vez mais complicado falar em um Fórum; em Belém tivemos pelo menos três; o Fórum institucionalizado, dominado pelo PT e o governo Lula; o Fórum "supermercado de idéias", com milhares de atividades de todos os tipos; e o Fórum anticapitalista. Inevitavelmente estes três Fóruns acabaram se cruzando e contaminando positivamente as quase 150 mil pessoas que, de alguma maneira, participaram do Fórum.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Para as esquerdas, o FSM voltou a ser um importante instrumento de sua reorganização na luta anticapitalista. Inúmeras mesas discutiram a crise global, nos seus diversos matizes. Algumas convergências importantes ocorreram, como a reunião dos partidos anticapitalistas, que reuniu representantes de partidos do mundo todo. A palavra de ordem: "Que os ricos paguem a conta" estava estampada nas paredes e faixas, e pôde ser ouvida nos mais diferentes idiomas. Um calendário de lutas global e unificado foi aprovado, assim como foi aprovada uma declaração que responsabiliza o neoliberalismo pela crise, e se coloca contra as demissões e o corte nos salários.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Mas, de fato, a questão ambiental foi a mais importante no FSM, até pelo seu local de realização, na Amazônia. Apesar da tentativa do governo em tentar "esconder" a Amazônia do Fórum, que se mostrou infrutífera, existiu um amplo consenso em torno da importância da Amazônia para o planeta, de que é urgente a sua defesa, e, finalmente, de que essa ação não é somente responsabilidade das populações locais, mas uma tarefa de todo o planeta. Ficou clara a responsabilidade das madeireiras, agronegócio, mineradoras, pecuária e do governo, nos ataques desferidos contra a floresta.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Durante o Fórum aconteceram diversas atividades dos ecossocialistas, sempre com "casa cheia", onde propusemos a bandeira "Desmatamento Zero para  a Amazônia Já!". Nestas atividades foi marcante a presença da juventude, interessada em participar da luta ecológica. A Rede Ecossocialista Internacional lançou no Fórum o II Manifesto Ecossocialista, a Carta de Belém. Nele está a condenação do modo de produção capitalista, como responsável pela degradação ambiental, cuja face mais visível são as mudanças climáticas provocadas pelo aumento da concentração dos gases formadores do efeito estufa na atmosfera. Dessa forma, não é surpresa que as respostas capitalistas à crise ambiental venham se mostrando insuficientes.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Este Manifesto conclama a todos e todas que habitam o planeta a rejeitar o processo desastroso do ecocídio capitalista, e a engajarem-se na luta pela construção de uma nova sociedade, com uma economia transformada fundada nos valores não-monetários de justiça social e de equilíbrio ecológico.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Após o FSM, a Rede Ecossocialista Internacional e a Rede Ecossocialista Brasileira realizaram uma reunião para discutir sua organização e  seu programa de lutas para o próximo período. Dessa forma, podemos dizer que, se o perigo do do descontrole do clima existe e é cada vez mais real, por outro lado o FSM foi importante para a organização da resistência e do combate aos que destroem a Natureza.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-4750002266873828455?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/4750002266873828455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=4750002266873828455' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/4750002266873828455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/4750002266873828455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2009/02/o-fsm-e-incooptavel-e-precisa-ser.html' title='O FSM é incooptável e precisa ser ecossocialista'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-1318973951976146219</id><published>2009-02-09T07:31:00.001-08:00</published><updated>2009-02-09T07:37:53.417-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='energia'/><title type='text'>A necessidade de re-qualificar a campanha “O Petróleo tem que ser nosso” sob o olhar ecossocialista</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt; Publicado em 18/12/2008&lt;br /&gt;em &lt;a href="http://www.enlace.org.br/ecologia-1/a-necessidade-de-re-qualificar-a-campanha-201co-petroleo-tem-que-ser-nosso201d-sob-o-olhar-ecossocialista-paulo-piramba/"&gt;http://www.enlace.org.br/ecologia-1/a-necessidade-de-re-qualificar-a-campanha-201co-petroleo-tem-que-ser-nosso201d-sob-o-olhar-ecossocialista-paulo-piramba/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;   &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A armadilha em que o capitalismo nos meteu.&lt;/strong&gt; Responsáveis por mais de 81% da energia consumida no mundo, os combustíveis fósseis encontram-se perto de seu esgotamento. Os especialistas calculam que, mesmo com novas descobertas do tipo da reservas abaixo da camada do pré-sal, o petróleo e o carvão estarão esgotados nos próximos 40-100 anos. Durante décadas as grandes empresas petrolíferas e países produtores boicotaram quaisquer pesquisas sobre formas alternativas de produção de energia, assim como cuidados para diminuição da emissão de gases poluentes, em especial o CO2 que é um dos principais causadores do efeito estufa. Se hoje temos catalisadores industriais e nos veículos e combustíveis menos poluentes, isto se deve à pressão da sociedade e dos ecologistas sobre os governos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Além dos veículos e da produção industrial, os combustíveis fósseis também são usados na produção de energia elétrica. O carvão consegue ser ainda mais poluente que o petróleo, causando problemas de saúde na extração e nas partículas jogadas na atmosfera pela usinas termelétricas. A energia nuclear vem sendo apresentada como "limpa e segura", apesar continuarem insolúveis os problemas ligados à operação, manipulação e armazenamento do lixo radioativo. Outro problema é a utilização da tecnologia nuclear na produção de armas nucleares ou navios e submarinos. É dessa forma que entramos no século XXI: pressionados, por um lado, pelo esgotamento da matriz energética hegemônica no mundo; e, por outro, tendo que, rapidamente, substituir esta matriz por outra (ou outras) que interrompam o ciclo de aquecimento do planeta.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Apocalipse motorizado.&lt;/strong&gt; Pegando o Rio de Janeiro como exemplo, em 2007, 38.220 pessoas foram vítimas da violência no trânsito no Estado do Rio de Janeiro. 18.235 apenas na Capital, contra 15.724 em 2006. Atualmente, 7 pessoas morrem por dia no Rio. A quantidade de vítimas fatais certamente é maior, já que as estatísticas não acompanham o histórico pós-acidentes dos feridos. Estima-se que circulam no Rio cerca de 2,2 milhões de veículos, sendo 90% deles automóveis movidos a gasolina e a álcool, e 10% ônibus e caminhões a óleo diesel. Em média, o carioca perde 2 horas e 10 minutos indo e voltando diariamente do trabalho. Dados da FEEMA, em 2006, atribuem às fontes móveis (automóveis, caminhões, ônibus, etc.) a responsabilidade por 77% dos poluentes emitidos para a atmosfera, que têm contribuído para o aumento das doenças respiratórias. O trânsito também é responsável pela poluição sonora, pelo stress provocado pelo tempo gasto no transporte e pelas relações cada vez mais violentas que ele vem estabelecendo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Individualismo insustentável.&lt;/strong&gt;  Quando privatiza as cidades, o neoliberalismo impõe soluções e caminhos que favorecem as classes dominantes. Em termos da mobilidade e do deslocamento urbano, ele se materializa na supremacia dos veículos individuais sobre os meios coletivos de transporte. No Rio de Janeiro, as últimas grandes intervenções urbanas foram feitas para facilitar o deslocamento dos automóveis. Enquanto isso, o Metrô cresce a passos de tartaruga, os ônibus trafegam na rota da falta de planejamento e controle e os trens atendem a uma parcela pequena comparada ao que atendiam anos atrás. A precariedade do transporte coletivo faz com que o carro, além de ser um fetiche para os mais ricos, torne-se uma solução também para os mais pobres. A produção nacional de carros, juntamente com as facilidades para o crédito e a importação, vem provocando um aumento exponencial da frota nacional, principalmente nas grandes concentrações urbanas de São Paulo e do Rio de Janeiro. O impacto dessa gastança sobre o aquecimento global e as mudanças climáticas já está sendo sentido. É necessário apontar para outro modelo de civilização que supere essa escalada da insensatez.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Agrocombustíveis: uma resposta sem energia.&lt;/strong&gt; De 3 anos para cá, os agrocombustíveis como o biodiesel e o etanol, começaram a ser apresentados como uma solução "verde" para os problemas do aquecimento global. As grandes petroleiras, entre elas a Petrobras, começaram a se intitular "empresas de energia", enquanto as montadoras se apressaram a apresentar modelos de carros "flex", "verdes", ou coisa que o valha. A grande vedete é o etanol, combustível fabricado a partir da cana de açúcar, da palma do dendê, do milho e de outros grãos, um combustível renovável e "limpo", reduzindo assim a emissão de gases formadores do efeito estufa. A União Européia tem avançado em estabelecer um programa de redução de emissão de CO2. Os Estados Unidos têm direcionado grande parte de sua produção de milho para a produção de etanol. No Brasil, o etanol fabricado a partir da cana é um dos carros-chefe do governo Lula, saudado internacionalmente como modelo a ser seguido. Porém...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Porém é preciso dizer que o etanol só poderá ser considerado um substituto do petróleo, se os padrões de consumo e desperdício de combustíveis forem revistos, ou seja, se o próprio capitalismo, que é viciado em petróleo, for questionado, o que não é o caso. A serem mantidos os atuais padrões, vai ser necessário que se avance ainda mais para dentro da Amazônia e remanescentes de outras florestas tropicais, e que as áreas hoje destinadas á produção de alimentos sejam convertidas em grandes desertos verdes. É preciso dizer também que a moda do etanol surgiu a partir da necessidade do capital financeiro encontrar novos mercados, por conta da crise 'subprime'. E que ele conseguiu, dos governos dos EUA e da União Européia, subsídios para a agroindústria dos agrocombustíveis.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É preciso dizer que não existirão ganhos ambientais nessa substituição de matrizes de geração de energia, já que os possíveis ganhos obtidos na queima do etanol serão menores que os passivos ambientais gerados na produção do etanol. Para se produzir um litro de etanol do milho, é necessária mais energia do que a gerada por esta quantidade do combustível. O que ainda resta das florestas tropicais asiáticas tem sido devastada para a plantação da palma do dendê. No Brasil, o deserto verde da cana empobrece a biodiversidade, empurra a fronteira agropecuária para dentro dos biomas do Pantanal e da Amazônia e explora a mão de obra dos bóias-frias, submetendo-os a condições de trabalho mais severas do que a dos escravos. No Brasil e no Mundo a destinação de terras e de grãos para a produção dos agrocombustíveis, acirra ainda mais a fome e subnutrição.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A saída não é a nave espacial.&lt;/strong&gt; O ministro de Assuntos Estratégicos, Esotéricos e Esquisitos Mangabeira Unger afirmou recentemente que "mesmo se a Terra definhar, acharemos um meio de escapar para outros pontos do Universo". Como certamente o preço da passagem para Alfa-Centauro não vai ser objeto de promoção na Internet, é mais adequado pensarmos em alternativas energéticas que não comprometam o futuro do planeta. E, nesse sentido, convém não cometermos os mesmos erros como, por exemplo, colocar todas as fichas em uma única matriz alternativa, ou criarmos grandes unidades de produção de seja lá qual for a matriz, produzindo intervenções agressivas ao meio ambiente. A palavra de ordem é diversificar as fontes e descentralizar a produção. Tudo isso, evidentemente, submetido a uma nova lógica de consumo de produção de bens agregada à supremacia do valor de uso em relação ao valor de troca. Hoje, já é possível produzir energia elétrica usando a matriz eólica, como no caso das fazendas eólicas da península Ibérica e nos países nórdicos. A energia solar só não está mais desenvolvida, porque os investimentos em pesquisa ainda são muito reduzidos. O próprio etanol e a biomassa são saídas inteligentes se não estivermos submetidos ao padrão de consumo capitalista. Ou seja, não é suficiente substituir a matriz fóssil por uma, ou uma série de matrizes limpas. É preciso reduzir drasticamente o consumo de energia, combinado com uma profunda transformação do sistema energético, em termos de descentralização, diversificação e eficiência.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A questão não é participar ou não da Campanha, mas como participar e propondo o que&lt;/strong&gt;. Militantes comunistas sempre participaram de campanhas do tipo "frente única". Nestas campanhas é freqüente que as bandeiras de luta e palavras de ordem não sejam exatamente as desejadas por eles, que devem abraçar a campanha, ganhando legitimidade para, se possível, tentar apresentar propostas mais conseqüentes. Nesse sentido, não existe polêmica em relação à nossa participação na Campanha "O Petróleo tem que ser nosso". Devemos, através da legitimidade conquistada, do diálogo e do convencimento avançar na formulação de propostas anticapitalistas. Para isso, nossa primeira tarefa é nos engajarmos na Campanha, ampliando-a para nossas áreas de atuação, seja divulgando suas atividades, seja, quando possível, promovendo debates, no sentido de acumular forças para a resistência ao leilão marcado para o dia 18/12.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O Petróleo tem que ser nosso... Para quê?&lt;/strong&gt; Mesmo que a palavra de ordem "O Petróleo tem que ser nosso" signifique um avanço em relação ao primeiro momento da Campanha – que tinha um cunho muito nacionalista – devemos defender dentro dela que não nos basta ter o controle sobre ele, mas criar condições para que a transição da atual matriz energética para as alternativas colocadas, leve em consideração a relação entre estas alternativas e as mudanças climáticas, e aplicar parte importante dos lucros obtidos com a exploração das novas jazidas, além da educação e saúde, na pesquisa e aperfeiçoamento das matrizes solar e eólica. Devemos questionar, também, entendimentos que defendam o aumento da produtividade da Petrobrás, sem questionamento aos modelos de consumo capitalistas, responsáveis pelo esgotamento dos combustíveis fósseis e pelo aquecimento global. Racionalizar a produção e diminuir o consumo são medidas decisivas para manter a temperatura da Terra dentro dos limites estabelecidos pelo IPCC, evitando conseqüências ainda mais graves do que as que estão se repetindo ao redor do planeta. Trazer a questão da matriz energética e das mudanças climáticas para dentro da Campanha, amplia seu escopo da luta, questiona e responsabiliza o modelo consumista e esbanjador do capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A re-estatização da Petrobras não é garantia em si; a Petrobrás tem que ser pública. É importante, nessa discussão, recuperar o conceito de empresa estatal e de empresa pública. Empresa pública é aquela cuja atuação é voltada para o interesse da maioria da população, o que não acontece, necessariamente, com as empresas ou organismos estatais. O Banco Central, por exemplo, é estatal, mas está a serviço permanente dos interesses da burguesia financeira. É interessante lembrar como a discussão sobre a autonomia do Banco Central, tão defendida pelos conservadores nos primeiros anos do governo Lula, não se coloca mais, totalmente superada pela subserviência deste governo ao capital financeiro. Não existe, portanto, garantia em si que a simples re-estatização da Petrobrás, recuperando o controle estatal sobre ela, a partir do controle das ações hoje de posse de investidores/ especuladores internacionais, signifique uma inflexão na trajetória da empresa, voltada para o lucro, esgotamento dos recursos naturais e agressão ao meio ambiente. A Petrobras não faz outra coisa hoje, a não ser concretizar as políticas do governo Lula, que tem exatamente essa relação com os recursos e com o meio ambiente, seja no apoio ao agronegócio, na estratégia destruidora no Centro-Oeste e Amazônia, nas obras do PAC e IIRSA, etc. É preciso que essa crítica ao governo seja claramente feita pela Campanha. De que vale a população brasileira ter a posse das riquezas naturais, se a lógica de exploração e esgotamento, na busca do lucro, se mantiver?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A Petrobrás não pode continuar desrespeitando o meio ambiente.&lt;/strong&gt; A Petrobrás, assim como as empresas petroleiras em geral, é uma campeã em desrespeito à legislação ambiental, e uma das maiores causadoras de passivos ambientais do mundo. A defesa de uma Petrobrás pública passa pela condenação do modelo atual de empresa, que negligencia a segurança de seus funcionários e do meio ambiente, para aumentar a produtividade e o lucro. Além disso, a empresa, até pouco tempo atrás, utilizava pretensas "responsabilidades social e ambiental" nas propagandas institucionais, para alavancar o preço de suas ações na Bolsa de Nova Iorque. O recente episódio do enxofre no diesel, quando ela, em conluio com as montadoras de veículos, e com a vacilação da Justiça e do Ministério do Meio Ambiente, conseguiu o adiamento da utilização de um diesel com menor teor de enxofre no Brasil, mostra o descaso da empresa com a saúde do povo brasileiro. Na Baixada Fluminense, até hoje, 8 anos depois do derramamento de óleo na Baía da Guanabara, centenas de pescadores do fundo da Baía continuam sem poder trabalhar, já que os efeitos do óleo derramado nos manguezais ainda contaminam os peixes. É preciso defender uma Petrobras verdadeiramente responsável, tanto do ponto de vista social e público, como também do ponto de vista ambiental.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-1318973951976146219?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/1318973951976146219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=1318973951976146219' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/1318973951976146219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/1318973951976146219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2009/02/necessidade-de-re-qualificar-campanha-o.html' title='A necessidade de re-qualificar a campanha “O Petróleo tem que ser nosso” sob o olhar ecossocialista'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-1695666089010428370</id><published>2009-02-09T07:25:00.001-08:00</published><updated>2009-02-09T07:38:36.711-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ecossocialismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidades'/><title type='text'>Pensando uma Reforma Urbana Ecossocialista</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Publicado em setembro de 2008&lt;br /&gt;em &lt;a href="http://www.socialismo.org.br/portal/socialismo-liberdade-e-poder-local/308-pensando-uma-reforma-urbana-ecossocialista"&gt;http://www.socialismo.org.br/portal/socialismo-liberdade-e-poder-local/308-pensando-uma-reforma-urbana-ecossocialista&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;   &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Introdução&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As questões ambientais vêm ocupando tal espaço, que poucos de nós percebemos que palavras e expressões como "ecossistema" e "impacto ambiental", até pouco tempo atrás, eram de uso exclusivo de pesquisadores, técnicos e militantes da área. Além da inserção na mídia, é cada vez mais comum sua presença nas agendas dos partidos, organizações e movimentos. Em muito contribuiu a divulgação dos relatórios do IPCC (sigla em inglês de Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), que colocou a atividade humana como principal responsável pelas mudanças climáticas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desde as décadas de 1930-40 a população brasileira vem se tornando mais urbana, chegando a 153 milhões de pessoas (81% da população) vivendo em áreas urbanas em 2006, segundo o IBGE. Estas cidades – algumas delas, megalópoles – recebem um fluxo populacional, que cria uma demanda por serviços e equipamentos sociais em uma proporção muito maior do que elas têm condições de atender.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Este quadro tende a piorar com as mudanças climáticas anunciadas pelo IPCC. Falta d'água, doenças silvestres ou provocadas pela poluição do ar, sonora, da água e do solo já são comuns hoje. Nas cidades que substituíram a cobertura vegetal pelo concreto, ondas de calor as transformarão em fornalhas. Temporais de curta duração, mas com grande intensidade, provocarão enchentes nas cidades impermeabilizadas pelo asfalto.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pensar em uma solução para este modelo inviável de cidade significa pensar, também, em outro modelo econômico, que seja construído em torno do atendimento das reais necessidades da maioria de suas populações. O socialismo continua sendo vital como o ar e a água. E mostrará mais vitalidade, se puder se reconstruir como idéia libertária, generosa e transformadora, que leva em conta a continuidade da vida no planeta.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A cidade e a ordem neoliberal&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não há como pensar em políticas públicas ambientais para as cidades, sem levar em conta como elas estão organizadas. No neoliberalismo, a cidade, assim como a economia, é pensada para poucos. A maneira como ela se organiza, de que maneira ela se expande, os equipamentos sociais acrescentados, a sua relação com a natureza e entre seus habitantes, tudo isso é feito para uma minoria, os seus cidadãos e cidadãs "de primeira categoria". Como na antiga Atenas, onde para cada cidadão chegou-se a ter 18 escravos, para cada "incluído" na cidade neoliberal, existem dezenas de cidadãos de "segunda categoria", organizados social e geograficamente para atender às necessidades dos primeiros.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A especulação imobiliária cria condomínios com segurança e conforto, e segrega seus empregados em "bantustões", com precárias condições ambientais, sem saneamento, próximos de indústrias poluentes ou de cursos d'água envenenados. Na maioria das vezes, estes guetos ficam longe dos locais de trabalho, servidos por transportes lentos, insuficientes e poluentes. Enquanto isso, mais e mais carros são produzidos, contribuindo para a emissão de CO2 e gerando engarrafamentos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O neoliberalismo incentiva o consumismo e submete grande parte da população ao desemprego estrutural e à pauperização dos salários. Para estes só resta construir moradias em áreas degradadas ou em locais de preservação ambiental, onde são acusados de agressão ambiental e ameaçados de remoção. Esta necessidade de consumir é alimentada por outdoors colocados em locais que obstruem a visão do que resta de natureza, ou por carros e sistemas de som estridentes, que contribuem para a poluição visual ou sonora, assim como os equipamentos urbanos de mau gosto, ou os ruídos do trânsito.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quase todas as cidades têm, ou terão em breve, problemas de fornecimento e tratamento de água. O neoliberalismo tem se apropriado destes serviços. A perda do controle do Estado sobre a água pode levar a que enormes contingentes populacionais não tenham acesso a ela. 83 milhões de pessoas não são atendidas por sistemas de esgotos e 45 milhões carecem de água potável. 65% das internações hospitalares de crianças de zero a cinco anos são em con­seqüência dessa precariedade.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;São produzidas cerca de 150 mil toneladas diárias de lixo, sendo que, em grande parte das grandes cidades, ele é despejado em lixões, contaminando fontes de água, o solo e o ar. A privatização do setor de limpeza pública não reduziu os índices de resíduos sólidos urbanos dispostos de maneira inadequada.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tecnologias envelhecidas e poluentes, com consumo elevado de energia e água, sem tratamento adequado dos efluentes; inexistência de sistemas adequados de eliminação dos resíduos perigosos; fábricas perto de áreas urbanas ou de zonas de proteção ambiental; descargas de efluentes em águas de superfície ou subterrâneas; e armazenamento inadequado de resíduos, são causas da poluição industrial, que destrói o ambiente e ameaça a saúde dos trabalhadores – já submetidos a um regime de trabalho repetitivo e estressante – e dos habitantes que mo­ram em torno das fábricas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os governos locais não têm dinheiro, nem vontade política para resolver estes problemas. O governo federal concentra cada vez mais os recursos, com grande parte destinada ao superávit primário. Obras de saneamento, de oferecimento de água potável e de tratamento de resíduos são vistas como "obras que não dão voto", o que faz com que os recursos municipais sejam usados em obras de importância duvidosa, mas com visibilidade.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O resultado é a violência. Os governos apostam no uso das forças de repressão para confinar, controlar e exterminar o que Michael Löwy chamou de pobretariado. A repressão também têm se ocupado em combater a chamada "desordem urbana" neoliberal, ou seja, aquilo que se contrapõe e conflita com a "cidade para poucos", reprimindo os trabalhadores informais, removendo populações de áreas anteriormente sem valor, mas agora com alguma importância especulativa ou econômica, ou ainda proibindo as oferendas e demais manifestações das religiões afro-brasileiras.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Pensando uma Reforma Urbana Ecossocialista&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A expansão descontrolada das cidades, a privatização dos serviços públicos e a especulação imobiliária, levaram à privatização da cidade, além da degradação do solo urbano e a eliminação das áreas verdes. A utilização das "áreas nobres" em empreendimentos comerciais afastou as pessoas do centro da cidade, aumentando o tempo gasto no transporte. A opção pelo transporte individual, em detrimento do transporte coletivo, aumentou a dispersão dos gases do efeito estufa, além do stress provocado pelos engarrafamentos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De acordo com cálculos da ONU, as cidades estão crescendo nos países dependentes três vezes mais rápido que nos países capitalistas ricos, e os problemas ambientais são bem mais extensos naquelas cidades. A poluição do ar, provocada pelos automóveis e indústrias, combinada com a inversão térmica causada pelo efeito estufa, chegam a paralisar megalópoles. Na maioria destas cidades o lixo é acumulado em vazadouros ou queimado em lixões.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É necessária uma Reforma Urbana Ecológica tão radical quanto a Reforma Agrária Ecológica defendida pelos movimentos sociais. Uma Reforma Urbana que inverta prioridades e garanta a participação popular na decisão e no controle dos projetos, mas que também incorpore uma perspectiva ecológica nos Planos Diretores. Devolver a cidade a seus cidadãos, garantindo total acesso aos espaços e serviços públicos, à cultura, à moradia, à educação, à saúde, ao trabalho, ao transporte e ao lazer, em uma relação sustentável com a natureza.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A seguir, alguns tópicos e propostas que devem estar presentes na construção de um programa ecossocialista para as cidades:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;1) Aquecimento Global&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Metas de redução de emissão dos gases do efeito estufa;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Substituição do diesel pelo álcool e o gás nos ônibus e na frota oficial.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;2) Acesso à água&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Universalizar o acesso à água, que deve ser oferecida pelo Estado, com gestão pública e controle social;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Prioridade do abastecimento doméstico sobre o uso industrial;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Uso social da água, aumentando a tarifa das grandes indústrias, usando o arrecadado na recuperação da bacia de origem.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;3) Tratamento de Resíduos Sólidos e Saneamento&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Saneamento e água potável para populações de baixa renda;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Utilização do biogás nos aterros sanitários;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Organizar os catadores em associações e cooperativas, oferecendo programas de inclusão;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Reciclar o entulho da construção civil, utilizando-o em programas de habitação popular;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Implantar usinas de compostagem dos resíduos orgânicos em alternativa aos lixões;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;3) Poluentes Industriais e Saúde&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Criar mecanismos tributários de incentivo a indústrias limpas e tributação de práticas poluidoras;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Integrar o trabalho da vigilância sanitária com os órgãos de defesa da saúde do trabalhador, visando diminuir os impactos de manuseio ou contato com substâncias, irradiações, ruídos e temperaturas que afetem a saúde do trabalhador;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Alterar a organização, regime e condições de trabalho, em busca de ambientes de trabalho menos estressantes e atividades menos repetitivas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;4) Reforma Urbana Ecológica&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Garantir o direito à moradia digna, com água potável e tratamento de esgotos, em locais seguros que não ameacem as reservas ambientais;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Regularizar a posse da terra nas ocupações, preservando mananciais e áreas de preservação;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Recuperar áreas degradadas das grandes cidades, destinando-as a projetos de habitação popular social e ambientalmente sustentadas;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Planos Diretores ecológicos, que levem em conta o uso social do solo urbano e o conceito de pegada ecológica (1).&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;5) Transporte&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Transporte coletivo rápido e não-poluente, com combustíveis renováveis;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Recuperar as malhas ferroviárias urbanas, retomando os ramais abandonados pelas empresas privadas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;6) Segurança Alimentar e Reforma Agrária Ecológica&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Criar pólos agroflorestais em torno das grandes regiões metropolitanas, com prioridade para reassentamento de ex-agricultores habitantes das suas periferias;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Estimular a compra, nas instituições públicas, de produtos da agricultura ecológica familiar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;7) Transgênicos e Biodiversidade&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Aplicar a lei que identifica produtos que utilizam transgênicos;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Proibir a compra, pelas instituições públicas, destes alimentos;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;─&lt;/span&gt; Combater o tráfico de animais silvestres.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; (1) Pegada ecológica é a tradução de ecological footprint e refere-se à quantidade de terra e água necessária para sustentar as gerações atuais, tendo em conta todos os recursos materiais e energéticos gastos por uma determinada população. (fonte: Wikipedia)&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-1695666089010428370?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/1695666089010428370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=1695666089010428370' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/1695666089010428370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/1695666089010428370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2009/02/pensando-uma-reforma-urbana.html' title='Pensando uma Reforma Urbana Ecossocialista'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-5119824010646883696</id><published>2008-12-01T03:51:00.001-08:00</published><updated>2008-12-01T08:29:01.820-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ecossocialismo'/><title type='text'>As várias crises</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A crise não começou agora, nem é somente financeira.&lt;/strong&gt; Ela é uma crise financeira que, a partir do estouro da bolha &lt;em&gt;subprime&lt;/em&gt;, tornou-se uma crise da economia real capitalista. Mas ela também já era uma crise social, mesmo nos melhores momentos do neoliberalismo. Ao invés de trazer o progresso e a satisfação das necessidades dos habitantes do planeta, o endeusamento do deus-mercado e a destruição dos controles do Estado sobre ele, só trouxeram miséria e violência. Além disso, o saque sobre os recursos naturais, com a transformação da natureza em um estoque de mercadorias, trouxe o desequilíbrio ambiental e um enorme risco sobre a continuidade da vida na Terra, por conta do aquecimento global e dos seus efeitos sobre o clima. Este risco, em grande parte, se deve à utilização de combustíveis fósseis, dos quais a civilização se tornou completamente dependente. Hoje, quando estamos à beira de uma crise energética, por causa do esgotamento, neste século, das reservas de petróleo, o mundo se descobre completamente vulnerável, e as alternativas colocadas só aumentam o risco de uma grande catástrofe planetária. Os agrocombustíveis, tido e havidos como alternativas "limpas", a se manter o consumo nas bases atuais, desalojarão e substituirão a produção de alimentos, cuja escassez – assim como a da água potável – já atinge mais de um bilhão de pessoas hoje. Podemos afirmar, dessa forma, que vivemos uma crise sistêmica do capital, uma crise civilizatória.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Mudar para manter&lt;/strong&gt;. Desmoralizado pela exposição pública do fracasso da lorota do mercado auto-regulado, o capital, após uma perplexidade inicial, tenda remendar o modelo, apresentando propostas de mudanças, que deixam tudo como está, mantendo, no essencial, a espoliação e a exploração. Mesmo que esteja, em vários casos, ferido de morte, o capital financeiro conseguiu impor uma socialização de seus prejuízos, fazendo que os Estados nacionais, aqueles mesmos que até há pouco tempo atrás só atrapalhavam, direcionem bilhões em divisas públicas para socorrê-lo. Além disso, apavorados com o agravamento da crise de superprodução, criam medidas para manter, o quanto for possível, o consumo. A lógica é simples e já conhecida: socializar as perdas, salvar as instituições financeiras e manter a lógica consumista que trouxe a civilização à beira do desastre ambiental. Sobre as outras crises, que atingem mais fortemente os mais pobres, nenhuma palavra, ou, no máximo, lágrimas de crocodilo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Saídas combinadas&lt;/strong&gt;. O agravamento desta crise civilizatória abre, por um lado, um cenário de mais sofrimento e dificuldades para a classe e para os mais miseráveis e, por outro, a perspectiva de que a esquerda e os movimentos sociais, que até agora amargavam uma conjuntura extremamente desfavorável e de resistência, possam partir para a ofensiva, apontando as contradições e os perigos que duas décadas de neoliberalismo nos trouxeram. Cabe aos partidos e organizações de esquerda desencadear, junto com os movimentos sociais, uma sistemática e profunda campanha de propaganda e agitação. Mas isso é pouco. É necessário que os do lado de cá também possam apresentar, a partir de uma profunda análise sobre as dimensões e as inúmeras facetas desta crise, uma alternativa de conjunto às propostas dos do lado de lá. Esta saída para a crise do capital deve ser um conjunto de iniciativas combinadas que dêem conta de todas as dimensões da crise. Não se pode pensar em resolver a crise econômica, acreditando ser possível que as demais crises possam esperar. Também não é possível sanar a crise da economia real, mantendo o modelo de produção que nos trouxe até aqui.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;As respostas de Lula&lt;/strong&gt;. Até aqui Lula, e seu governo, tem feito o que dele esperavam os bancos, o agronegócio, as montadoras e a construção civil: transferência de recursos públicos para manter aqueles que são os principais financiadores das campanhas de Lula e seus aliados. O Banco Central tem se mostrado um amigo de todas as horas das instituições financeiras, mesmo que os lucros dos bancos continuem batendo recordes. Ao primeiro chororô do agronegócio, o governo acena com a anistia das dívidas; para as  montadoras assustadas com a possibilidade de quebra, dinheiro de nossas reservas para financiar o crédito e manter a farra do carro. E para a construção civil, já agraciada com os gordos contratos do PAC, um cheque especial sem limite. Nada de novo, tudo de acordo com o receituário da submissão petista. A mesma submissão que o governo mostra ao facilitar a depredação da Amazônia, dos recursos naturais e da biodiversidade. Ao manter o crédito do carro, por exemplo, ele agrada as montadoras e, possivelmente, os metalúrgicos, mas agrava ainda mais os problemas de mobilidade urbana, além de agudizar o quadro de doenças e mortes provocadas pela poluição do ar, acelerando o ritmo das mudanças climáticas, pela liberação cada vez maior de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt;. Lula vira garoto propaganda do consumo irracional, e aponta como saída para a crise o PAC, com suas obras de interesse público questionável, mas com passivos ambientais comprovados.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Mudanças climáticas como elemento central da crise sistêmica do capital&lt;/strong&gt;. Negar a responsabilidade humana nas mudanças climáticas que vamos passar a enfrentar neste século, já é uma batalha perdida para o capitalismo e seus cientistas de aluguel. Estas mudanças provocarão impactos ecológicos, sociais e econômicos, principalmente nos países em desenvolvimento, sobre fontes de água, ecossistemas, biodiversidade, alimentos, regiões costeiras e saúde. Hoje, a luta é pela estabilização da temperatura média global e pela redução drástica da emissão dos gases formadores do efeito estufa. As respostas do capital, como se esperava, têm sido insuficientes, já que as mudanças climáticas exigem uma abordagem social e ambiental de tal monta que colocam capitalismo em cheque, e o planeta frente a uma escolha de sociedade, de civilização. As mudanças climáticas são um elemento central da crise sistêmica do capital: um sistema além de seus limites históricos e físicos, estruturalmente incapaz de agir de forma conseqüente. Neste contexto, não podemos nos deixar aprisionar dentro dos limites estreitos do caráter defensivo atual da luta de classes, e o recuo da consciência socialista na maioria dos países. A situação torna possível combinar agitação sobre exigências muito imediatas e propaganda anticapitalista, ao mesmo tempo muito profunda e direta, e por outro lado "básica e muito pouco ideológica". Exemplo: "&lt;em&gt;este sistema está ultrapassado no seu tempo; o sol, o ar, água, etc. são propriedades comuns&lt;/em&gt;". Desta forma, pode ser um elemento importante na recomposição da esquerda e na recuperação do protagonismo do discurso socialista no mundo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ir além do capital (e do pós-capital) e de sua lógica destrutiva&lt;/strong&gt;. No seu livro "&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Para além do capital: rumo a uma teoria da transição&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;", István Mészáros afirma que o capital se articula num tripé formado pelo capital, trabalho e Estado e constitui um processo metabólico de controle de todas as esferas da sociabilidade humana. O capitalismo pode ser derrubado politicamente, mas as lógicas do capital, do Estado, e da divisão do trabalho podem permanecer e, dessa forma, restaurar o capitalismo. Esta incompreensão foi, para ele, a questão fundamental do fracasso das sociedades pós-capitalistas (o socialismo burocrático da URSS e das finadas repúblicas do Leste Europeu) que superaram a dominação política capitalista e formas de propriedade, mas não o controle "sociometabólico" do capital. No mesmo livro, ele menciona a crise ambiental e a luta das mulheres por uma "igualdade substantiva" como indícios de que o sociometabolismo do capital, em sua forma altamente desenvolvida, já se coloca em antagonismo à própria produção social da vida. Nesse sentido, da mesma forma que Malcolm X afirma que "&lt;em&gt;não há capitalismo sem racismo&lt;/em&gt;", e as mulheres dizem que não existe possibilidade da construção do socialismo, sem a destruição do machismo, podemos afirmar que não existe possibilidade de superação das várias crises do capital, entre elas a ambiental, mantendo-se intacto o sociometabolismo do capital.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Novo paradigma anticapitalista&lt;/strong&gt;. Segundo Michael Löwy, em "&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ecossocialismo e planejamento democrático&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;", o "&lt;em&gt;Ecossocialismo é a tentativa de fornecer uma alternativa civilizacional radical ao que Marx chamou o 'processo destrutivo' do capitalismo&lt;/em&gt;". Neste texto ele cita James O'Connor, em "&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Natural Causes. Essays in Ecological Marxism&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;":&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-left: 56pt;"&gt; "&lt;em&gt;o objetivo do socialismo ecológico é uma nova sociedade baseada na racionalidade ecológica, no controle democrático, na igualdade social e no predomínio do valor de uso sobre o valor de troca&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; Löwy acrescenta que:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-left: 56pt;"&gt;"&lt;em&gt;estes valores requerem: (a) propriedade coletiva dos meios de produção ('coletiva' significa aqui propriedade pública, cooperativa ou comunitária); (b) planejamento democrático, que torna possível a sociedade definir os seus objetivos de investimento e produção; e (c) uma nova estrutura tecnológica das forças produtivas. Por outras palavras, uma transformação revolucionária, econômica e social&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A construção desta nova sociedade, possível e cada vez mais necessária, está na ordem do dia e cabe aos socialistas incorporarem – nas formulações, discursos e ações – o combate à coisificação do capital, que transformou o mundo em um grande supermercado global. Porém, entre a esquerda, também é necessária a crítica tanto à "ideologia produtivista do progresso", quanto à justificativa da depredação "socialista" da natureza, baseada na afirmação de que os fins justificam os meios. Para os ecossocialistas, além da denúncia, propaganda e agitação, fica a tarefa de começar a colocar esta discussão nas agendas de sindicatos, associações, entidades estudantis e organizações dos movimentos sociais, e ajudar a formular nas pautas reivindicatórias, programas e campanhas propostas que indiquem um processo de transição para esta nova sociedade.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Novas pautas, novas propostas&lt;/strong&gt;. Como se trata de atacar o capitalismo por outra vertente que não seja a das lutas econômicas e do marco do trabalho, antes de mais nada cabe a nós militantes de partido, organizações e movimentos sociais nos engajarmos em um profundo processo de formação, sem perder de vista nossa atuação prática no dia-a-dia. A formulação teórica e a discussão aprofundada de alternativas que não nos conduzam novamente aos mesmos paradigmas que criaram as crises que enfrentamos, devem estar sempre presentes nas composições de mesas de debate e seminários. Nossa relação com a academia também deve ser dirigida para que possamos, o mais rápido possível, preencher as lacunas teóricas. Mas não começamos do zero. Temos acúmulo suficiente para associarmos as políticas e as práticas neoliberais aos principais problemas enfrentados pela humanidade e pelo planeta.&lt;br /&gt;Denunciamos a fome endêmica no mundo que atinge quase 1 bilhão de pessoas; responsabilizamos a transformação dos alimentos em &lt;em&gt;commodities&lt;/em&gt; sujeitas à especulação; e defendemos a recuperação da soberania alimentar pelas nações e suas populações. Denunciamos a escassez da água – com mais de 1,3 bilhão de pessoas sem acesso à água tratada – que se tornará maior com as mudanças climáticas; responsabilizamos os meios de produção capitalista, industrias ou agronegócio, que desperdiçam e sujam a água; e defendemos que a água é um bem universal e público, de uso social e acesso garantido a todos os habitantes do planeta. Denunciamos o saque e esgotamento dos recursos naturais, a depredação dos ecossistemas e da biodiversidade; responsabilizamos o capital, que no afã de manter seu nível de lucratividade, cria condições de inviabilidade para a vida na Terra; e defendemos um desenvolvimento ecossocialista sustentável.&lt;br /&gt;Denunciamos as mudanças climáticas que nestes próximos 50 anos afetarão a vida, principalmente, dos países em desenvolvimento e das populações pobres dos países desenvolvidos; responsabilizamos a sanha do agronegócio desmatando as florestas tropicais em busca de novas áreas de cultivo e criação, a farra de consumo de combustíveis fósseis, seja na produção, como na civilização do carro; e defendemos o fim do desmatamento na Amazônia e outras florestas tropicais, a redução imediata da emissão de CO&lt;sub&gt;2&lt;/sub&gt; através de acordos multilaterais mais rígidos e sérios do que o fiasco de Kyoto, dentro da lógica de "responsabilidades comuns, porém diferenciadas", o questionamento do consumismo e da prevalência do individual (carro) sobre o coletivo (meios de transporte de massa), e o incentivo ao desenvolvimento de matrizes energéticas alternativas e limpas.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-5119824010646883696?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/5119824010646883696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=5119824010646883696' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/5119824010646883696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/5119824010646883696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2008/12/as-vrias-crises.html' title='As várias crises'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-420263695009772099</id><published>2008-11-12T10:17:00.001-08:00</published><updated>2008-11-13T08:26:05.118-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alimentos'/><title type='text'>A crise que não gosta de dizer seu nome</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Anualmente a &lt;a href="https://www.fao.org.br/"&gt;FAO&lt;/a&gt; – Organização das nações Unidas para Agricultura e Alimentação – publica um relatório sobre a situação da fome no planeta. O de 2008, divulgado em meados de outubro, apresenta um quadro desesperador. 923 milhões de pessoas, um em cada 6 habitantes da Terra, vão dormir diariamente com fome. Entre estas, a maioria é de crianças cuja capacidade de desenvolvimento intelectual já está comprometida pela subnutrição. Somente em 2007, 75 milhões de pessoas foram incluídas neste exército de famintos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cerca de um mês após esta divulgação, a FAO anuncia outro estudo, com números desconcertantes sobre a previsão da produção de alimentos em 2008-2009. Nele, a FAO aponta, entre outras informações, que a produção mundial de cereais aumentará em torno de 5,3% e alcançará a 2,24 bilhões de toneladas. Além disso, a organização alerta para o aumento do preço dos alimentos, que atingirá principalmente as populações dos países pobres. No primeiro semestre de 2008, os preços dos alimentos aumentaram, em média, 64% em relação aos praticados em 2002. Os cereais apresentaram um aumento de 87%, sendo que o arroz aumentos 46% no período.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais desconcertantes ainda são os resultados das transnacionais de alimentos no mesmo período: os lucros da Monsanto, no primeiro trimestre de 2008, dobraram em relação ao mesmo período de 2007, passando de 339 para 700 milhões de euros. A Cargill, no mesmo período, teve seu lucro aumentado em 86%, enquanto que a Mosaic, uma das maiores produtoras mundiais de fertilizantes, obteve resultados 12 vezes maiores nestes três meses.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O mercado resolveu opinar, mesmo desmoralizado pela crise financeira, e achou razões para a alta súbita dos preços, que vinham se mantendo mais ou menos estáveis (descontadas as questões sazonais) nos últimos anos. Os culpados escolhidos foram os chineses e os hindus. A lengalenga pseudocientífica, recheada de lugares comuns, alegou que o crescimento do PIB nestes países tinha aumentado a demanda. Além disso, os chineses, ávidos por proteínas, haviam incluído a carne na sua dieta alimentar diária. Isso teria provocado um aumento na demanda, tanto dos '&lt;em&gt;food grains&lt;/em&gt;', usados na alimentação humana, como nos '&lt;em&gt;feed grains&lt;/em&gt;', utilizados nas rações animais.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estes sábios só não explicaram o porquê dos preços só terem aumentado nos últimos dois anos, já que o consumo nos países emergentes vem aumentando nos últimos 40 anos. Além disso, nenhuma palavra sobre o fato de que tanto a China como a Índia ainda exportam mais alimentos do que importam.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Evidentemente que estas questões apontadas não foram inventadas. Mas para entender a repentina alta dos preços, depois de décadas de razoável estabilidade, é necessário buscar razões mais estruturais, O fato é que, com o neoliberalismo, a regulação do fluxo dos alimentos foi – assim como em outros setores da economia – entregue ao mercado. O controle da produção de alimentos, baseado no sistema de estoques administrados pelas nações, foi substituído pela disponibilidade dos estoques no mercado, "regulado pelo livre comércio".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Além desta razão estrutural, poderíamos citar outras conjunturais, como a redução dos estoques por conta da crise dos '&lt;em&gt;subprimes'&lt;/em&gt;; ou então o fato de que, a partir da Revolução Verde (1960-1970), a agricultura depende fortemente de fertilizantes e agroquímicos, produzidos a partir do petróleo e, por isso, dependentes da especulação em torno de seu preço.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A pressão pela produção de etanol, seja o fabricado a partir do milho nos Estados Unidos, seja o produzido a partir de outros grãos, pela União Européia, já está afetando o preço dos alimentos. Caso esta política se consolide, esta passará a ser mais uma causa estrutural para a crise de oferta e de alta dos preços dos alimentos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A aplicação da desregulamentação neoliberal trouxe vários problemas que agravaram a fome no mundo: (1) a comida vai para quem paga mais, não para quem tem fome; (2) a lógica da lucratividade extrema determina o que vai ser plantado e agride o meio ambiente e a biodiversidade; (3) a busca pela "eficiência" ultrapassa os limites da biossegurança (transgênicos). Ou seja, a lógica neoliberal não está assentada nem na segurança, muito menos na soberania alimentar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A alta do preço dos alimentos básicos já tem provocado várias revoltas por todo o planeta: no México, em janeiro deste ano, mais de 75 mil pessoas manifestaram-se contra a escalada do preço das tortilhas, alimento nacional feito com milho. Com o acordo da NAFTA, foram suprimidas todas as barreiras de importação. Com isso, o milho excedente dos EUA entrou no país a preços baixos, quebrando os produtores nacionais, e tornando o México dependente do milho americano. Com o subsídio para a produção do etanol a partir do milho, todo o excedente americano está sendo carreado para esta produção, o que fez aumentar o preço do milho no México.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No Haiti, em abril, 10 dias de revolta popular provocaram a morte de pelo menos 5 pessoas e ferimentos em mais de 200. A repressão foi coordenada pela MINUSTAH, com destacada participação brasileira. Com grande parte da população à beira da inanição, a alternativa de povo haitiano tem sido a dos &lt;a href="http://curiosidadesnanet.wordpress.com/2008/06/18/haitianos-e-seus-biscoitos-de-barro/"&gt;biscoitos de barro&lt;/a&gt;. Preocupadas com a situação, as autoridades brasileiras enviaram algumas toneladas de alimentos, em uma espécie de "bolsa cesta básica". Além desses 2 países, houve revoltas na Indonésia, no Iêmen, Filipinas, Camboja, Marrocos, Senegal, Uzbequistão, Guiné, Mauritânia, Egito, Camarões, Bangladesh, Burkina-Faso, Costa do Marfim, Peru e Bolívia.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No Brasil, as áreas de produção de feijão tornaram-se áreas do milho – para exportação para os EUA (etanol) – e soja, que substitui o milho na ração animal. Mesmo não sendo auto-suficientes, estamos canalizando a produção de trigo para a exportação. Segundo o IBGE, entre 1990-1996, nos municípios onde houve um aumento de 500 ou mais hectares de áreas de cana, esse plantio substituiu o feijão, o arroz e o gado bovino. A pecuária do Centro- Oeste está sendo desalojada pela soja, transferindo-se para a Amazônia. O Pará já possui o terceiro rebanho do país. Essa pressão tem empurrado ainda mais a fronteira agro-pecuária para dentro da floresta, aumentando o desmatamento.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os pequenos e médio agricultores que foram engabelados pela lábia da Monsanto, que, à princípio, quase que doou as sementes transgênicas da soja, agora estão lidando com a alta de cerca de 40% no preço dessas sementes, o que, certamente, vai inviabilizar a permanência de muitos deles no campo. Além dos perigos que pode trazer para a saúde da população, para quebrar a autonomia e soberania alimentar das nações, e ter efeitos nocivos sobre a biodiversidade, as sementes transgênicas também são um vetor de concentração de terras no campo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; A "auto-regulação" do mercado está desmoralizada e encontra-se enterrada sob toneladas de papéis podres. É o momento para que os países retomem o direito de definir suas próprias políticas e estratégias sustentáveis de produção, distribuição e consumo de alimentos. Estas estratégias devem incluir a preocupação com o ambiente e com a biodiversidade. A segurança alimentar também deve ser objetos de preocupação, principalmente em relação ao desenvolvimento de espécies transgênicas e ao uso combinado de agroquímicos. E, finalmente, é preciso resgatar – já que alguns apressados tinham decretado a sua morte – a bandeira da reforma agrária ecológica, que é o único instrumento de garantia de produção de alimentos e de solução para a impossibilidade das megalópoles. Enquanto isso, somos todos e todas, do campo ou da cidade, sem-terra! &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-420263695009772099?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/420263695009772099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=420263695009772099' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/420263695009772099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/420263695009772099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2008/11/crise-que-no-gosta-de-dizer-seu-nome.html' title='A crise que não gosta de dizer seu nome'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-2591773848931327885</id><published>2008-10-06T16:29:00.001-07:00</published><updated>2008-10-06T16:35:13.690-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ecossocialismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sustentabilidade'/><title type='text'>A Terra entrou no cheque especial, e os juros são altíssimos</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;No dia 23 de setembro, "comemorou-se" o Earth Overshoot Day. As aspas foram colocadas antes que alguém saisse soltando foguetes. O Dia da Ultrapassagem dos Limites da Terra (numa tradução meio mambembe) foi criado em 1995, e marca o dia quando o homem começa a gastar mais recursos naturais renováveis do que a Terra pode produzir no ano. Não é um dia fixo, e serve para se medir o tamanho da gastança e o desperdício provocados pela insanidade do modo de produção capitalista.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para se ter uma idéia da espiral desenfreada do consumo dos recursos naturais, em 1995, quando o dia foi criado, o Earth Overshoot Day caiu em 21 de novembro e, segundo projeções da ONU (que costumam ser muito conservadoras), em 2050 a "conta recursos naturais" ficará no vermelho em julho.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando falamos em recursos renováveis, entenda-se a madeira usada para a produção de papel, as verduras e os grãos que a gente come, e assim por diante. Dizer que ultrapassamos a capacidade dos ecossistemas se regenerarem, é o mesmo que dizer que uma Terra só não é mais suficiente para o padrão de consumo dominante. Atualmente, com o dia caindo em setembro, ou seja, faltando ainda 3 meses para o final do ano, estamos gastando 40% a mais do que a capacidade do planeta. Em 2050, segundo a previsão da ONU, chegaremos à desconcertante situação de precisarmos de 2 Terras.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como no caso da conta-corrente do locutor que vos fala, os juros do cheque especial da "conta recursos naturais" também são muito altos. Neste caso, eles serão pagos pelas gerações futuras, que terão menos recursos a sua disposição. Aproveitando o exemplo da crise financeira que anda provocando calafrios nos banqueiros/especuladores, enquanto os lucros são privatizados, os prejuízos são "democráticos". Ou seja, enquanto o padrão de consumo dos Estados Unidos, se estendido ao resto dos países, necessitaria de mais de 5 Terras, os países mais pobres não têm direito nem a uma. A China consome o dobro dos recursos naturais disponíveis no seu território. A diferença, ela vem buscar aqui no Brasil e nos demais países do Sul. Com a população que tem hoje, se a China tivesse o mesmo padrão de consumo dos Estados Unidos, ela iria precisar de um planeta para chamar de seu.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao invés dos governos facilitarem a desregulamentação – que está provocando o tsunami &lt;em&gt;subprime&lt;/em&gt; – e criarem regras e leis que impedem as iniciativas sociais do estado, como é o caso da Lei de Responsabilidade Fiscal, o que o planeta precisa urgentemente é de um grande choque de responsabilidade ambiental, que dê um paradeiro ao desperdício irresponsável do capitalismo. A menos que a corrida espacial nos consiga um planeta B.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-2591773848931327885?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/2591773848931327885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=2591773848931327885' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/2591773848931327885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/2591773848931327885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2008/10/terra-entrou-no-cheque-especial-e-os.html' title='A Terra entrou no cheque especial, e os juros são altíssimos'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-5652071167042891003</id><published>2008-09-20T09:30:00.001-07:00</published><updated>2008-09-20T09:31:54.137-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='papel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='deserto verde'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='monoculturas'/><title type='text'>Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal. Ainda vai tornar-se um imenso canavial (eucaliptal, ‘sojal’, etc.)!</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Dia 21 de setembro é o Dia Internacional contra as Monoculturas de Árvores. No Brasil, nada a comemorar. Na Amazônia, apesar de toda a pirotecnia do ministro do Meio Ambiente, a cada mês um estado do Rio de Janeiro é desmatado, em grande parte para o plantio da soja. No resto do País, além das extensas monoculturas do agronegócio, a cana de açúcar e o eucalipto vêm pintando o mapa do Brasil de verde; um deserto verde.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As conseqüências e os impactos deste processo são, entre outras:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Perda da biodiversidade (alimentar, medicinal, calorífica, artesanal, potencial de construção, entre outros);&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Alteração do ciclo hidrológico, que resulta na diminuição e esgotamento de fontes de água, como o aumento de inundações e deslizamentos;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Diminuição da produção de alimentos;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Degradação do solo;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Perda de culturas indígenas e tradicionais que dependem dos ecossistemas originais;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Conflitos com empresas florestais que ocupam terras indígenas e outras comunidades tradicionais;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Diminuição de fontes de emprego em zonas de tradição agropecuária;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Expulsão da população rural;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Perda da paisagem em locais turísticos.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;As empresas por trás destes empreendimentos insistem em negar o óbvio e, cinicamente, chamam estes desertos verdes de florestas. As bolsas internacionais vêm negociando créditos de carbono, onde o "reflorestamento" é feito pela plantação de eucalipto e outras árvores utilizadas pelas indústrias de papel, processo industrial que causa altos passivos ambientais. Estas indústrias vêm sistematicamente sendo exportadas para os países do Sul, para utilizar água, solo e energia e, em troca, poluir.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Além disso, utilizando como "álibi" a necessidade da substituição dos combustíveis fósseis, por outros que não emitam tantos gases formadores do efeito estufa, a plantação de cana vem se expandindo, batendo seguidamente recordes de produção de agro-combustíveis. Esta expansão ocupa as áreas agriculturáveis nobres e mais perto das usinas, empurrando assim o agronegócio e a criação de gado para o Norte e Centro-Oeste, ou seja, empurrando a fronteira agropecuária para a Amazônia e o Pantanal. Variedades de cana transgênicas adaptadas aos solos e ao clima dessas regiões estão sendo desenvolvidas, enquanto o governo Lula incentiva a introdução da produção de palma na Amazônia.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O saite do &lt;a href="http://www.wrm.org.uy/inicio.html"&gt;World Rain Forest Movement &lt;/a&gt;(Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais), de onde retirei algumas informações para este post, também tem alguns vídeos interessantes, entre eles "&lt;a href="http://www.wrm.org.uy/Videos_Esp/Montanhas.html"&gt;&lt;em&gt;Montanhas de Papel. Crescente Injustiça&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;", em português, que abre uma importante discussão sobre o uso do papel na sociedade neoliberal. Volto a esta discussão mais para frente, mas, como dever de casa, deixo a sugestão de a gente comparar o papel gasto em notícias e em anúncios nos jornais de amanhã, domingo, 21 de setembro, Dia Internacional contra as Monoculturas de Árvores.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-5652071167042891003?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/5652071167042891003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=5652071167042891003' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/5652071167042891003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/5652071167042891003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2008/09/ai-esta-terra-ainda-vai-cumprir-seu.html' title='Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal. Ainda vai tornar-se um imenso canavial (eucaliptal, ‘sojal’, etc.)!'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-7566397365684805687</id><published>2008-09-16T09:29:00.001-07:00</published><updated>2008-09-16T09:32:26.912-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alimentos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='transgênicos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='agronegócio'/><title type='text'>Transgênico dá prejuízo para produtores na safra 2008/09</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Acho que nós, ecossocialistas, somos uma espécie de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cassandra"&gt;Cassandras&lt;/a&gt; modernas: somos nós que, atualmente, trazemos as más notícias e, até por causa disso, as pessoas tendem a não acreditar muito no que a gente diz.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando o governo Lula introduziu – assim, a seco, sem direito a beijinho e, muito menos, a um jantarzinho antes – as sementes transgênicas no país, fomos nós, juntamente com movimentos sociais, técnicos e pesquisadores de bom senso, que denunciamos o duplo perigo que o Brasil passava a correr deste instante em diante: o alto risco para a nossa segurança alimentar e a perda da nossa soberania alimentar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ou seja, passaríamos a consumir alimentos fabricados com substâncias cujos efeitos sobre a saúde são ainda desconhecidos, e que, ainda por cima, são mais resistentes – ao contrário de nós – aos agrotóxicos em que são encharcados. Além disso, ficaríamos todos nós a mercê das transnacionais detentoras das patentes, que poderiam alterar o preço das sementes quando quisessem. Eco-chatos, &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ludita"&gt;luditas&lt;/a&gt;, foi o mínimo que ouvimos naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A notícia abaixo mostra que o dedinho do monstro já está aparecendo. Os produtores que escolheram a soja transgênica da Monsanto começam a perceber, da pior maneira, que a transnacional de santa só tem parte do nome. Bem vindos ao mercado, meus senhores! Acostumem-se a ver o preço dos seus insumos atrelados ao sobe-e-desce do petróleo (mais sobe do que desce), à guerra do Iraque, às constipações intestinais do presidente dos EUA, ou coisa do gênero. E não adianta pedir arrego, anistia da dívida ou se queixar ao Papa, como vocês costumam fazer com estes presidentes- banana que o Brasil costuma ter. No mercado, como vocês sabem, o lema é: "tudo para os peixões e pau nos bagrinhos". E vocês, na cadeia alimentar do mercado, estão abaixo das manjubinhas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dá vontade de dizer bem-feito e seguir a vida, se a gente também não fosse se estrepar. Não nos esqueçamos que, nessa mesma cadeia alimentar, somos todos girinos. Está na cara que essa corda vai acabar arrebentando onde e como sempre arrebenta: a população tendo que paga a conta da alta do preço dos alimentos. Pagar cada vez mais caro, por um alimento cada vez mais escasso e não-saudável. Próxima parada: Soylent Green (vejam o filme)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Brasil - 9/9/2008&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Enquanto os produtores de sementes convencionais irão trabalhar com aumentos moderados, e em algumas regiões até mesmo queda, no preço dos herbicidas na safra 2008/2009, os produtores de sementes geneticamente modificadas terão um aumento significativo nos custos de produção, puxado pelo incremento nos preços dos defensivos à base de glifosato. Segundo levantamento feito pelo Scot Consultoria, o preço da embalagem de 20 litros do Roundup, marca líder de mercado, aumentou de R$ 249,56 em agosto de 2007 para R$ 348,00 em agosto deste ano.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;A última tabela com os custos de produção da safra 2008/2009 divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já mostra os efeitos da alta do produto no bolso do agricultor. Os cinco municípios avaliados pela estatal apresentaram aumento nos gastos com agrotóxicos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"O preço dos defensivos ficou estável nessa safra, com exceção daqueles à base de glifosato. Como o produtor compra muito esse produto ele acabou puxando para cima o preço dos agrotóxicos como um todo", disse Asdrúbal Jacobina, gerente da gerencia de custo de produção Conab.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;O Rio Grande do Sul é o maior estado produtor de soja transgênica. De acordo com a Agroconsult, na Região Sul, a presença de transgênicos foi verificada em 82,1% das amostras de soja. No Brasil, a prevalência de lavouras de soja transgênicas é de 59,1%.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;O produtor de transgênicos também arca com um custo maior na aquisição de sementes já que são impedidos de multiplicá-las pela lei de patentes. Para essa safra, a Monsanto já anunciou que aumentará em 17% o royalty da soja transgênica. A cobrança da taxa passará de R$ 0,30 para R$ 0,35 por quilo, já os agricultores que plantarem soja modificada a partir de semente própria deverão repassar 2% do valor de sua colheita para a empresa. Só no Rio Grande do Sul a empresa deve recolher mais de R$ 100 milhões dos agricultores.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Em Cruz Alta (RS), o preço da semente (já com o custo do royalty incluído), subiu de R$ 69,95 para R$ 85,29 por hectare.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Sobre o custo do glifosato, a Monsanto esclarece que dois fatores são importantes na avaliação dos preços atuais dos herbicidas: o incremento do preço do petróleo, que interfere diretamente nas matérias-primas que compõem o produto, além do aumento da demanda global do produto. A empresa informou ainda que está investindo mais US$ 150 milhões na fábrica de Camaçari, na Bahia, unidade que produz a matéria-prima do glifosato, para atender à maior demanda do produto.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;De acordo com Gabriel Fernandes, agrônomo da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (ASPTA), o aumento na procura pelo por defensivo à base de glifosato não está ligado ao benefício do produto, mas sim à dependência. "Nos dois, três primeiros anos o uso de herbicida cai, mas depois a semente fica mais resistente e o produtor tem que aumentar volume de aplicação", afirmou.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Para Fernandes, o fato dos produtores de soja não encontrarem na prática os benefícios que as empresas tinham anunciado deve desestimular a expansão do milho transgênico que terá seu primeiro plantio na safra atual.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Acreditando na ampliação do nicho de mercado de sementes convencionais está sendo criada oficialmente hoje a Associação Brasileira dos Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados. A entidade reúne empresas como o grupo Maggi, Caramuru Alimentos, Imcopa e Brejeiro.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fonte: DCI - Diário do Comércio &amp;amp; Indústria&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-7566397365684805687?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/7566397365684805687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=7566397365684805687' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/7566397365684805687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/7566397365684805687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2008/09/transgnico-d-prejuzo-para-produtores-na.html' title='Transgênico dá prejuízo para produtores na safra 2008/09'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-3799224159094362295</id><published>2008-09-11T12:21:00.001-07:00</published><updated>2008-09-11T12:22:02.276-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cidades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ecologia urbana'/><title type='text'>Quem desorganiza a cidade?</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Como era de se esperar, a mídia e os candidatos conservadores vêm repetindo, nesta campanha, o discurso da desordem urbana, colocando como principais responsáveis os setores mais pobres da população. São eles que atravancam as calçadas com suas bancas de camelô, que atrapalham o trânsito com as vans piratas, que ocupam irregularmente as encostas, colocando em risco o meio ambiente. São eles que perambulam e cheiram cola nas esquinas, que se organizam em comandos levando a violência e o terror a toda a cidade. São os mesmos que jogam lixo e esgoto nos rios e lagoas e destroem a floresta. Este é o discurso oficial, ideologia barata que vêm sendo enfiada goela abaixo pelos meios de comunicação, em especial as Organizações Globo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desta forma, já era esperado – como, de fato, vem acontecendo – que nas entrevistas e debates, esta tal desordem fosse colocada no centro da discussão e brandida contra os candidatos da esquerda. Nas entrevistas, seja de forma mais simpática, ou procurando encostar os candidatos nas cordas, a preocupação dos apresentadores é, a partir da associação entre "desordem urbana" e ocupações nas encostas, questionar qual as propostas dos candidatos em relação à remoção de favelas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nos termos em que este ponto está sendo colocado, o time da esquerda vai sempre jogar no campo adversário e, conseqüentemente, na defensiva. Discutir problemas e soluções para questões originadas de uma avaliação com qual não concordamos, é cair na armadilha de quem insiste em vender, e dar ares de normalidade, a uma concepção de cidade restritiva, elitista e autoritária.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A verdadeira discussão é sobre quem é o responsável pelo caos urbano, ou melhor, sobre quem desorganiza a cidade. Nestas eleições, além de colocarmos na roda nossas propostas, é fundamental que a esquerda traga essa discussão para o centro do palco, apontando o real culpado. Ao invés de aceitarmos esta sabatina cínica e nos submetermos ao papel de administrador das mazelas do neoliberalismo e de despachante dos interesses das grandes empresas, temos que usar o espaço eleitoral para fazer alguns questionamentos incômodos aos conservadores e desconstruir falsas verdades.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por que o Rio de Janeiro e sua população devem viver em função da ditadura do automóvel? Por que o consumismo e o desperdício devem ser tão cultuados e incentivados na nossa cidade? Por que o transporte coletivo da cidade deve ser tratado como uma ação entre amigos mafiosos, que impõem seus interesses em detrimento das necessidades da maioria da população? Por que a geografia e os pólos econômicos e produtivos da cidade podem ser redesenhados à vontade pela especulação imobiliária? Por que mansões e condomínios construídos nas encostas dos morros "preservam a natureza", enquanto as comunidades são uma ameaça ambiental? Por que serviços regulares de fornecimento de água e saneamento básico tornam-se mais raros, à medida que vão se distanciando das áreas nobres e a cor da pele da população vai enegrecendo? Por que superfaturar obras desnecessárias e deixar Saúde e Educação à míngua?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por que manter enormes contingentes em situação de desemprego estrutural, tendo que "correr atrás" para sobreviver, enquanto milhões são destinados a projetos de desenvolvimento insustentável que ajudam a destruir ainda mais o meio ambiente e a saúde das populações que vivem no seu em torno? Por que reclamar do aumento da violência gerado por estas situações, quando a cidade está organizada para perpetuar a miséria, a fome e a exclusão? Como podemos falar em ordem urbana, se ela traz o caos e barbárie para a maioria de sua população, segregando-a e tornando-a cada vez mais miserável e despossuída do acesso aos serviços mais básicos? Por que continua a destruição das áreas verdes da cidade, assim como a impermeabilização do solo e a emissão dos gases formadores do efeito estufa, como se as mudanças climáticas não fossem atingir a nossa cidade?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quem desorganiza a cidade é o neoliberalismo, dissociando a cidade de seu espaço físico, do meio ambiente onde ela está colocada e, principalmente, da maioria de seus habitantes. As favelas, as vans, as ocupações urbanas, o comércio informal dos camelôs, os gatos de água e luz, não devem ser vistos como instrumentos da desordem urbana, mas como formas de resistência ao caos e barbárie neoliberal. São soluções limitadas e, por isso, imperfeitas, mas que apontam para a existência de uma outra cidade, que resiste ao avanço da criminalização e da responsabilização dos pobres e dos movimentos sociais por tudo que existe de negativo na cidade, mesmo que não lhes caiba nenhuma responsabilidade. Os futuros governos da esquerda devem estabelecer novas relações com esta população, dando-lhe voz e poder, e sendo parceiro em uma grande reforma urbana ecológica e socialista que o Rio tanto precisa.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-3799224159094362295?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/3799224159094362295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=3799224159094362295' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/3799224159094362295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/3799224159094362295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2008/09/quem-desorganiza-cidade.html' title='Quem desorganiza a cidade?'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-5326995827513281889</id><published>2008-09-09T01:14:00.001-07:00</published><updated>2008-09-09T06:04:41.769-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições'/><title type='text'>Você me conhece?</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt;Não sei se os 4 leitores desse blog têm as mesmas esquisitices do escriba que vos fala. Provavelmente não. Eles devem ter coisa melhor para fazer, do que acompanhar o triste e cômico horário eleitoral na TV. Se na ditadura militar os candidatos apareciam em fotos 3 X 4, ainda hoje o horário eleitoral é uma foto do Brasil, sem retoques e Photoshop, principalmente na propaganda dos candidatos a vereador. Aqui no Rio, eles costumam começar suas aparições com a frase "você me conhece", deixando o blogueiro aqui com a sensação de que é completamente desenturmado, já que eu não conheço ninguém.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas isso é tema para um outro post, em um outro blog. Esse aqui está destinado a comentar a presença (ou a falta dela) do meio ambiente nos programas dos candidatos a prefeito. Mais do que isso, este blog criou especialmente para estas eleições o selo '&lt;em&gt;Socialismo ou Barbárie&lt;/em&gt;' destinado a ajudar os eleitores e eleitoras ecossocialistas a identificar os candidatos e candidatas com preocupações ambientais e sociais legítimas. Para não parecer propaganda eleitoral, vou escolher 3 candidatos de um mesmo partido – o PSOL – que concorrem obviamente em cidades diferentes, já que o partido tem lá suas divisões, mas não chega a tanto.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Escolhi o PSOL porque meu objeto de análise são aqueles e aquelas que mantém um compromisso com a construção do socialismo, e o PSOL é um dos únicos partidos representantes que ainda se assumem como tal. Vou me basear no que tenho visto e lido sobre o programa dos candidatos, porque este blog considera que o programa de governo é o cartão de visitas de um futuro governo, mesmo que essa prática esteja cada vez mais em desuso nestas plagas. Mas também vou levar em conta se as posições que as campanhas vêm tomando se adéquam ao programa escrito. A prática como critério da verdade (sempre quis colocar esta frase em algum texto).&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em Fortaleza, a Frente de Esquerda Socialista (PSOL e PSTU) apresenta Renato Roseno como candidato. No seu site, existe um &lt;a href="http://www.renatoroseno50.com.br/videos.html"&gt;link &lt;/a&gt;para vídeos dos programas de TV. E o conteúdo deles é um colírio para os olhos do blog: áreas verdes, preservação das dunas, aquecimento global, saneamento, lixo, poluição do solo e das praias, ocupação do solo, está tudo lá, de forma didática, ao lado das reivindicações tradicionais dos programas de esquerda, como saúde, transporte, educação. Uma perfeita tradução do que significa ecossocialismo.  A Frente de Esquerda Socialista de Fortaleza merece, desta forma, o &lt;strong&gt;selo 'Ecossocialismo'&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por outro lado, geográfica e politicamente falando, temos em Porto Alegre a coligação Sol e Verde (PSOL e PV), cuja candidata a prefeita é a companheira Luciana Genro. O plano de governo pode ser encontrado &lt;a href="http://www.psolrs.org.br/lucianagenro/wp-content/uploads/programa-de-governo.pdf"&gt;aqui&lt;/a&gt; e é bastante extenso quando fala nas questões ambientais. Porém, aqui as ações valem mais do que as palavras. Quando a maioria da direção do PSOL em Porto Alegre anunciou a coligação com o PV, muitos ecossocialistas – inclusive este blogueiro – apresentamos nossas preocupações. Sem nenhum purismo, nem sectarismo, o PV há muito despiu sua fantasia ambiental, para usar o surrado terninho de partido de aluguel. Não usam mais nem aquele discurso eco-capitalista que tinham seus fundadores (entre eles o Gabeira, daqui do Rio). Alguns gaúchos renitentes bateram no peito e falaram que lá nos Pampas até o PV era diferente e daí, tese que durou pouco tempo, até que se descobriu entre os financiadores do PV estava a Aracruz. Mas agora, durante a campanha descobre-se que a Gerdau, uma siderúrgica que tem causado enormes passivos ambientais, doou 100 mil reais à coligação. Infelizmente, o verde deve ter tapado o sol e, por 100 mil dinheiros, os passivos ambientais viraram passado. Como doação eleitoral é compromisso, para a coligação Sol e Verde, o s&lt;strong&gt;elo 'Barbárie'&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A terceira e última campanha é a da Frente Rio Socialista (PSOL e PSTU), daqui deste balneário chamado São Sebastião do Rio de Janeiro. Seu programa está disponível sob o nome '&lt;a href="http://www.chico50.com.br/prefeito/programa/4-programa/9-50-pontos-para-um-programa-de-governo"&gt;50 pontos para um programa de governo&lt;/a&gt;'. As questões ambientais estão catalogadas nos pontos 29 a 32. Custa crer que a Cidade Maravilhosa tenha tão poucos problemas ambientais. Tudo bem que o número do partido, 50, cria uma limitação, mas a questão não é a quantidade de pontos programáticos, mas a sua qualidade. Se fosse possível, bastaria usar o CTRL-C e o CTRL-V e colocar estes itens no programa de qualquer outro candidato aqui do Rio, e ninguém perceberia! Nenhuma menção à desordem urbana provocada pelo neoliberalismo; nenhuma disputa contra esse modelo hegemônico de cidade; e nenhuma referência a uma visão radicalmente diferente, uma possibilidade ecossocialista de cidade. Porém, como atenuante, por morar aqui no Rio sei que existem dados, análises, diagnósticos e propostas que foram construídas nesse sentido alternativo. Infelizmente optou-se por uma versão pasteurizada de meio ambiente, talvez para não passar uma visão meio "irresponsável", quando a ousadia e a irresponsabilidade nunca foram tão necessárias. Por isso, o júri resolveu que esta campanha ficou em um meio termo entre o Ecossocialismo e a Barbárie, ganhando dessa forma o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;selo 'Ou'&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como estamos em tempos de iteratividade, conclamo meus 4 leitores a deixarem um comentário sobre outras campanhas (de preferência de partidos e frentes de esquerda, porque senão não tem nem graça) e qual o selo confeririam a cada uma delas. Grande abraço. Fui.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-5326995827513281889?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/5326995827513281889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=5326995827513281889' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/5326995827513281889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/5326995827513281889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2008/09/voc-me-conhece.html' title='Você me conhece?'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-1911358369983370846</id><published>2008-09-08T14:20:00.000-07:00</published><updated>2008-09-08T14:29:15.437-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ecossocialismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vídeo'/><title type='text'>A história das coisas</title><content type='html'>A História das Coisas, tradução para o original em inglês "The History of Stuff", é um curta-metragem de mais ou menos 20 minutos, produzido e apresentado por Annie Leonard. Considero uma veículo muito importante para começar a discussão sobre ecossocialismo. Esta versão é legendada em português de Portugal e é dividida em 3 partes. Para quem ainda não viu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/HqjqMgPIVX4&amp;hl=en&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/HqjqMgPIVX4&amp;hl=en&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Za1OtfCAZII&amp;hl=en&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Za1OtfCAZII&amp;hl=en&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8xZdL0qi8b4&amp;hl=en&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/8xZdL0qi8b4&amp;hl=en&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-1911358369983370846?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/1911358369983370846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=1911358369983370846' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/1911358369983370846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/1911358369983370846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2008/09/histria-das-coisas_08.html' title='A história das coisas'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-2871799836404855899</id><published>2008-09-05T11:42:00.001-07:00</published><updated>2008-09-05T11:44:02.537-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ecossocialismo'/><title type='text'>Ecologia e Socialismo numa hora dessas!</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;p&gt; Em uma época onde as &lt;em&gt;egotrips&lt;/em&gt; e a busca individual pelo sucesso nunca foram tão hegemônicas e decantadas, pode parecer, à primeira vista, uma contradição utilizar um dos meios de comunicação mais representativos dessa época, os blogs, para falar de duas coisas que pareciam estar superadas pela "marcha inexorável da civilização rumo ao progresso": ecologia e socialismo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas pare um pouco, olhe em volta e veja se este mundo feliz que criaram para você faz realmente algum sentido. O capitalismo, nunca foi tão hegemônico como agora, depois da queda do Muro. O mercado, onipotente e todo poderoso, tinha todas as condições de criar o tal mundo harmonioso, tão decantado em verso e prosa pelo capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aí você olha em volta e vê a fome, a sede, o desemprego, a violência, a depredação do meio ambiente e o esgotamento dos recursos naturais, como se estivéssemos vivendo os últimos dias de Pompéia, sem nenhuma preocupação com a ampla maioria das pessoas que habitam o planeta hoje, nem com as futuras gerações.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pessoas e recursos naturais tornaram-se &lt;em&gt;comoditties&lt;/em&gt;  e agora ficam armazenados nas prateleiras para serem utilizados e esgotados quando necessário, sendo vendidas da mesma forma que ações na bolsa, ou seja, visando obter o maior lucro, no menor espaço de tempo e com o menor investimento possível.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao som da orquestra do Titanic, este último baile da Ilha Fiscal vai explorando gente e depredando a natureza, sem pensar no amanhã. Este imediatismo é acalentado por uma sociedade de consumo que valoriza as coisas (e pessoas também) pelo preço que podem alcançar, e não sua pela real utilidade. A cidadania foi substituída pelo consumo, e as pessoas são valorizadas, não pelas suas ações na sociedade, mas pela possibilidade de comprar, usar e, rapidamente, jogar fora.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mesmo o mais renitente capitalista já percebeu que essa conta não fecha! O ar, as águas e o solo estão cada vez mais emporcalhados; as cidades, entupidas de carros, estão paralisadas no trânsito; a comida está cada vez mais contaminada por agrotóxicos e outras substâncias químicas; a maioria das populações é empurrada para as áreas mais distantes e ambientalmente degradadas, ou então opta por morar precariamente perto das zonas economicamente ativas, já que o transporte coletivo é caro, poluente e escasso.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como na história do escorpião e da tartaruga, não adianta esperar outro comportamento do capitalismo, porque é de sua natureza ser predatório e excludente, como sempre o foi. Não existe espaço para um "eco-capitalismo", porque o capitalista não tem "preocupação ambiental", nem "responsabilidade social", ao contrário do que eles gostam de dizer em propagandas caríssimas. Ele visa o lucro.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Então, mesmo que tanta gente letrada e sapiente tenha decretado a inevitabilidade deste &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt;, é necessário procurar alternativas antes que a barbárie alcance cause mais sofrimento para as camadas mais pobres do planeta. Com o aquecimento global, as mudanças climáticas vão levar a fome, a sede a níveis inimagináveis. Se hoje o mundo deplora a brutalidade da guerra pelo petróleo no Iraque e Afeganistão, é porque ele não tem idéia de como será a guerra pela água.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É preciso que a gente acredite que um novo mundo é possível! Que as pessoas podem viver em um mundo, onde as relações sejam baseadas na solidariedade e não na competição. E que podem construir uma nova sociedade, que caminhe para o desenvolvimento pleno das pessoas, respeitando os ciclos naturais e deixando um planeta melhor de se viver para as futuras gerações.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O socialismo continua sendo vital como o ar e água. E mostrará mais vitalidade, se puder se reconstruir como idéia libertária, generosa e transformadora, que leva em conta a continuidade da vida no planeta. Este é o dilema colocado hoje para a humanidade: ecossocialismo ou barbárie.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-2871799836404855899?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/2871799836404855899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=2871799836404855899' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/2871799836404855899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/2871799836404855899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2008/09/ecologia-e-socialismo-numa-hora-dessas.html' title='Ecologia e Socialismo numa hora dessas!'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-8642809035443261903</id><published>2008-09-04T11:14:00.000-07:00</published><updated>2008-09-04T11:21:36.121-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='agronegócio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='agrotóxicos'/><title type='text'>Entidades denunciam ação de transnacionais para impedir  reavaliação dos agrotóxicos mais nocivos à saúde</title><content type='html'>Dezesseis entidades nacionais lançaram nota pública denunciando a estratégia das  empresas que produzem e comercializam agrotóxicos, um grupo de transnacionais,  para impedir a reavaliação - e a possível retirada do mercado - dos produtos  considerados mais nocivos à saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano passado, o Brasil tornou-se o  segundo maior consumidor mundial de agrotóxicos, atrás apenas dos Estados  Unidos. Em 2006, aconteceram 9.600 registros de intoxicação por estes produtos  no país, 17% acima do ano anterior. Leia abaixo a íntegra do texto das  entidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;NOTA PÚBLICA &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DESREGULAMENTAR PARA ENVENENAR:  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Transnacionais querem impedir a reavaliação dos agrotóxicos no país,  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;colocando em risco saúde da população brasileira. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2007, o Brasil  tornou-se o segundo maior consumidor mundial de agrotóxicos, atrás apenas dos  Estados Unidos. Entre 2002 e 2007, o faturamento líquido do setor passou de US$  1,9 bilhão para US$ 5,4 bilhões e a tendência de crescimento deve continuar,  graças ao fortalecimento do modelo exportador de commodities  agrícolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto os prejuízos e benefícios que esse modelo produz  são muito mal distribuídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que se refere à expansão do uso dos  agrotóxicos, os prejuízos ficam para os pequenos produtores rurais e a população  em geral. Segundo o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas, em  2006, os agrotóxicos de uso agrícola e doméstico totalizaram quase 9.600  registros, 17% acima do ano anterior, e para cada intoxicação notificada  estima-se que há outras 50 não comunicadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior parte delas ocorre  no campo, entre trabalhadores rurais, que não recebem treinamento adequado para  entender o código de cores que indica a toxicidade de um produto, compreender as  informações complexas apresentadas nas bulas, ou interpretar corretamente o  significado dos pictogramas, que os avisam que devem usar máscaras ou  luvas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém os danos dos agrotóxicos também atingem a população urbana,  pois, segundo o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, da  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), parte considerável dos  alimentos chegam às mesas das pessoas com resíduos de agrotóxico acima do limite  recomendado, ou contaminados por agrotóxicos não apropriados para aquela  cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, os benefícios são apropriados por um grupo de  10 empresas, quase todas transnacionais, que controlam o mercado nacional de  agrotóxicos. Bayer (Alemanha), Syngenta (Suíça), Basf (Alemanha), Monsanto  (EUA), Dow Chemical (EUA), Milenia/Makteshim Agan (Israel), DuPont (EUA), FMC  (EUA), Nortox (Brasil) e Arysta (Japão), juntas, são responsáveis pela  comercialização de mais de 90% dos agrotóxicos no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas  empresas, individualmente ou através do Sindicato Nacional da Indústria de  Produtos para Defesa Agrícola (SINDAG), vêm recentemente obtendo uma série de  liminares contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do  Ministério da Saúde, e conseguindo impedir ou adiar o processo de reavaliação  dos agrotóxicos registrados no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reavaliação é um procedimento que  permite que um agrotóxico seja retirado do mercado. A mudança no registro pode  ocorrer por diferentes motivos: quando pesquisas apontam para novos riscos à  saúde humana ou ao meio ambiente; no caso de uma perda de efetividade do  agrotóxico, ou ainda se produtos menos tóxicos são desenvolvidos para substituir  os antigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, cabe aos Ministérios da Agricultura, Pecuária e  Abastecimento, Saúde, e do Meio Ambiente, dentro de suas competências, promover  a reavaliação de agrotóxicos quando surgirem indícios da ocorrência de riscos  que desaconselhem o uso desses produtos. A reavaliação no país vem sendo  realizada pela Anvisa desde 2000 e, para 2008, a agência havia programado  reavaliar 14 substâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o processo vem sendo constantemente  interrompido por ações judiciais movidas pelas empresas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em abril de  2008, a companhia japonesa Arysta conseguiu um mandado de segurança que impede a  Anvisa de alterar o registro dos agrotóxicos produzidos a partir do acefato. Em  julho, o SINDAG conseguiu, com uma liminar, interromper a reavaliação de nove  princípios ativos (triclorfom, parationa metílica, metamidofós, fosmete,  carbofurano, forato, endossulfam, paraquate e tiran).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em agosto, a  italiana Sipcam Isagro entrou na justiça com um pedido de anulação do processo  de reavaliação da cihexatina, numa tentativa de impedir que a Anvisa publique as  restrições a esse agrotóxico. Muitos desses produtos têm seu uso proibido ou  restrito na Europa e nos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir dessas ações, a Anvisa  vem sendo impedida de realizar uma de suas atribuições fundamentais: proteger a  saúde da população. Nesse contexto, é fundamental que seja amplamente divulgada  à sociedade essa tentativa das indústrias, inclusive grandes transnacionais, de  dificultar a atuação reguladora dos órgãos de saúde pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também o  poder judiciário não pode permitir que uma medida ligada à garantia do direito a  saúde dos cidadãos brasileiros seja flexibilizada em nome do interesse privado  de empresas cujas atividades têm resultado em intoxicação de trabalhadores,  contaminação de ecossistemas e diminuição da qualidade de nossos  alimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À Anvisa deve ser garantido o poder de regular os agrotóxicos  no Brasil e à sociedade o direito de participar e decidir sobre a utilização  desses venenos no seu cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assinam a nota:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;GT Químicos da  Rede Brasileira de Justiça Ambiental&lt;br /&gt;Articulação Nacional da Agroecologia -  ANA&lt;br /&gt;Comissão Pastoral da Terra - CPT&lt;br /&gt;Federação dos Estudantes de  Agronomia do Brasil - FEAB&lt;br /&gt;Federação Nacional dos Farmacêuticos -  FENAFAR&lt;br /&gt;Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar e Nutricional -  FBSAN&lt;br /&gt;Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - IDEC&lt;br /&gt;Marcha Mundial  das Mulheres - MMM&lt;br /&gt;Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB&lt;br /&gt;Movimento  dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST&lt;br /&gt;Plataforma Brasileira de Direitos  Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais - DhESCA Brasil&lt;br /&gt;Rede  Brasileira de Justiça Ambiental - RBJA&lt;br /&gt;Rede Brasileira Pela Integração dos  Povos - REBRIP&lt;br /&gt;Relatoria Nacional para o Direito Humano ao Meio Ambiente /  Plataforma DHESCA Brasil&lt;br /&gt;Terra de Direitos&lt;br /&gt;Via Campesina&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;h2 style="font-weight: normal;" class="date-header"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Sexta-feira, 29 de Agosto de  2008&lt;/span&gt;&lt;a href="http:///"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;www.ecoagencia.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h2&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-8642809035443261903?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/8642809035443261903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=8642809035443261903' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/8642809035443261903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/8642809035443261903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2008/09/entidades-denunciam-ao-de.html' title='Entidades denunciam ação de transnacionais para impedir  reavaliação dos agrotóxicos mais nocivos à saúde'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-2115854482026024980</id><published>2008-09-04T10:16:00.000-07:00</published><updated>2008-09-04T10:18:50.401-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='energia'/><title type='text'>A morte cansada</title><content type='html'>&lt;div class="entry"&gt;     &lt;div class="snap_preview"&gt;&lt;p&gt;Se dinheiro chama dinheiro, como dizem, então pobreza chama pobreza - e tragédia agoura tragédia. Procurada em Guariba para conversar sobre o marido, morto após passar mal no canavial em 2005, Maildes de Araújo se põe a falar do morto de duas semanas antes: o cunhado, também cortador de cana. José Pindobeira Santos tinha 65 anos. Colheu cana até o ano retrasado. “Ele reclamava da barriga, de cólicas”, diz a filha Ivanir, faxineira. Voltava da lavoura com dor na virilha. Nunca se tratou ou foi tratado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pindobeira morreu de obstrução intestinal e broncoaspiração. Não se sabe até que ponto a lida na roça baqueou sua saúde. Nos anos 1960 já cortava cana nos arredores de Guariba.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Seu concunhado Antonio Ribeiro Lopes, o marido da baiana Maildes, veio ao mundo em julho de 1950, três dias antes do fracasso supremo do futebol pátrio, a final da Copa. Migrou de Berilo (MG), município da paupérrima região do Vale do Jequitinhonha.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em acidentes registrados - a subnotificação é considerável -, o facão rasgou-lhe perna e joelho. Dores no ombro direito o afastaram da roça. Penava com dor de cabeça. O empenho no trabalho desencadeava cãibras na barriga, nas pernas e nos braços. Sofria da doença de Chagas, mas não o licenciaram. Era funcionário da usina Moreno. Sucumbiu no campo e o levaram para o hospital. Causa da morte: “cardiopatia chagásica descompensada”.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Lopes integra a relação de duas dezenas de canavieiros mortos no interior paulista de 2004 a 2007, o caçula com 20 anos. A lista foi elaborada pela Pastoral do Migrante - há mais mortes, não contabilizadas.&lt;br /&gt;Dela não constam acidentes de trabalho - em 2005, de cada mil trabalhadores no cultivo da cana, 48 sofreram acidente ocupacional, registraram as pesquisadoras da USP Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes e Andrea R. Ferro.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Naquele ano, segundo o Ministério do Trabalho, morreram de acidentes 84 pessoas no setor sucroalcooleiro, incluindo lavoura e indústria (3,1% das mortes por acidentes de trabalho no Brasil). O Ministério Público do Trabalho investiga a razão dos óbitos e sua associação com o caráter exaustivo do corte manual.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Relatório de 2006 da Secretaria de Inspeção do Ministério do Trabalho enumera dezenas de irregularidades em empresas nas quais trabalhavam os lavradores que morreram.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Uma é o não-cumprimento do descanso de uma hora para o almoço. Os cortadores comem em dez, 20 minutos, para logo empunhar de novo o facão. Eles ganham por produção. Nenhum laudo atesta que a atividade foi decisiva para os óbitos. Seria difícil: dos oito esquadrinhados pelo ministério, só em dois houve necropsia.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O texto da Secretaria de Inspeção afirma: “As causas de mal súbito, parada cardiorrespiratória e AVC [acidente vascular cerebral], descritas nas certidões de óbito, não são elementos de convicção que justifiquem a morte natural, como alegam as empresas”.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Há indícios sobre por que morrem os canavieiros.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em 1985, os cortadores do Estado produziam em média 5 toneladas diárias de cana. Em 2008, são 9,3 toneladas, 86% a mais. Há 23 anos, um lavrador recebia R$ 6,55 por tonelada e R$ 32,70 por jornada. Em 2007, 1.000 kg valeram R$ 3,29. A remuneração por dia, R$ 28,90 (menos 12%).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A produtividade disparou e o salário caiu. Com a mecanização acelerada do corte e a expansão do desemprego, ficam os mais eficientes. O homem compete com a colheitadeira.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os números de 1985 e 2007 são do Instituto de Economia Agrícola. Atualizados para reais de agosto de 2007, encontram-se em artigo dos pesquisadores Rodolfo Hoffmann (Unicamp) e Fabíola C.R. de Oliveira (USP).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;“Penoso” e “desumano”&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;José Mário Gomes morreu em 2005 aos 44 anos. Era empregado da usina Santa Helena, do grupo Cosan, líder da produção de cana no planeta. “O óbito ocorreu nos períodos de maior produtividade, com picos alternados”, informa o Ministério do Trabalho.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Valdecy de Lima trabalhava na usina Moreno, como Antonio Ribeiro Lopes. Em 7 de julho de 2005, desabou na roça. Morreu aos 38 anos, de acidente vascular cerebral. Em 17 de junho, decepara 16,5 toneladas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A Moreno alega que as mortes de Antonio e Valdecy “não ocorreram em decorrência do esforço do trabalho”. A Cosan diz que as causas do óbito de José Mário “ainda estão sendo investigadas pelos órgãos competentes. A empresa prestou todos os atendimentos necessários e colocou seu departamento de serviço social à disposição da família do colaborador. A Cosan cumpre rigorosamente a legislação trabalhista”.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O Ministério Público do Trabalho relaciona as mortes à rotina “penosa” e “desumana” e prepara ação contra o pagamento por produção, quando o grosso da remuneração depende do desempenho. É preciso acumular em oito meses, a duração da safra, o suficiente para 12 -a maioria é dispensada na entressafra.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Usineiros e segmento expressivo dos trabalhadores desejam manter o sistema.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O afinco para cortar mais e mais provoca situações como uma acontecida em 2007. Sob o sol, em dia de temperatura máxima de 37ºC à sombra, nove trabalhadores foram hospitalizados após se sentirem mal em uma fazenda de Ibirarema.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Reclamavam de cãibras e vomitavam. Algumas usinas fornecem no campo bebidas reidratantes para a mão-de-obra suportar o desgaste.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em áreas de corte manual, os canaviais costumam ser queimados antes da colheita. O fogo queima a palha da cana, e restam apenas as varas, o que facilita o trabalho. Quando o facão golpeia as varas com fuligem, o pó se espalha, entra pelo nariz e gruda na pele. A plantação recebe agrotóxicos. O lavrador não costuma receber máscara.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em tese de doutorado na Unesp, a bióloga Rosa Bosso constatou que o nível de HPAs, substâncias cancerígenas, expelidos na urina de quatro dezenas de trabalhadores era nove vezes maior na safra do que na entressafra.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em temporada sem colheita, Antonio Lopes sobreviveu como carregador de sacas de açúcar. Maildes o conheceu na lavoura da cana, onde o namoro engatou. Ainda hoje a viúva se orgulha: “Ele não era de enjeitar serviço”.&lt;/p&gt; &lt;h5&gt;Publicado na Folha de SP, em 24/08/2008&lt;/h5&gt; &lt;/div&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-2115854482026024980?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/2115854482026024980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=2115854482026024980' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/2115854482026024980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/2115854482026024980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2008/09/morte-cansada.html' title='A morte cansada'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-314263218428637315.post-1160032349484465182</id><published>2008-09-03T11:25:00.000-07:00</published><updated>2008-09-03T11:31:52.302-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='água'/><title type='text'>Água: objetivo econômico militar de Washington</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;Carlos Fazio*&lt;br /&gt;Entorno&lt;br /&gt;La Haine&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.lahaine.org/"&gt;http://www.lahaine.org/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo de 2006, em um discurso na prestigiosa Chatham House de Londres, o Ministro da Defesa britânico, John Reid, advertiu que a combinação dos efeitos das mudanças climáticas globais com os escassos recursos naturais aumentava a possibilidade de violentos conflitos por terras, água e energia.&lt;br /&gt;Mesmo que houvessem precedentes, dada a importância de Reid, sua predição foi o anúncio oficial de que a era das guerras pelos recursos naturais está próxima.&lt;br /&gt;Já antes, a expressão mais significativa dessa perspectiva havia sido um relatório preparado para o Pentágono, em 2003, por uma consultora da Califórnia.&lt;br /&gt;Sob o título de “Um cenário de mudanças climáticas abruptas e suas implicações para a Segurança Nacional dos estados Unidos”, o documento advertia sobre a possibilidade de eventos ambientais cataclísmicos e a emergência de confrontos militares devido à necessidade imperiosa de recursos naturais, tais como energia, alimentos e água, não tanto por conflitos ideológicos, religiosos ou de honra nacional.&lt;br /&gt;Como esclareciam tanto o discurso de Reid, quanto o estudo do Pentágono, o maior perigo não era a degradação dos ecossistemas per si, mas a desintegração de sociedades inteiras, o que produziria uma fome descomunal, imigrações massivas e conflitos recorrentes pelos recursos vitais.&lt;br /&gt;Na perspectiva de Reid, em países pobres e instáveis, o risco resultante poderia ser de colapsos estatais, guerras civis e migração massiva. Um exemplo citado então foi a guerra em Darfur, na África.&lt;br /&gt;Por sua vez, um dos cenários vislumbrados pelo Pentágono era o uso de armas letais pelos assim chamados “Estados belicosos”, com a conseqüente proliferação de armas nucleares.&lt;br /&gt;Desde que Reid formulou seu prognóstico, se passaram 2 anos, e 5 desde que o relatório do Pentágono foi revelado. Como resposta a estas predições, os países industrializados vêm confiando em sua superioridade militar para apropriarem-se dos recursos, assim como na fortificação de suas fronteiras e costas, além de leis xenófobas para frear a entrada de imigrantes indesejáveis, que são criminalizados e, inclusive, como no caso dos estados Unidos , elevados a categoria de “terroristas”.&lt;br /&gt;Nesse contexto, não podemos deixar esquecer que, entre os objetivos do relançamento da IV Frota do Pentágono pelos mares e rios da América Latina e Caribe, está posicionar-se em países que contam com petróleo, gás natural e água.&lt;br /&gt;Está em curso a lógica imperial exposta em um documento de Santa Fé IV (um thinktank do Partido Republicano) que, em 2003, defendeu que “os recursos naturais do hemisfério estão disponíveis para atender a nossas prioridades nacionais”.&lt;br /&gt;Pouco depois, em fevereiro de 2004, o jornal inglês The Guardian revelou um relatório secreto de Andrew Marshall, conselheiro do Pentágono, no qual ele advertia o presidente George W. Bush sobre “os obscuros efeitos do aquecimento global no planeta, a curto prazo”. A falta de água potável, entre eles.&lt;br /&gt;O estudo sugeria que Washington devia “preparar-se para estar em condições de apropriar-se desse recurso estratégico... aonde e quando for necessário”.&lt;br /&gt;Por coincidência, na América do Sul, mais precisamente na bacia do Prata, está o Aqüífero Guarani, o terceiro maior reservatório subterrâneo de água doce do planeta, que supera em tamanho a Espanha, França e Portugal juntos, e que pode abastecer a população mundial durante 200 anos.&lt;br /&gt;O Sistema do Aqüífero Guarani abrange, aproximadamente, uma área de 1,19 milhão de quilômetros quadrados, 70% no subsolo brasileiro, 19% na Argentina, 6% no Paraguai e 5% no Uruguai.&lt;br /&gt;Ali está localizada a “tríplice fronteira”, uma zona de confluência de Argentina, Brasil e Paraguai, vista como um ponto crítico pelo Pentágono desde o 11 de setembro, sob a criação propagandística de que lá existiriam “células adormecidas” da Al Qaeda.&lt;br /&gt;A desculpa para estabelecer uma base militar, instalar, de pronto, escritórios do DEA e do FBI, fazer aprovar localmente leis antiterroristas e negociar convênios de imunidade para suas tropas.&lt;br /&gt;Com essa estrutura militar de caráter contra-insurgente, que opera em coordenação com os aparatos de segurança dos Estados Unidos no local, inclusive a CIA, e seu braço “diplomático-civil”, a Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID, em inglês), a dispersão da IV Frota, agora, nos rios interiores dos países do Cone Sul, indica que a Casa Branca está posicionada e preparada, para travar a guerra pela água nesse pedaço do seu “quintal” contra seus adversários da “velha Europa”, Japão e China.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tradução/traição: pp&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:78%;" &gt;*O autor é um reconhecido articulista da imprensa mexicana.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/314263218428637315-1160032349484465182?l=ecossocialismooubarbarie.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/feeds/1160032349484465182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=314263218428637315&amp;postID=1160032349484465182' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/1160032349484465182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/314263218428637315/posts/default/1160032349484465182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ecossocialismooubarbarie.blogspot.com/2008/09/gua-objetivo-econmico-militar-de.html' title='Água: objetivo econômico militar de Washington'/><author><name>Paulo Piramba</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_8TnhBIcsHEk/SKZC-ttI1yI/AAAAAAAAADg/RSYA5uC2K60/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
