5 de setembro de 2008

Ecologia e Socialismo numa hora dessas!

Em uma época onde as egotrips e a busca individual pelo sucesso nunca foram tão hegemônicas e decantadas, pode parecer, à primeira vista, uma contradição utilizar um dos meios de comunicação mais representativos dessa época, os blogs, para falar de duas coisas que pareciam estar superadas pela "marcha inexorável da civilização rumo ao progresso": ecologia e socialismo.

Mas pare um pouco, olhe em volta e veja se este mundo feliz que criaram para você faz realmente algum sentido. O capitalismo, nunca foi tão hegemônico como agora, depois da queda do Muro. O mercado, onipotente e todo poderoso, tinha todas as condições de criar o tal mundo harmonioso, tão decantado em verso e prosa pelo capitalismo.

Aí você olha em volta e vê a fome, a sede, o desemprego, a violência, a depredação do meio ambiente e o esgotamento dos recursos naturais, como se estivéssemos vivendo os últimos dias de Pompéia, sem nenhuma preocupação com a ampla maioria das pessoas que habitam o planeta hoje, nem com as futuras gerações.

Pessoas e recursos naturais tornaram-se comoditties e agora ficam armazenados nas prateleiras para serem utilizados e esgotados quando necessário, sendo vendidas da mesma forma que ações na bolsa, ou seja, visando obter o maior lucro, no menor espaço de tempo e com o menor investimento possível.

Ao som da orquestra do Titanic, este último baile da Ilha Fiscal vai explorando gente e depredando a natureza, sem pensar no amanhã. Este imediatismo é acalentado por uma sociedade de consumo que valoriza as coisas (e pessoas também) pelo preço que podem alcançar, e não sua pela real utilidade. A cidadania foi substituída pelo consumo, e as pessoas são valorizadas, não pelas suas ações na sociedade, mas pela possibilidade de comprar, usar e, rapidamente, jogar fora.

Mesmo o mais renitente capitalista já percebeu que essa conta não fecha! O ar, as águas e o solo estão cada vez mais emporcalhados; as cidades, entupidas de carros, estão paralisadas no trânsito; a comida está cada vez mais contaminada por agrotóxicos e outras substâncias químicas; a maioria das populações é empurrada para as áreas mais distantes e ambientalmente degradadas, ou então opta por morar precariamente perto das zonas economicamente ativas, já que o transporte coletivo é caro, poluente e escasso.

Como na história do escorpião e da tartaruga, não adianta esperar outro comportamento do capitalismo, porque é de sua natureza ser predatório e excludente, como sempre o foi. Não existe espaço para um "eco-capitalismo", porque o capitalista não tem "preocupação ambiental", nem "responsabilidade social", ao contrário do que eles gostam de dizer em propagandas caríssimas. Ele visa o lucro.

Então, mesmo que tanta gente letrada e sapiente tenha decretado a inevitabilidade deste status quo, é necessário procurar alternativas antes que a barbárie alcance cause mais sofrimento para as camadas mais pobres do planeta. Com o aquecimento global, as mudanças climáticas vão levar a fome, a sede a níveis inimagináveis. Se hoje o mundo deplora a brutalidade da guerra pelo petróleo no Iraque e Afeganistão, é porque ele não tem idéia de como será a guerra pela água.

É preciso que a gente acredite que um novo mundo é possível! Que as pessoas podem viver em um mundo, onde as relações sejam baseadas na solidariedade e não na competição. E que podem construir uma nova sociedade, que caminhe para o desenvolvimento pleno das pessoas, respeitando os ciclos naturais e deixando um planeta melhor de se viver para as futuras gerações.

O socialismo continua sendo vital como o ar e água. E mostrará mais vitalidade, se puder se reconstruir como idéia libertária, generosa e transformadora, que leva em conta a continuidade da vida no planeta. Este é o dilema colocado hoje para a humanidade: ecossocialismo ou barbárie.

4 comentários:

Julio disse...

Daqui da trincheira ecosocialista de Guararema, lançamos nosso brado de apoio a esta iniciativa.
Estaremos sempre acessando e aproveitando o material apresentado no blog.
Um grande abraço ao companheiro Paulo e demais organizadores e organizadoras.
Guararema, 05 de setembro de 2.008.
Júlio Miyazawa.

Anônimo disse...

Em 2005, no centro de Berlin, pude presenciar uma manifestação "ecológica" contra o uso de peles de animais nas roupas em frente a uma loja para milionários/as. No entanto, a maioria dos manifestantes com quem conversei não viam conexão entre a matança desenfreada de animais e o capitalismo.
Parabéns pela criação do blog!
Jô Portilho

Araca disse...

Camarada Paulo, que bela iniciativa e belo texto! Certamente usarei este blogue como referência nas minhas leituras e indicações... em breve também colocarei as nossas idéias na rede.
André
Cananéia, Vale do Ribeira, São Paulo

Nilo disse...

grande piramba!
em plena forma o agitador ecossocialista, o polemista irônico e indignado. mal nasceu o blog e sou leitor dele desde pequeninho!
grande abraço
nilo sergio aragão - psol/ce